ODE

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Prefeito Coco participa de entrega de kits escolares

 

Numa tácita demonstração de compromisso e valorização da Educação Municipal, o prefeito de Tavares, José Genildo da Silva, mais conhecido por Coco de Odálio, participou, nesta semana, da entrega dos kits de material escolar para o alunado da Rede Pública Municipal de Ensino. A entrega do material ocorreu na Escolas Reunidas Padre Tavares Arcoverde e nas Escolas dos Distritos e Povoados de Tavares num clima de muita festa e satisfação por parte das crianças, pais e professores: "É gratificante ver a felicidade das nossas crianças e saber que estamos contribuindo para um melhor aprendizado", afirmou o prefeito. Nesse evento, ao lado do prefeito, estiveram: a vice-prefeita Lenira Almeida, a Secretária de Educação, Eurides Medeiros, o Chefe de Gabinete Umberto Ribeiro e a vereadora Graça do Silvestre.



Ex-prefeito de Princesa concede entrevista polêmica na Rádio Princesa FM

 

Ninguém sabe se na "vera" ou encenação. O fato é que, em entrevista concedida ao Programa "Poder e Notícia" , no ultimo sábado (7), o ex-alcaide Ricardo Pereira do Nascimento se excedeu em chiliques nervosos quando disparou sua metralhadora descompondo todo mundo do meio político o que provocou a reação do jornalista Júnior Duarte que o admoestou sobre sua arrogância: "Você não é dono de Princesa" . Em disparada verbal, Nascimento, esquecendo de falar sobre os problemas administrativos e criminais de seu longo mandato, aproveitou para soltar farpas contra seus adversários.

São muitas as falcatruas que envolvem o ex-prefeito e, as mais recentes, que tratam das investigações dos cheques endossados e sacados na boca do caixa dos bancos, sobre isso, ele sequer triscou no assunto. Como que para encobrir suas estripulias, Nascimento usa o ataque como defesa. Não bastasse isso, ele acha que, prosperidade com dinheiro público é mérito. Pois sim, pavoneia-se com carrões, roupas de marca e balangandãs dependurados pelo corpo como se o povo não soubesse que sua renda é incompatível com essas demonstrações exteriores de riqueza.

Complicado para a população de Princesa é saber que, até agora, nem as urnas, tampouco a Justiça, têm sido pródigas em promover ações que alcancem esse descaramento financeiro do ex-alcaide e de seus aliados mais próximos. Nunca se viu, em Princesa, tanta prosperidade financeira sem origem justificável. E, o mais grave, é que nem respeito eles têm aos que bancam essa orgia financeira quando fazem questão de ostentá-la despudoradamente. A prefeitura de Princesa é a única cidade no Brasil que ainda opera com cheques e é aí que reside o segredo de tanta prosperidade ilícita. Verdade ou farsa, o fato é que Júnior Duarte criou coragem engrossou pescoço e enfrentou o despudorado.



A Tragédia de Piancó

Há exatos 100 anos, no dia 9 de fevereiro de 1926, aconteceu, na então Vila de Santo Antônio de Piancó, o trucidamento do padre Aristides pela Coluna Prestes. Em homenagem a esse evento histórico, discorremos sobre esse sacerdote polêmico que contribuiu com a História recente da Paraíba.

Aristides Ferreira da Cruz é uma das figuras mais emblemáticas da história recente da Paraíba. Polêmico, foi protagonista de um dos episódios mais violentos e cruéis ocorridos em nosso Estado no século passado, o que culminou com sua morte. Em suas atividades político-religiosas, com seu temperamento tumultuado e forte, enfrentou os poderosos da política do município de Piancó e da alta cúpula da Igreja Católica paraibana. Galgou o posto de chefe político daquela Vila sertaneja e, pelas atividades não condizentes com os interesses da Santa Madre Igreja, foi suspenso de ordens pela autoridade eclesiástica do Estado. Malgrado sua importância na história do nosso Estado, Padre Aristides vem, ao longo do tempo, sendo relegado ao esquecimento. São muitos os que não conhecem essa fascinante trajetória, o que está inserido num dos momentos mais turbulentos da História da Paraíba.

