ODE

sábado, 2 de maio de 2026

SABÁTICAS

. O Batalhão de Polícia de Princesa está de parabéns. A Segurança na nossa região é a melhor do Estado. Já a Saúde é considerada a pior da Paraíba.

. Falar nisso, no próximo dia 9 de maio – sábado que vem – acontecerá em Princesa uma Audiência Pública, promovida pela Assembleia Legislativa a pedido do deputado Aledson Moura, para tratar dos problemas da Saúde na região da Serra do Teixeira.

. Enquanto isso, me informam que tem gestor da nossa região comprando prédio no valor de R$ 500 mil. Os penduricalhos de prefeitura são pródigos demais.

. Na mesma Princesa, enquanto faltam médicos, exames e remédios, no Hospital Regional, os gestores municipais gastam mais de R$ 35 mil, por mês, somente com a compra de carne.

. No Congresso Nacional, se juntaram: Alexandre de Moraes, Flávio Bolsonaro e Davi Alcolumbre para derrotar Lula quando rejeitaram a indicação de Jorge Messias para o STF.

. Quando os interesses são os mesmos, inimigos se unem sem nenhum constrangimento.

. Em breve, o ex-deputado Nominando Diniz estará em Princesa cuidando das coisas que deixou endentes antes de 2002.

. Falar em Nominando, vale salientar que uma tradição partidária que tem quase um século, voltará a ter rédeas sem ódio e sem ressentimento.

. Os abraços de hoje vão para: Frei Joaquim, Célia de Ilo, Fábio Maximiano e Lourdinha Bode.



sexta-feira, 1 de maio de 2026

A república de Alcolumbre

A situação que vive o Brasil hoje é algo nunca visto. Governado por um partido de centro-esquerda, mas com um Congresso controlado pela extrema direita, as ações administrativas se veem emperradas quando movidas por caprichos que atendem a interesses escusos que exacerbam ainda mais a polarização em detrimento do interesse público. Na última quarta-feira (29), o nome do advogado Jorge Messias, indicado pelo presidente da República para preencher uma vaga no Supremo Tribunal Federal – STF, foi rejeitado pelo Senado Federal sem nenhum motivo plausível apenas para satisfazer ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que não concordou com a prerrogativa presidencial em indicar um nome à revelia de sua vontade.

Ontem (30), o mesmo Congresso derrubou o veto do presidente Lula ao Projeto Lei da “dosimetria”, anistiando os vândalos que depredaram as sedes dos Três Poderes da República em 8 de janeiro de 2023. O argumento dos da extrema direita é que, com isso, pacificariam o País. A anistia tem o condão de beneficiar aqueles que atentaram contra a democracia, principalmente o chefe maior, Jair Messias Bolsonaro, que articulou o golpe e está preso cumprindo pena domiciliar. Para a maioria dos nossos congressistas, esses criminosos são bandidos de estimação que devem sair da cadeia para continuarem atentando contra o Estado Democrático de direito?

A verdade é que vivemos um momento gravíssimo da nossa institucionalidade. Às vésperas de uma campanha eleitoral para a renovação do Congresso Nacional e para a escolha do presidente da República, não vemos nenhum dos pré-candidatos falar sobre projetos que beneficiem a nação brasileira. A pauta de quase todos é o ataque às instituições e a anistia a golpistas. Ninguém fala em Educação, Saúde, Segurança ou Economia. Querem de volta o poder para vingarem-se dos que os derrotaram em 2022. A gravidade se acentua quando se faz iminente o retorno do clã Bolsonaro, um agrupamento familiar que tem como meta a manutenção do poder como meio de vida. Urge que a consciência dos brasileiros aflore para adentrar às urnas com juízo e responsabilidade.



Deputado Aledson Moura denuncia descalabro na Casa de Apoio de Princesa

Corroborando denúncia veiculada por este Blog no início desta semana, o deputado Aledson Moura (PL), após receber telefonema de um acompanhante de paciente usuário da Casa de Apoio de Princesa em João Pessoa, usou a tribuna da Assembleia Legislativa para reclamar providências urgentes das autoridades princesenses quanto ao descalabro em que se encontra aquela casa de passagem que deveria servir a todos com conforto e respeito.

