ODE

sexta-feira, 4 de abril de 2025

Grupo situacionista da Paraíba já tem a chapa na manga

 

Fonte altamente credenciada nos meios políticos paraibanos me confidenciou que, após várias e exaustivas reuniões da cúpula situacionista da política, envolvendo o governador João Azevedo (PSB); o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP) e o prefeito da capital, Cícero Lucena (PP), para tratar da sucessão, já está decidido como se formarão as chapas majoritárias (governo e senado) para a disputa das eleições em 2026.

Em que pese ser ainda algo para consumo interno, as decisões já foram tomadas com a seguinte formação: Lucas Ribeiro (PP) para governador; João Azevedo e o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos) para o Senado. O candidato a vice-governador deverá ser uma indicação do prefeito Cícero. O deputado Adriano Galdino, após o prêmio de consolação com a filha, Allana, indicada para o TCE/PB, concorrerá a uma vaga para a Câmara Federal.

Do lado da oposição, tudo se encaminha para uma candidatura a governador encabeçada pelo senador Efraim Filho (União Brasil), tendo como seu vice, o ex-deputado, Pedro Cunha Lima. Para o Senado, os nomes cotados são o do atual senador, Veneziano Vital do Rego (MDB) e o do deputado federal, Romero Rodrigues (Republicanos). Numa disputa que, pelo visto, se vislumbra por demais apertada - quando a oposição detém a preferência nas grandes cidades - logrará êxito o grupo que reunir apoios da maioria dos prefeitos do interior



O "tarifaço" de Trump

 

Desde ontem (3), o mundo está em reboliço com a divulgação do "tarifaço" promovido pelo presidente dos Estados Unidos da América. Com a medida, quase todos os países do mundo foram castigados com tarifas impostas sobre produtos exportados para os EUA. Alguns mais, outros menos e, pouquíssimos, foram poupados pela sanha protecionista de Donald Trump. Algo inusitado num mundo onde durante os últimos anos tudo se fez para tornar o comércio livre e as fronteiras abertas para a circulação de mercadorias com o mínimo de taxações possíveis.

Como fim da Segunda Guerra Mundial, as inovações tecnológicas transformaram o mundo quando, no rescaldo daquele conflito, muitas novidades aconteceram promovendo o que chamaram de globalização quando abriram-se as porteiras e os vários países, sob a égide dos EUA, passaram a compartilhar as novidades produzidas pela nova ordem comercial. Embora de forma demorada, o que acontecia de bom nos EUA e na Europa na década de 1950, aqui chegou nos anos 60 e 70, a exemplo da camisa "volta ao mundo" e da sandália "japonesa". Tudo isso era um sucesso!

Com o intuito de fazer voltar a hegemonia americana no comando do consumo no mundo, Donald Trump, promove agora esse protecionismo com a intenção de fazer com que tudo volte a ser produzido em seu país. Para tanto, determina agora essa taxação tornando proibitiva a comercialização do que não tem o selo do Tio Sam. Esquece, o presidente americano, que, com o advento da internet, o comércio está em nossa mãos e que, o mundo, não é mais uma aldeia, pois, quem não puder negociar com eles [os americanos], tem opções várias num mundo onde tudo acontece de forma virtual. Com essa medida, ao invés de protagonistas, os EUA, poderão se tonar um detalhe.



quarta-feira, 2 de abril de 2025

Ministério Público notifica prefeitura de Princesa sobre cheques endossados

Resultado da “Carta Aberta”, divulgada por este blog, em dezembro de 2024, o Ministério Público do Estado da Paraíba, notificou a prefeitura de Princesa para que dê explicações sobre a emissão de cheques nominais a título de ajudas de custo para pessoas carentes e outros benefícios relacionados à Saúde e Assistência Social. A Notificação do MP se baseia na prática da exigência do endossamento dos cheques pelos beneficiários e sua devolução aos agentes da prefeitura quando, muitas dessas pessoas não receberam benefício algum.

