sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O velho "Açude Ibiapina"

 

O Açude Ibiapina é um dos mais antigos mananciais da Paraíba e o mais velho de Princesa (por isso, o nome que carrega: "Açude Velho"). Foi construído em meados do Século XIX, por iniciativa do coronel Manuel Rodrigues Florentino com o intuito de abastecer a então Vila de Bom Conselho. No inverno de 1878 - logo em seguida à grande seca de 1877 - em face de grande "cheia" do riacho que o abastece, quase se rompia sua parede. De acordo com informações orais dos mais velhos, o socorro adveio por iniciativa do padre José Antônio de Maria Ibiapina, que por aqui passava em suas constantes peregrinações missionárias.

Conta-se que o padre Ibiapina, auxiliado pelos moradores da Vila de Princeza - numa noite tenebrosa de muita chuva, relâmpagos e trovões - promoveu orações e o acendimento de várias velas em "catembas" de coco que boiavam sobre as águas revoltas do açude o que, segundo aquelas informações - como num milagre -, evitou o arrombamento da barragem. Vale salientar que em concomitância com as orações, muitos homens do lugar se "extazaram" de tanto trabalhar botando pedras e terra na parede do açude.

Já nos anos 1960/70, o "Ibiapina", também chamado de "Pichilinga" - quando ainda não era o repositório de grande parte dos esgotos da cidade -, serviu de divertimento para os jovens quando, aos domingos, para ali se dirigiam para tomar banho e se divertirem em sua praia. Além dessa serventia, era também naquele açude que as mulheres lavavam roupas em sua ilha formada por algumas grandes pedras. Mais recentemente, alguns jovens que brincavam em seu entorno, encontraram em suas margens, vários cartuchos de balas de fuzil com data de 1912 e 1918 o que prova haverem sido, aquelas munições, usadas na "Guerra de Princesa" em 1930.

Hoje, o Açude Ibiapina, coberto por plantas aquáticas próprias para a limpeza de esgotos, somado ao assoreamento natural, está quase morto pelo fato de ser o depósito da maioria dos esgotos da cidade, se constituindo em mais um patrimônio histórico que, em não podendo ser destruído, está sendo abandonado à própria sorte. Para piorar o cenário, estão colocando entulhos em suas margens, diminuindo sua bacia para negociarem terrenos do seu entorno. Há quem diga que com a anuência ou até em conluio com a secretaria de Infraestrutura.



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