Em sua fala, o deputado confirmou todos os problemas aqui apontados: falta de alimentação para pacientes e acompanhantes; fossa estourada; portas em realengo por falta de fechaduras; colchões e camas deteriorados, enfim, um verdadeiro descalabro. Na esteira disso, o parlamentar realçou a grave situação da Saúde em Princesa quando, além não existir um atendimento a contento na cidade, quando transferidos para a capital do Estado, os pacientes são punidos com a falta de conforto e de respeito pelo poder público municipal.

Dessa situação, tiramos duas lições importantes. A primeira de que, a principal obrigação da prefeitura, que é a saúde das pessoas mais carentes – está sendo relegada a um completo descaso. Segundo, que a necessidade de uma voz na Assembleia Legislativa é por demais importante para reverberar esses graves problemas para que o Governo do Estado tome ciência da situação e retorne o Hospital de Princesa para o governo do Estado, evitando assim um sofrimento maior da população. De parabéns o deputado Aledson Moura por trazer à baila essa situação promovida pela insensibilidade dos gestores municipais.



quarta-feira, 29 de abril de 2026

Atendendo solicitação do deputado Aledson Moura AL/PB realiza Audiência Pública em Princesa

Por indicação do deputado Aledson Moura (PL), a Assembleia Legislativa da Paraíba aprovou Requerimento, por unanimidade, nesta terça-feira (28), para a realização de uma Audiência Pública que será realizada em Princesa, nas dependências da Câmara Municipal, no próximo dia 9 de maio. O tema principal dessa Audiência - que tratará da situação na área de Saúde na região da Serra do Teixeira – será a reestadualização do Hospital Regional de Princesa.

Na ocasião, deverão estar presentes prefeitos, vereadores, demais lideranças políticas e técnicos de todos os municípios que compõem a Serra do Teixeira para discutirem, conjuntamente, os problemas de Saúde na região. Essa reivindicação, que já se constitui uma bandeira do deputado Aledson Moura, deverá estar em pauta com o intuito de trazer as melhorias necessárias para a Saúde da única região geoadministrativa do Estado que não conta com assistência integral à Saúde.



Hoje São José de Princesa comemora seus 32 anos de Emancipação Política

Desligada de Princesa em 29 de abril de 1994, a cidade de São José de Princesa comemora hoje seus 32 anos de Emancipação Política. As comemorações serão marcadas por vários eventos. Hoje (29), haverá desfile das Escolas Municipais com banda marcial, hasteamento do Pavilhão Municipal, execução de hinos e discursos comemorativos em frente à Prefeitura Municipal. Amanhã, quinta-feira (30), acontecerá a festa social com a apresentação de bandas musicais em praça pública animada pelos artistas: Delmiro Barros e Michel Brocador.



terça-feira, 28 de abril de 2026

João Fernandes, o pintor

 

João Fernandes além de comerciante era também agricultor e funcionário público estadual. Funcionava como enfermeiro leigo do Hospital São Vicente de Paulo em Princesa. Ali, tinha todos como colegas e amigos. Porém, existia um dos colegas - que era também compadre -, chamado Antônio de Elza, por quem Fernandes tinha um apreço especial. É tanto que, sempre que Antônio marcava suas férias, João marcava as dele também, no mesmo período. Não sabia, Antônio de Elza, que sua mulher e João Fernandes, tinham um "cheirinho-de-queijo".

Certo dia, os dois de férias, Antônio comentou com João que iria aproveitar o período do ócio remunerado para pintar sua casa. João Fernandes de pronto se ofereceu para ajudá-lo. E Antônio, ingênuo coitado, aceitou de bom grado. Marcaram o dia da pintura e lá se foi Fernandes para a casa do compadre. Lá chegando, foi logo perguntando: "E ai, compadre, cadê as tintas?" Antônio, meio embasbacado, respondeu: "Oxente, compadre, eu tenho uma lata quase meia, mas... num é que eu me esqueci de comprar o resto?!" "Pois então cuide em comprar mais, homi", recomendou Fernandes. "Mas, aonde compadre?" Perguntou Antônio.

