Até hoje, o recordista de votos em concorrência ao governo do Estado na Paraíba é o ex-governador José Maranhão (1993-2021) quando obteve 82% dos votos válidos na eleição de 1998 concorrendo com o então deputado Gilvan Freire que somou apenas 18% dos sufrágios. Até o último domingo (4), o segundo lugar pertencia ao ex-governador Tarcísio Burity (1938-2003) que foi eleito, em 1986, recebendo das urnas 61% dos votos contra 39% dados ao então senador Marcondes Gadelha. Agora, esse lugar pertence ao governador reeleito, Lucas Ribeiro (PP), que foi sufragado por mais de 64% dos votos paraibanos.
Nessa comparação, a diferença é que Zé Maranhão concorreu, em 1998, quase como candidato único uma vez que Gilvan Freire apresentou-se como candidato somente para constar. Tarcísio Burity, em 1986, em que pese enfrentar a máquina administrativa do Estado, entrou na campanha com altíssima popularidade. Já Lucas, tido, desde o início, como azarão quando partiu em terceiro lugar pontuando meros 8% contra 13% do senador Efraim Filho (PL) e mais de 30% do ex-prefeito Cícero Lucena (MDB), fez-se viável, desbancou seus principais adversários e consagrou-se nas urnas como um dos maiores recordistas de votos na Paraíba.
Aqui acolá, as urnas se apresentam como verdadeiras caixas de surpresas. Basta ver a situação do Rio de Janeiro e de Pernambuco onde os prováveis eleitos, Eduardo Paes (PSD) e João Campos (PSB), respectivamente, se apresentavam como francos favoritos e foram derrotados no primeiro turno. Aqui na Paraíba não foi diferente. Animado com os números iniciais das pesquisas de intenção de votos, Cícero largou a prefeitura da capital e partiu como se fora imbatível; tanto, que nem vice queriam ser de Lucas. A campanha evoluiu, Cícero derreteu e chegou à reta final em terceiro lugar com uma votação pífia e vendo até seu filho, Mersinho Lucena (MDB), perder a vaga na Câmara Federal.
Reeleito, Lucas escreve uma nova página na história política da Paraíba. Jovem, o novo governador se apresenta como uma futurosa liderança no cenário político do Estado. Efraim Filho, que concorreu ocupando um espaço que estava vazio na Paraíba, a direita, se consolida como chefe da oposição no Estado. Já Cícero, haja vista a fragorosa derrota, somada à idade já avançada, deverá botar a viola no saco e começar a gozar merecida aposentadoria com muito mais tempo para percorrer as estradas de Compostela. “Urna locuta, causa finita est”.


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