Uma pergunta que não quer calar: Por que a concessão de benefícios com cheques, se esse benefício pode ser concedido através da entrega das cestas básicas, dos capacetes, dos botijões de gás, das carnes, etc.? Ou, por outra, por que não deixar que a pessoa agraciada desconte o cheque no banco ou, por que não fazer esse pagamento por via eletrônica? É isso que o MP quer saber e, o ex-prefeito, Ricardo Pereira do Nascimento, vai ter de explicar bem direitinho, inclusive, por que grande parte desses mimos são destinados a pessoas que são parentes de seus auxiliares diretos e de alguns vereadores.

O que agrava essa história toda é que, essa prática mais do que suspeita, vem sendo usada também na administração do novo prefeito, Ednaldo Melo Garrancho. Até os pacientes de hemodiálise recebem suas ajudas de custo através de cheques endossados. É um esquema institucionalizado de suposto desvio de recursos públicos, através de fraude travestida de ajudas de custos, benefícios esses que, no mais das vezes, não chegam ao bolso das pessoas, a exemplo do que aconteceu com aposentados e pensionistas que endossaram cheques no valor de R$ 750 e, até agora, nada receberam. De sorte que, agora, com a investigação do MP, essa prática possa vir a cessar e, a quadrilha, desbaratada.



Prefeito de São José presta contas de mandato anterior

Animado com a aprovação popular obtida das urnas nas eleições do ano passado, quando obteve 83% dos votos em sua reeleição, o prefeito Juliano Diniz, em entrevista à Rádio Princesa FM, relacionou seus feitos e anunciou mais obras e benefícios para o município nos próximos quatro anos. Inicialmente, Juliano anunciou a construção de mais um prédio para abrigar uma Unidade Básica de Saúde e obras de infraestrutura na Sede e nos Distritos e Comunidades Rurais daquele município. “Estamos continuando uma administração de bons resultados quando muitas coisas que foram implantadas estão agora trazendo seus resultados e vamos fazer muito mais”, disse o prefeito Juliano.



O bigode de doutor Archimedes

Nos idos da década de 1960, doutor Archimedes Souto Maior foi designado juiz da Comarca de Princesa. Era um homem alto, de fisionomia austera, bem vestido e portador de um vasto bigode que trazia suas pontas cuidadosamente retorcidas para cima. Aqui chegando, demonstrou logo ser detentor de grande autoridade.

À época, circulava pelas ruas de Princesa, uma “Moça Velha” (como eram chamadas, naquele tempo, as mulheres que já com a idade um pouco avançada não haviam se casado), de nome Ana e que tinha um apelido que detestava: “Pé-de-Banha”. Os rapazes, filhos das famílias nobres da cidade, tinham o costume de gritar – escondidos -, os apelidos das pessoas que não gostavam de assim serem chamadas. Ana era uma delas, que se via aturdida com as constantes provocações.

Certa tarde, o jovem “Pipita”, amparado numa esquina, ao ver passar a donzela solteirona, gritou: Ana “Pé-de-Banha!”. Esta, irritada com as corriqueiras chateações e sabedora da chegada do novo e autoritário juiz, resolveu procurá-lo para que providências fossem tomadas quanto a essa falta de respeito. Para tanto, se dirigiu ao hotel de “Dona Sinhá” – onde o juiz estava hospedado -, e relatou o fato de estar sempre sendo alvo da desfeita de ser apelidada pelas ruas da cidade.

Doutor Archimedes escutou seu relato e, ao final, disse, calmamente: “Dona Ana, tenha paciência, pois, eu cheguei a Princesa não faz nem um mês e já estão me chamando de ‘bigode de arame’”. Ana, impotente diante daquela sucumbência judicial, deu um tunco e uma rabissaca ao magistrado e saiu desbulhando impropérios contra aquele que deveria resolver seu problema e não o fez. A partir daí, passou a não ligar mais para o apelido.


 


terça-feira, 1 de abril de 2025

Padre Ibiapina, o novo Venerável do Brasil

Por Decreto, assinado pelo Papa Francisco, nessa segunda-feira (31), o padre José Antônio Maria Ibiapina, nascido na cidade cearense de Sobral, em 5 de agosto de 1806, foi tornado "Venerável" da Igreja Católica Apostólica Romana. Atuante na rebelião antilusitana de 1824; professor; delegado de polícia; juiz de direito; deputado federal e, somente aos 50 anos de idade, ordenado sacerdote e começou seu ministério optando por servir aos mais necessitados.