Esperto e mal-intencionado, João Fernandes orientou o compadre a ir comprar as tintas na loja mais distante que havia. Com essa recomendação, Antônio saiu para comprar o material. Enquanto isso, João correu pra cozinha e foi logo cheirando o cangote da comadre e chamando-a para o quarto. Encostaram a porta da frente, se deitaram e, quando estavam no bem bom, João ouviu o assovio do compadre (Antônio só andava assoviando). Levantou-se rápido, pegou o resto de tinta que havia numa lata, subiu na escada e começou a pintar a parede da sala da frente.

De repente, Antônio empurrou a porta e entrou. Quando olhou pra cima se surpreendeu com o compadre, nu e atrepado na escada. "Oxente compadre, que diabo é isso, você está nu?" Perguntou Antônio, surpreso. "Pois é, compadre, eu só tinha essa roupa limpa e, pra não sujar, resolvi tirá-la para poder pintar a parede" , justificou João Fernandes. "Mas compadre, e esse negócio duro al?" Questionou Antônio, ao que João respondeu sem titubear: "Oxente, compadre, e onde eu vou pendurar a lata?"



Desequilíbrios, às vezes, podem ser fatais

 

Numa Nação de cultura violenta como os Estados Unidos da América, onde existe uma verdadeira apologia às armas e a seu porte de forma indiscriminada, não há surpresa alguma em constatar que, ao longo da História, mais de 200 mil americanos já foram mortos, vítimas de assassinatos domésticos em atentados perpetrados em Escolas, Igrejas, Centros de Convenções, etc. Esse número supera a quantidade de mortos em muitas das guerras já ocorridas mundo afora. Sem esquecer que, no bojo dessa violência, são os EUA o país que mais promove guerras, será isso resultado da lei do retorno?

No último sábado, durante um jantar comemorativo à liberdade de imprensa - o que ocorre todos os anos - em que estavam presentes o presidente Donald Trump e quase todas as altas autoridades da República norte-americana, um atentado foi perpetrado quando um indivíduo adentrou ao recinto, furando o esquema de segurança, e atirou contra agentes de segurança que tentavam detê-lo. Os tiros não atingiram ninguém, mas obrigaram os seguranças a retirarem, às pressas, o presidente Trump e demais autoridades do recinto.

Foi esse o segundo atentado à vida de Trump, o que pode ser debitado às suas ações desequilibradas que vêm prejudicando a economia nacional, principalmente pela promoção da guerra desnecessária contra o Irã. Na história americana, quatro presidentes foram assassinados quando no exercício do mandato e outros três foram feridos em atentados. Essa longa história de violência na nação mais rica e mais poderosa do mundo é o resultado da arrogância do poder aliado à disseminação de armas nas mãos de quem quer que seja. Ou é isso o resultado do desequilíbrio de seus mandatários?



segunda-feira, 27 de abril de 2026

A triste situação da Casa de Apoio de Princesa em João Pessoa

 

Na atual administração pública de Princesa o desmantelo é generalizado. Não bastasse a precariedade no atendimento à Saúde e os atrasos salariais e aos fornecedores, o caos não é somente aqui, mas extensivo também à Casa de Apoio na capital do Estado. Conforme informações de um acompanhante de paciente que foi para lá em busca de tratamento, a coisa está mesmo desmantelada.

Segundo relato dessa pessoa (que tenho em áudio), a Casa de Apoio está completamente abandonada. Só para ilustrar algumas irregularidades: a alimentação dos pacientes e acompanhantes está suspensa por falta de mantimentos há mais de 20 dias por falta de pagamento ao fornecedor aqui em Princesa. A fechadura da porta de entrada está quebrada há meses e, sem conserto, a casa dorme no aberto. Os colchões das camas estão velhos, rotos e sem lençóis.