O padre Aristides Ferreira da Cruz, nasceu em 18 de junho de 1872 na fazenda Lagoa, pertencente à então Vila de Pombal/PB. Era filho de Jorge Ferreira da Cruz e de dona Joana Ferreira Chaves. Ainda criança, transferiu-se do lugar onde nasceu e foi morar na Zona Rural da Vila de Catolé do Rocha. Ali, estudou as primeiras letras com o professor particular, Antônio Gomes de Arruda Barreto. Findos os estudos fundamentais, foi mandado pelo pai para estudar no Seminário do Crato/CE. Aberto um Seminário na capital da Parahyba, para lá se transferiu onde terminou seus estudos de humanidades, filosofia e teologia e foi ordenado padre em 1º de novembro de 1901, na capital paraibana. Feito sacerdote, foi designado para ser vigário da freguesia de Caraúbas, no Rio Grande do Norte. Pouco tempo depois, se tornou auxiliar do bispo diocesano de Parahyba (atual João Pessoa), Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques.

Aristides, que no início dos estudos se apresentara um aluno medíocre, péssimo no aprendizado da língua vernácula e pior ainda no do necessário latim; mais tarde, porém, mostrou-se com alguma aptidão para filosofia, lógica, latim e, surpreendentemente, para línguas estrangeiras. Rápido no aprender do idioma francês, mesmo antes de ser ordenado padre, assumiu, no Seminário aonde ainda estudava, a cadeira de mestre naquela disciplina. Professor de francês, o quase padre, teve como seus alunos: José Pereira Lima (futuro coronel e chefe político de Princesa); José Américo de Almeida; Irineu Jóffily; Heretiano Zenaide; Severino Montenegro; Inocêncio Justino da Nóbrega, dentre outros que se destacaram mais tarde na política paraibana.

No início do ano de 1902, por ocasião de uma visita pastoral do bispo dom Adauto à velha Vila de Santo Antônio de Piancó - quando se fez acompanhar de seu auxiliar, padre Aristides -, atendendo apelos do vigário daquele lugar, padre Abdon Melibeu Lima, que pedia transferência dali por motivos de saúde precária, o prelado paraibano aceitou o pedido de exoneração do padre Abdon e, imediatamente, nomeou Aristides para substituí-lo como vigário daquela paróquia. Sem pensar duas vezes, o jovem sacerdote aceitou a nova incumbência. Nomeado vigário de Piancó, logo se fez ávido em assumir a paróquia, o que aconteceria no dia 25 de agosto daquele ano de 1902. A posse do novo pároco foi realizada com grande festa e logo, o novo gestor paroquial, pôs-se a cuidar de sua nova responsabilidade eclesial. Terminou a obra de construção da Igreja Matriz, reformou e construiu novas capelas nos Povoados e Distritos da velha Vila de Piancó, dotou a Igreja Matriz de novas alfaias, criou novas associações religiosas e reorganizou tudo na paróquia que acabara de assumir.

Feito vigário do lugar, o padre Aristides logo conquistou a simpatia do povo humilde daquela remota Vila sertaneja, e caiu também nas graças do chefe político de Piancó, o médico e deputado federal, doutor Felizardo Toscano Leite Ferreira - este, chefe de um clã que governava aquele termo com influência absoluta há mais de duzentos anos. Os “Leite” tinham preponderância política não somente restrita a Piancó e adjacências, mas também no âmbito do Estado e na então capital federal, o Rio de Janeiro. Nas palavras do padre Manoel Otaviano: “Não havia um voto contra ele em Piancó. Nos grandes prélios eleitorais, os chefes do Partido já sabiam que, em Piancó, a votação seria unânime”. Tudo na Vila passava pelas mãos e pelas ordens do doutor Felizardo. Ninguém discutia suas determinações. Mesmo vivendo no Rio de Janeiro, onde exercia o cargo de deputado federal, seus representantes locais reverberavam sua vontade de forma inquestionável.