Ibiapina cumpriu missão evangelizadora no Nordeste brasileiro, mais especialmente nos estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte, onde construiu várias Casas de Caridade, organizou missões populares, construiu igrejas, capelas, hospitais e orfanatos. Agora, foi reconhecido como Venerável por sua existência exemplar, por ter vivido uma fé intensa, alimentada pela oração e pela Eucaristia e pela constante confiança em Deus. A assunção a essa condição é meio caminho andado para uma beatificação e a consequente canonização como Santo da Igreja Católica.

A figura do padre Ibiapina tem laços significativos com Princesa. Em dezembro de 1882, quando visitava a Casa de Caridade da cidade pernambucana de Triunfo, Ibiapina caiu gravemente doente e resolveu retornar para sua residência na Casa de Caridade Santa Fé (Solânea/PB). Já no início da viagem de volta, piorou seu estado de saúde e resolveu se arranchar em Princesa, exatamente na fazenda Cedro, do major José Alves, onde passou mais de um mês sendo cuidado por uma das freiras de sua congregação. Em meados de janeiro de 1883 resolveu seguir viagem, mas faleceu, logo que chegou a Santa Fé, em 19 de fevereiro daquele ano.



Em Brasília oposição pressiona Hugo Motta para votar PL da anistia

Nem bem começou seu mandato como Presidente da Câmara Federal, o deputado Hugo Motta já se vê emparedado pelos bolsonaristas, que o pressionam para pautar um Projeto de Lei concedendo anistia aos golpistas do 8 de janeiro de 2023, benefício que seria extensivo ao ex-presidente Jair Bolsonaro e sua turma, aqueles que são acusados de planejar um golpe de Estado. Na iminência de uma possível condenação de Bolsonaro pelo STF, seus partidários agem, preventivamente, visando livrar o chefe da cadeia.

Na verdade, o que os deputados da oposição reivindicam, no momento, é a votação da "urgência urgentíssima", para que esse PL seja pautado sem passar pelas diversas comissões da Câmara dos Deputados. Sob pressão, o presidente Hugo Motta, se vê numa sala justa quando não quer desagradar a nenhum dos dois lados: nem aos bolsonaristas, que nele votaram, nem ao presidente da República, tampouco ao STF.

Buscando uma saída lateral, Motta sugeriu a criação de uma Comissão Especial para tratar do assunto, mas os deputados do PL não aceitam isso. Mesmo querendo fazer ouvidos moucos aos da oposição, que exigem essa votação, Hugo dá ouvidos também à voz rouca das ruas que, de forma sonora, ignora essa pauta que não é prioridade no momento. Atos públicos foram realizados, por ambos os lados e, nenhum deles obteve o sucesso esperado numa demonstração de que, esse Projeto de Lei, não é pauta da população. Ademais, faz-se temerário, num ano que antecede as eleições, dar prioridade a algo que vai na contramão da vontade do povo. Somado a isso, há a clara determinação do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, que já avisou que não pautará essa matéria na Câmara Alta.

É certo que há divergências quanto à dosimetria das penas imputadas aos vândalos que depredaram as sedes dos Três Poderes da República - o que poderá ser revisto pelo STF -, porém, mais certo ainda é que não seria de bom alvitre anistiar esses depredadores simplesmente para livrar também, nesse pacote, os que tentaram abolir o Estado Democrático de Direito. Que sejam diminuídas as penas dos que serviram de massa de manobra e que sejam punidos, minimamente, os que tentaram acabar com a democracia. Hoje (19) haverá uma reunião do Colégio de Líderes da Câmara dos Deputados e, certamente, Hugo Motta, vai matar esse PL no nascedouro ou, por outra, inviabilizar o seu mandato que mal começou.



segunda-feira, 31 de março de 2025

A botija de dona Chiquinha

 