Para completar, a fossa que recebe os dejetos daquela casa estourou e a fedentina torna impeditiva a permanência de pessoas no interior do imóvel. Além de todas essas irregularidades, os pacientes reclamam da ausência do administrador. Em face de tudo isso, urge que o secretário de Saúde tome providências e que os vereadores chamem o feito à ordem. Na verdade, nem se pode botar culpa no prefeito, pois, este esteve lá, semana passada, mas, sequer desceu do carro. Enquanto aqui, a prosperidade dos chefes segue sem alteração. Deus continua os abençoando? O tempo dirá.



sábado, 25 de abril de 2026

SABÁTICAS

. Ministro Gilmar Mendes, do STF, diz que as críticas desferidas pelo ex-governador de Minas, Romeu Zema - através de animações jocosas - a ele próprio e aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, “vilipendiam a honra da Suprema Corte”. Não há aí uma inversão de valores?

. A verdade é que, o Supremo, acuado, se faz de intocável e usa instrumentos institucionais em defesa de ministros acusados de supostas falcatruas junto ao Banco Master.

. Pertencentes a uma casta superior, privilegiada, os ministros do STF se consideram intocáveis e não aceitam ser criticados pelos erros que cometem. De olho nisso, o Senado Federal já se movimenta para uma tomada de providências.

. Com a cabeça no lugar, a ministra Cármen Lúcia afirmou: “Poder que não tolera críticas é um poder frágil.” Fogo amigo?

. Exemplo disso é o pronunciamento daquela desembargadora dissimulada do estado do Pará que, mesmo recebendo quase R$ 100 mil por mês, se diz sem condições sequer de comprar remédio. Deveria comprar óleo para untar sua cara de pau.

. Segmentos da política dos EUA já questionam sobre a sanidade mental do presidente Donald Trump. Para metade dos afiliados ao Partido Republicano, Trump está desequilibrado.

. Enquanto isso, Lula (PT) provoca o galego para que ele continue apoiando a turma do Bolsonaro. Segundo analistas políticos, o apoio de Trump é tóxico. Neste ano eleitoral, isso interessa ao PT.

. Falar nisso, pesquisa recente atesta que apenas 36% dos americanos apoiam o governo Trump; enquanto 62% desaprovam. Tudo isso depois do tarifaço, das guerras, das críticas ao papa e outras cositas mais.

. No Brasil, o pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), em discurso no Rio de Janeiro, disse com a maior cara de pau: “Vamos acabar com o crime organizado!” Risível...

. Na Paraíba, Cícero Lucena (MDB) continua liderando as pesquisas eleitorais. Porém, sem a caneta, já apresenta ligeira queda em relação aos demais pré-candidatos. E não está nem na metade da ladeira...

. Falar em Paraíba, o único, dos pré-candidatos ao Senado, que cresce nas pesquisas é André Gadelha (MDB).

. A assunção do doutor Aledson Moura (PL) ao cargo de deputado estadual prova que Princesa estava mesmo precisando de um representante. Em menos de um mês, Aledson já apresentou várias proposituras em prol da Saúde e outros temas relevantes.

. É notória a aprovação do novo deputado pela população princesense, principalmente por aqueles que nunca experimentaram ter um representante da terra lá na Casa de Epitácio Pessoa. É torcida geral que Aledson fique lá até o fim do mandato.

. Já em Princesa, sem leme, a administração pública municipal degringola a olhos vistos: atrasos salariais; falta de médicos e de medicamentos; Hospital sem funcionar a contento, inadimplência com fornecedores e, até o repasse do duodécimo da Câmara Municipal, em atraso de quase dois meses.

. Falar nisso, um vereador da base governista me confidenciou que, os assessores parlamentares da Câmara Municipal de Princesa, estão sem receber seus salários há dois meses. O repasse da Prefeitura para a Câmara Municipal é de R$ 380 mil, mensais.

. Não bastasse isso, a Casa de Apoio em João Pessoa está praticamente abandonada. Tenho em mãos vídeos da situação daquela Casa. Na próxima semana, farei matéria mais completa sobre o assunto.

. Um amigo chegado do prefeito de fato (Garrancho) me disse que teve uma conversa com ele o aconselhando a tomar conta da administração. Com o intuito de alertá-lo, o amigo disse que quase o chamava de “Viúva Porcina”, aquela que foi sem nunca ter sido.