Esse poder, aliado a um mandonismo absolutista foi, aos poucos, causando incômodo ao novo vigário. Mesmo assim, Aristides continuava aliado do coronel Felizardo Leite. No entanto, homem de têmpera, não se submeteu completamente. Sempre crítico sobre algumas decisões do chefe político, começou a discordar de algumas orientações, o que se apresentou bastante para o começo da liça. Pondo à vista comportamento mais ou menos independente das orientações vindas do Rio de Janeiro, o padre passou a fazer, em suas prédicas dominicais, algumas observações desafiadoras ao poder vigente na Vila de Piancó. Esse tipo de ação não agradou aos áulicos de Felizardo que passaram a comunicar-lhe, através de cartas, sobre o comportamento rebelde do padre. Comentários desabonadores começaram a ser divulgados dando conta de que o chefe político não estava satisfeito com as atitudes do sacerdote, o que foi o bastante para que Aristides, contrariado por esses comentários, passasse a expor suas opiniões publicamente e com maior vigor.

Sem temer o tamanho do inimigo que iria enfrentar, o padre engrossou o pescoço e não quis mais ser liderado. Seria ele próprio o líder! A partir de então, arregaçou as mangas e passou a atacar, abertamente, o doutor Felizardo Leite. Segundo o autor do livro: ”A Coluna Prestes na Paraíba”, Manuel Otaviano, p.p. 63/64, sobre o padre Aristides:

Corajoso, decidido, lançou-se ao campo da luta e desenvolveu sua propaganda contra a família Leite, nos povoados, nos Distritos, nas fazendas, nos jornais, na tribuna popular, em qualquer parte, como quem estava disposto a sacrificar a própria vida. Todas as armas, desde a verdade até a calúnia, eram boas para jogar contra os seus grandes inimigos. Gritava na praça pública que era preciso acabar, em Piancó, com a escravização política, com o regime do quero, posso e mando.

Em pouco tempo, o padre Aristides congregou elementos simpáticos à sua causa e, logo, obteve o apoio de próceres da política estadual, desafetos dos “Leite”, a exemplo dos senhores Epitácio Pessoa e Venâncio Neiva, o primeiro, a quem haveria de servir quando contribuiria fortemente para sua vitória eleitoral para o Senado em 1915. Corria o ano de 1913 e o coronel Felizardo Leite resolveu fazer uma visita a Piancó. Em sua vinda do Rio de Janeiro, fez parada na capital paraibana e, num encontro marcado com o bispo Dom Adauto, aproveitou para apresentar ao prelado um dossiê com várias acusações contra o vigário de Piancó, algumas de ordem moral.

Dizia-se, aos cochichos, que o padre Aristides mantinha em casa uma sobrinha sua, com a qual mantinha concubinato. Além disso, era voz corrente que o padre tinha uma amante no Distrito de Água Branca. Era uma moça de nome Maria José, a quem chamavam de “Quita”, que o sacerdote havia convidado para cantar no coro da Igreja e, diziam as más línguas, que com ela, o cura mantinha um relacionamento sexual. Tudo isso constava do dossiê entregue ao bispo pelo coronel piancoense. Diante dessas fortes acusações sobre sua vida privada e, dada à influência de Felizardo Leite, a autoridade diocesana acatou a denúncia e exonerou, sumariamente, o padre Aristides, da chefia da paróquia da Vila de Piancó. Para seu lugar nomeou o padre Elizeu Duarte Diniz que era de Triunfo/PE e muito amigo do coronel Zé Pereira de Princesa. Elizeu passou poucos dias à frente daquela freguesia, sendo logo substituído pelo padre Manuel Otaviano que ficou no comando da paróquia até a derrocada do padre Aristides. Irado com a punição recebida, Aristides revoltou-se contra o bispo da Parahyba, dizendo: “Vou ensinar dom Adauto a ser bispo”.