A velha era igual "Bombril" , tinha mil uma utilidades. Era rezadeira para achados e perdidos; para curar doenças, afastar o mal ou prever o futuro; fazia renda numa almofada de bilros; mestre na confecção de colchas de retalhos; exímia no tricô e crochê, costurava roupas e ainda achava tempo para falar da vida alheia e para dar pitacos em tudo o que acontecia em seu entorno. Ranzinza e mal-humorada, Francisca de Esperidião era uma viúva na faixa dos 70 anos, sempre vestida de preto numa indumentária com posta de blusa de mangas compridas e saia longa até os mocotós, realçava também um grande cocó grisalho enroscado para trás da cabeça. Branca, magérrima e de estatura mediana, a velha, andava corcunda quase ao ponto de arrastar seu longo nariz pelo chão. O protótipo de uma bruxa. Chamava-se Francisca, mas, desde cedo foi alcunhada de Chiquinha. Morava sozinha numa casa de poucos cômodos. Nada cozinhava, pois, dois sobrinhos seus, menores de idade, levavam-lhe a comida todos os dias. Passava o dia todo em seus afazeres entre bilros, linhas e carretéis, mas sempre encontrava tempo para dar conta de tudo o que acontecia na rua em que morava.

O mobiliário de sua casa era simples e despojado. Na sala de estar, quatro velhas cadeiras de gerdau e uma preguiçosa. No cômodo contíguo, que servia de copa e cozinha, além da máquina de costura - uma Mercswiss americana -, constava uma pequena mesa rodeada por quatro cadeiras com tampos de couro; um pote de barro contendo água para beber, encimado por um porta-canecos em madeira; um fogão de lenha; algumas panelas de barro, uma gamela de madeira e uma bateria repleta de velhas e amassadas peças de alumínio e estanho dependuradas. No seu quarto de dormir, uma rede e um grande baú aonde guardava suas roupas e demais panos de bunda, além de uma mesinha ocupada por alguns livros. Debaixo da rede, um penico. Nas paredes, nenhum quadro de santos, somente o retrato do falecido esposo, Esperidião. Na casa, que não tinha banheiro, a velha, que não usava calçola, fazia suas necessidades fisiológicas no quintal. Para mijar, bastava levantar a longa saia, abrir as pernas e pronto.

Pelos vizinhos era chamada de dona Chiquinha. Pelos que dela não gostavam recebia a alcunha de "Sá Chica" '. Sabia ler e escrever, pois, filha de homem de posses, estudou até o quarto ano primário no Grupo Escolar "Gama e Melo". Gostava de ler romances e falava bem, mas sua leitura preferida era o livro "São Cipriano, o Bruxo" e outros grimórios. Muito jovem, casou-se com um viúvo que dilapidou toda sua herança recebida do pai e ainda a deixou pobre quando morreu. Casada somente na Igreja, não teve direito à herança de Esperidião que lhe foi surrupiada pelos filhos do primeiro casamento do velho. Naquele tempo em que não havia aposentadoria para idosos desocupados, dona Chiquinha vivia dos bicos que fazia em sua máquina de costura, das rendas que fabricava em sua almofada e das gorjetas que recebia pelas rezas que fazia. Quando não cuidava de sua rotineira labuta achava-se debruçada numa das janelas da casa a observar o que se passava. Gostava de espiar as crianças brincando na rua e, quando uma delas sofria uma queda, ela corria, de dentro de casa, com um caneco d'água para "espaiar" o sangue da criança ao que as mães acorriam aflitas para impedir que o menino ou a menina bebessem o sobejo da velha. Sá Chica, sempre que saciava sua sede, entornava o que sobrava dentro do mesmo pote.

Anticlerical, dona Chiquinha, abominava padres, rezas convencionais e os ritos da Igreja - lugar aonde nunca ia. Mesmo assim, a velha era supersticiosa e cheia de crendices. Seus desafetos diziam que "Sá Chica" cuidava mesmo era de ganhar dinheiro explorando a fé alheia, uma hipócrita e oportunista. Além de rezadeira, ela fazia experiências com elementos das crendices populares. No dia 8 de dezembro - Dia de Nossa Senhora da Conceição - a velha fazia a experiência com as pedras de sal quando dispunha 7 torrões de sal, expostos ao sereno da madrugada, cada um representando um mês, para saber se o inverno seria bom. Os meses eram de dezembro a junho do ano seguinte, e os torrões que mais molhassem o chão seriam os meses de chuvas mais intensas. No dia 19 de março, dizia a velha: "Se hoje o sol nascer atrás de uma densa barra de nuvens, o ano será bom de inverno". Aos consulentes que nela acreditavam, dona Chiquinha distribuía garrafas de vidro contendo o que ela dizia ser cinzas da última fogueira de São João para serem aspergidas ao redor das casas o que, segundo a velha, protegia dos fortes ventos e das tempestades do inverno. Além dessa simpatia, recomendava a aposição de uma cruz, na porta da frente da casa, confeccionada com as palhas da folha de um coqueiro de primeira safra para proteger de maus olhados. Em suas previsões, ela dizia também que se a Lua Nova do mês de dezembro pendesse para o norte, o inverno seria ruim.