. Os próceres da política de Princesa fazem louvores ao funcionamento da Saúde e da Educação municipais, mas todos têm Planos de Saúde e, seus filhos, estudam em Lagoa da Cruz.

. Aqui, uma pérola do Cardeal Mazzarino: “Desconfia dos homens de baixa estatura: eles são teimosos e arrogantes”.

. O empresário princesense, Rinaldo Medeiros, participou de evento sobre Educação em São Paulo nos dias 22 e 24 deste mês. É o empreendedorismo focado nas coisas da Cultura.

. O Açude Macapá tá tão baixo que, logo, logo, a serpente vai aparecer.

. Os abraços de hoje vão para: Ielson Lacerda, Marta Sitônio, Belezau, Neuma de seu Inácio, Tiago de Terto, Cristina Lopes, Pedro Abrantes, Coimbra Maia, Corrinha Florêncio, Manoel Saravá, Lete de Pancha, Cleonice de Rosendo, Odon Teixeira, Marta Alves, Tico de Mané do Ó, Soraya Barros, Iná Duarte, doutora Kelly Antas, Paulo Florentino, doutor Adão, Cleide de Manezim, Chico de Nadir, Bosco de Severino Almeida, Tereza Carneiro, Paulo da Cêra, Ana de Dão, Nélson Tico e doutor Osvaldo Travassos.



sexta-feira, 24 de abril de 2026

Dia da Derrama

Era o comecinho da década de 1970. Estudávamos no Ginásio Nossa Senhora do Bom Conselho; ali cursávamos a segunda fase do ensino fundamental a que chamavam, naquele tempo, de curso ginasial. A Escola - fundada em 1949 pelo então deputado estadual, Antônio Nominando Diniz - era semi-pública e a única em Princesa que recebia rapazes e moças, tudo misturado. Seus professores eram pagos pelo governo do Estado, - mas nós, alunos, contribuíamos com uma pequena mensalidade que bancava os demais custos para a manutenção do estabelecimento. O diretor era o professor Genésio Florentino Lima e ali estudavam ricos, pobres e remediados. A cobrança da mensalidade era feita, invariavelmente, todo final de mês.

No dia do recolhimento da mensalidade, Genésio Lima comparecia, sempre acompanhado de sua inseparável esposa, dona Inês Diniz, para o recebimento do dinheiro em espécie. A mensalidade não era avultada, mesmo assim, proibitiva para alguns dos alunos filhos de pais detentores de poucas posses, o que era o meu caso e de meu irmão. Digamos que, a preço de hoje, fosse algo em torno de R$ 50, mas para quem era pobre, isso significava muito dinheiro.

Metódico que era, Genésio obedecia a uma rotina imutável: chegava à Escola, percorria as classes, uma por uma, fazia o chamamento nominal de cada aluno e arrecadava o dinheiro quando cada um ia ao birô e entregava a quantia estipulada. No mais das vezes, ao ser chamado, eu dizia, quase num murmúrio: "a minha mãe acerta com dona Maria Aurora". Genésio fazia cara feia, mas aguentava. Minha mãe, dona Osana, era "boca-preta" (epíteto dos eleitores dos Nominando) roxa, funcionária do Hospital "São Vicente" e amicíssima de dona Maria Aurora (cunhada de Genésio e chefe do Partido). Os ricos, pagavam e ainda recebiam troco. Os remediados, juntavam uns couros de rato, mas pagavam e, os mais pobres, às vezes, deixavam fiado.

Certo mês, o dia da arrecadação da mensalidade coincidiu com uma aula de História do Brasil, ministrada pela professora Eli Correia, que versou sobre a Conjuração Mineira - aquela parte da nossa História que trata do movimento separatista promovido em Minas Gerais, a que chamamos de Inconfidência Mineira, que culminou com o enforcamento de Tiradentes. Na aula, dona Eli explicava que a conspiração se dera pela insatisfação dos mineiros quanto à extorsiva cobrança de impostos sobre os minérios extraídos das jazidas daquela província, e que, de forma pejorativa os mineiros se referiam ao dia da cobrança como o "Dia da Derrama" 

Nesse mesmo dia, "seu" Genésio e dona Inês compareceram para cumprir seu mister arrecadatório. A nossa classe era a primeira de quem entra pelo corredor dos combogós; e o diretor costumava começar a cobrança pela última sala - que ficava no final do corredor -, voltando até a primeira. Sabedor da presença de "seu" Genésio, na Escola, para a cobrança das mensalidades, João de Carlota, vindo das bandas da diretoria, informou em tom de brincadeira: "hoje é o dia da Derrama!". Estávamos todos sentados no banco inteiriço que existia em frentes às salas de aula.

