sábado, 30 de agosto de 2025

O extremismo não é ideológico

O que vemos hoje, em termos de costumes e posicionamentos não se constitui uma novidade. O mundo é cíclico, vivemos num vai-e-vem de posturas que se repetem ao longo do tempo como se fora um modismo promovido pelos governos, sejam eles de direita ou de esquerda. Exacerba-se, a coisa, quando patrocinada pelos extremistas sejam eles conservadores ou progressistas. Aliás, nesse campo, não há diferença entre os extremismos.

O que vemos hoje, depois da ascensão do republicano, Donald Trump, ao seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos da América, são práticas que denotam extremismo conservador com relação a vários temas, tais quais: vacinas, segurança, direitos humanos e sociais, educação, meio-ambiente, enfim, negacionismo empedernido quanto a várias práticas consolidadas pela sociedade ao longo dos últimos anos.

Os EUA, na qualidade de nação mais poderosa do mundo, fazem escola dando luz a que outros os acompanhem. O tão cultuado negacionismo do então presidente Jair Bolsonaro quanto às vacinas contra covid-19, em 2021, foi espelhado na posição do também então presidente americano Donald Trump. Não foi à toa que Bolsonaro, logo que o americano tomou posse, foi lá prestar continência às “Old Glory”.

Nesta semana, Trump demitiu a diretora do Centro de Controle e Prevenção de Doenças do departamento de Saúde americano, porque a mulher se recusou a alterar políticas de vacinação pois, segundo o presidente americano, vacinas podem ser as causadoras de problemas como o autismo. Isso, já vimos também no Brasil quando o Bolsonaro dizia que, quem tomasse a vacina contra Covid-19, estaria sujeito a virar jacaré, falar fino ou virar gay.

No entanto, os extremismos não diferem entre si. Na Cuba de Fidel Castro, desde 1º de janeiro de 1959, a segurança pública não é caso de polícia, mas sim, de vida ou morte. Lá, o delinquente não chega sequer a ser contumaz: é eliminado antes de atingir esse estágio. Num estado laico e que nega a existência de Deus, é ele [o Estado] quem toma as providências sobre quem deve ou não viver. Ali, bandidos ou pessoas “inservíveis” ao convívio social – no início daquela revolução - eram sumariamente eliminados.

A diferença do extremismo de esquerda para o de direita é que, na extrema esquerda, as coisas são feitas às claras; enquanto que na extrema direita - sob o manto da hipocrisia quando, em tudo, invocam o nome de Deus, mas, na prática, agem em desconformidade com qualquer preceito cristão - não matam, mas criam as condições para tanto e, diante do resultado, se comportam como quem não tem nada a ver com isso. É crescente, no mundo atual, esse tipo de prática e, tudo, sob a invocação Divina.

Exemplo acabado de tudo isso é o que acontece, atualmente, não somente nos EUA que negam o efeito positivo das vacinas; submetem as Universidades; esnobam os efeitos climáticos provocados pela poluição, mas também na Faixa de Gaza quando um governo de extrema-direita promove um morticínio de crianças, mulheres e idosos em nome de uma limpeza étnica que tem precedentes, no mundo, similares ao Holocausto. Essa guinada à direita poderá estar levando o mundo para um novo tempo muito perigoso.



 

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