Bem de vida que foi um dia, dona Chiquinha só pensava em dinheiro. Era ávida em auferir vantagens financeiras em tudo o que fazia. Diziam, no cochicho, que a velha tinha um pacto com o diabo, que havia dado um pingo de sangue ao satanás. Quando falavam em religião na sua frente, ela dizia, de forma irritada: "Esse Deus ao qual vocês se referem e adoram é um ser criado pela imaginação dos oportunistas!" E acrescentava:

"Se esse tal Jesus voltasse à Terra, tenho certeza de que ele não passaria sequer na calçada da igreja Católica nem adentraria ao templo dos 'bodes'. Ou melhor, se entrasse em algum, seria munido do mesmo chicote com que surrou os fariseus e vendilhões do templo de Jerusalém". Dona Chiquinha detestava padres e freiras, a quem chamava de "sepulcros caiados". "Já viu um padre magro? São todos gordos porque se empanturram das mais finas iguarias proporcionadas pelas generosas esmolas doadas pelos pobres crentes", dizia. Sá Chica era assim. Não tinha papas na língua. Em seus comentários deletérios ela primava em ferir os que criam nas coisas da Igreja. Seu ódio incontido talvez se explicasse pelas injustiças sofridas na vida, principalmente pelo fato de haver sido deserdada do marido por ter contraído núpcias somente no religioso e, também, pelo fato de que, entre seus muitos enteados, constar um que era um próspero comerciante e cuidador das coisas da Igreja. Isso alimentava seu desejo de vingança.

Mística que era, dona Chiquinha agia em todas as frentes. Contumaz apostadora no "Jogo do Bicho" , aqui acolá dormia nua e amarrada para sonhar com o bicho que daria na roleta do dia seguinte. Certa noite, preparada nesse ritual ridículo, não sonhou com o bicho, mas teve uma quase visão - parecida com um sonho - que, pelo visto, a faria tirar o pé da lama. Nesse dia, acordou tarde, já eram quase 8 horas da manhã quando desceu da rede. Foi desperta por uma réstia que entrava por uma brecha de uma goteira na telha de seu quarto. A velha acordou atarantada e logo pôs as ideias em ordem lembrando-se do sonho que teve. Ainda sentada na rede começou a rememorar o que se passara durante o sono naquela noite. Enquanto roncava, num sono profundo, Sá Chica ouviu uma voz que lhe dizia: "Chiquinha, queres melhorar de vida? Tenho um presente para ti". E continuou a voz: "debaixo do pé de Pereiro grande, lá na lagoa das freiras tem uma pedra e, sob essa pedra, tem uma moeda. Cave embaixo da pedra e o que tiver lá é teu!" Lembrando dessas palavras, dona Chiquinha se arrepiava toda e lembrou ainda da recomendação final da misteriosa voz: "Não vás sozinha nem te acompanhes de pessoas ambiciosas e, quando retirares o que lá está, mandes rezar três missas pela alma do Major Feliciano e does 10% de tudo à Santa Madre Igreja" 