Ouvindo de João, essa graça, imediatamente, veio-me à cabeça, pregar uma peça no diretor. Combinei com alguns colegas - aqueles mais rebeldes e corajosos - para que, quando "seu" Genésio passasse, déssemos uma vaia nele. Dei a senha: eu faria "Ú", e os demais me acompanhariam. Assim foi feito e quando o diretor passou, ao lado de sua esposa, desfechamos sonora e ensurdecedora vaia. Impassível, o casal seguiu caminho sem sequer olhar para trás. Continuamos na nossa algazarra de jovens como se nada tivéssemos feito de errado. De repente, lá vinha o diretor em direção à nossa classe. Entramos todos e, em silêncio sepulcral, aguardamos a rebordosa.

O casal adentrou à sala, chegou ao birô dos professores e Genésio foi logo dizendo: "De quem foi a iniciativa da vaia que há pouco destinaram a mim e a Inês?" Diante do silêncio total, o diretor repetiu: "Quem iniciou a vaia?" Nada. "Pois bem", disse o diretor: "Se não querem se acusar nem indicar o culpado, suspenderei toda a classe por trinta dias". De repente, Maria Helena de Nira, que era afilhada do casal, levantou-se de sua carteira, dirigiu-se ao birô e disse: "Bênção padrinho Genésio, bênção madrinha inês". Abençoada pelos dois, que ficaram com ar de interrogação, Maria Helena disparou: "A ideia da vaia foi dele!" Disse, a calabar, apontando para mim. Imediatamente, as irmãs, Beta e Edileusa de Chico Antas, se puseram de pé e disseram, cada uma de uma vez: "Fui eu! Fui eu!" Acompanharam-nas nessa corajosa tomada de culpa: João Aurélio, Pacú Teodósio, João de Carlota, Aldo Lopes e mais alguns que não lembro. Diante disso, o diretor Genésio invectivou: "Moleques, estão todos suspensos por oito dias!"

Depois da sentença, não satisfeito com a punição, o diretor fez questão de prelecionar sobre cada um dos seus algozes preferidos. Começou por mim, dizendo: "Muito bonito pra sua cara; sua mãe, coitada, trabalhando diuturnamente no hospital para lhe sustentar, pagando as mensalidades em atraso e você agradece desse jeito?". Virou-se para João Aurélio e disse: "Seu pai, um homem de bem, vendendo seus picolés para lhe dar educação e é assim que você retribui?". Quanto a João de Carlota, disparou: "E você! Tão grande e não tem pena de sua mãe, de porta-em-porta, vendendo Avon para custear seus estudos e você fazendo molecagem?". Por fim, virou-se para Aldo Lopes: "A professora Mãezinha, subindo e descendo serras, dando aulas lá em Manaira com o intuito de lhe educar e você acompanhando esses malfeitos!". Estão todos suspensos!

Estranhamente, a raiva do diretor abateu-se apenas sobre os pobres coitados, pois, Pacú de Antônio Teodósio - representante do Fumo Dubom, portanto, rico comerciante - e Beta e Edileusa, filhas do comerciante Chico Antas, ex-prefeito de Manaira e dono da padaria mais chique da cidade, não tiveram punição alguma. O único lucro que tivemos foi que, nesse dia, não pagarmos a mensalidade. A régua de Genésio Lima media corretamente. Na verdade, a punição não foi somente pela vaia - que foi a gota d'água - mas também pelo acumulado das muitas estripulias que éramos acostumados a promover na Escola. Nesse dia, a inconfidência da colega derramou sobre nós o ódio do diretor. Mesmo sem pagarmos a mensalidade, ainda assim, foi o Dia da Derrama.