Dona Chiquinha animou-se e pensou: "Bati as paradas, vou ficar rica de novo e me vingarei daqueles que me prejudicaram!" A partir daí, passou a matutar o plano de como faria para arrancar a bendita botija. Com quem iria? Resolveu chamar um dos poucos a quem chamava de amigo: um velho mais ou menos de sua idade, a quem chamavam de "Pade Maia". Para ajudar na necessária escavação, convidou um negro que trabalhava de cabeceiro para o comerciante Miguel Rodrigues, chamado Cosmo que era mais conhecido por "Musa". '. Era um crioulo, à época ainda jovem, forte, espadaúdo e meio abestalhado. Feitas as diligências necessárias, a velha preparou-se para colher os frutos do sonho, mas antes pensou: "Vou enrolar esses dois bestas e não darei um tostão sequer à Igreja". Numa sexta-feira de manhã, Sá Chica, reunida com Pade Maia e Musa, partiu para a lagoa das freiras. Lá chegando, avistou logo o pé de Pereiro. Junto ao caule da árvore havia uma pedra. Logo, a velha, acocorada, levantou a pedra e, de fato, estava lá uma pataca. Nesse momento, começou uma grande ventania e, dona Chiquinha, ao invés de invocar o nome de Deus e pedir proteção, mandou o negro Musa cavar e Pade Maia tirar a terra. Logo encontraram uma caixa de madeira, retiraram-na e, quando abriram a caixa, qual não foi a surpresa; estava repleta de pedras de carvão! Do estado de ansiedade em que se achava, provocado pela perspectiva de enriquecer, de súbito, Sa Chica foi acometida de uma crise de apoplexia e, ali mesmo, acocorada como estava, esticou a canela.



A emenda saiu pior do que o soneto

 

O que repercutiu na imprensa paraibana, semana passada, foram as declarações do vice-governador, Lucas Ribeiro, sobre o "foguete" do senador Efraim Filho e a resposta deste ao ataque sofrido. Na briga pelo comando da provável federação entre os partidos: União Brasil e Progressistas, os dois jovens políticos se digladiam reivindicando a liderança dessa fusão. O problema é que, ambos, almejam uma candidatura ao governo do Estado e, com o estabelecimento da federação, somente um deles poderá ser ungido candidato.

Em face desse episódio, o senador Efraim Filho saiu fortalecido porque, agredido, veio em seu socorro a opinião pública, principalmente, quando Efraim sugeriu que seja feita uma pesquisa, entre ele e o vice governador, para aferir quem mais reúne na Paraíba e que, o vencedor, seja o comandante da federação. Lucas discordou da pesquisa e desmereceu o "foguete" de Efraim sugerindo que esse consagrado símbolo eleitoral do senador vai dar ré. Efraim não gostou e acusou Lucas da prática da velha política contida de ataques pessoais.

É saber de todos na Paraíba, que o lugar de destaque hoje ocupado por Efraim Filho, foi uma conquista proporcionada por muito trabalho e habilidade política. Ele costurou tudo, no mais das vezes à revelia da vontade de muitos figurões e deu certo quando derrotou, nas urnas, a candidata do governador João Azevedo e o ex-governador Ricardo Coutinho. Isso patenteia e dá crédito a Efraim para reivindicar uma postulação ao cargo maior do Estado. Enquanto o senador voa com asas próprias, o vice depende de acordos que estão ainda muito intrincados e, suas declarações, só fizeram crescer o prestígio de Efraim. A emenda saiu pior do que o soneto.



sábado, 29 de março de 2025

Grupo suprapartidário realiza terceiro encontro com vistas às eleições de 2026

Cumprindo uma agenda que já se faz constante, um grupo de políticos paraibanos com densidade eleitoral considerável, continua realizando encontros regionais quando analisam o quadro político da Paraíba e se preparam para a disputa de uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado nas eleições do próximo ano. O grupo, trabalha no ensejo de promover o fortalecimento do processo de articulação política. Na pauta da reunião, foram abordadas questões como alianças partidárias, análise do cenário político estadual e projeções para a disputa eleitoral.

Fazem parte dessa equipe, pesos pesados, tais como: o prefeito Cícero do Carmo de Alcantil; os suplentes de deputado estadual, Aledson Moura, André Gadelha, e Manoel Ludgério; os ex-prefeitos, Neto Nepomuceno, de Barra de Santa Rosa; André Gomes, de Boa Vista; Athaide, de Lastro; Cilinha Dias, de Riachão do Poço; Segundo Domiciano, de São José do Sabugi; Adriano Wolff, de São Sebastião do Umbuzeiro e Marcos Eron, de Monte Horebe. Estiveram presente também a primeira-dama de Catolé do Rocha, Geska Maia e do ex-vereador de Campina Grande, Janduy Ferreira. Desta vez, a reunião aconteceu na cidade de Patos.