Saído da capital da Parahyba, o deputado Felizardo Leite, dirigiu-se à sua terra, Piancó. Ali chegando, convocou o padre Aristides para uma conversa. Chegando à casa do coronel, o sacerdote pensou que teriam uma conversa amigável. Qual não foi sua surpresa quando o doutor Felizardo o admoestou severamente quanto às posições que havia adotado na sua ausência, chamando o feito à ordem, e comunicando que a partir dali, não mais toleraria sua insubmissão ou qualquer dissidência. Surpreso com a atitude do chefe político, o padre Aristides não arrefeceu e desafiou o coronel dizendo que, a partir dali, em que pese serem compadres, Felizardo Leite o teria agora como inimigo e que tudo faria para destruir o mandonismo da família Leite na Vila de Piancó. O tempo fechou. O padre pegou seu chapéu e retirou-se da casa do deputado e, exercitando seu latim, no terreiro da casa, virou-se e soltou o seguinte veredicto: “Alea jacta est!” (A sorte está lançada!) e partiu em seu desiderato de combater, sem tréguas, seu ex-correligionário.

Com esse rompimento formal, o doutor Felizardo Leite voltou ao Palácio do Bispo e exigiu do prelado uma punição mais grave contra o pároco rebelde, no que foi prontamente atendido por dom Adauto. Em carta-aberta, para ser lida na Igreja Matriz e em todas as capelas da freguesia de Piancó, o bispo de Parahyba determinou a suspensão de ordens do padre Aristides Ferreira da Cruz. Com isso, estaria ele [o padre] proibido de celebrar missas, ministrar casamentos e batizados, ouvir confissões ou realizar quaisquer ofícios religiosos. Malgrado essa determinação episcopal, em descumprimento dessa ordem, Aristides continuou recebendo confissões e celebrando missas e sacramentos a seu bel prazer. E mais, mandou buscar “Quita”, a jovem água-branquense, para morar consigo e com ele viver maritalmente em sua casa, na Vila de Piancó. Para completar a desobediência e o escândalo, desse relacionamento, nasceram quatro filhos: Jorge; Sebastião; Aristides Filho e Joanita

Essa decisão causou uma verdadeira zaragata, o que o padre justificou dizendo: “Agora não é mais calúnia, agora é verdade a maldade que me imputaram e que agora me obrigam a fazer”. Reuniu alguns amigos e correligionários em sua casa e proferiu esse curto discurso: “O bispo errou e me fez errar. Já que estou sendo punido por uma coisa que não fiz, vou arranjar um motivo real para a punição”. Era assim Aristides, impetuoso, desafiador e destemido. Em Praça Pública, o padre Aristides deu satisfação dos seus atos àqueles que o acompanhavam. Do livro do padre Manuel Otaviano, p.p. 88:

Não se admirem dessa loucura. Dessa queda de costas que me fez rolar até a lama. Vocês me conhecem e sabem que não sou homem para apanhar calado. Nem se mirem em meu exemplo. Sou o primeiro a reconhecer o meu erro. A Igreja não tem culpa dele. É ela uma instituição suprema que paira acima dos erros de seus delegados. Ninguém perca a sua fé porque errei. Também não lhes dou o direito de falar ou dizer mal de meu superior. Só eu posso falar, porque só eu fui o ferido. Não confundam religião com política, nessa desgraçada campanha que poderá nos desgraçar também. Fui, por muitos anos, vigário desta terra e vocês todos conhecem o quanto de sacrifício despendi em bem da religião que me fez sacerdote. Tanto suor derramado!!!... Deus sabe das minhas intenções, quando pisei Piancó, como seu vigário. Sejam bons e peçam a Deus que eu não seja sempre mau. Mas Ele não me tire a vida, antes que eu tape a boca do último Leite, em Piancó”.

A partir daí travou-se a maior luta entre o padre, o deputado Felizardo Leite e o bispo dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques. Após a vitória do partido comandado por Epitácio Pessoa, em 1915, a orientação partidária na Parahyba mudou de mãos e, com a eleição do doutor Camilo de Hollanda para a presidência do Estado, em 1916, o poder político em Piancó passou a ser comandado pelo padre Aristides. Com isso, a briga recrudesceu mais forte, agora, em perseguição ferrenha aos partidários do médico Felizardo Leite. Novamente nas palavras de Manuel Otaviano, idem p.p. 77/78:

Padre Aristides desfechou, impiedosamente, a clava das perseguições contra os seus adversários. Respirava-se, no rincão sertanejo, uma atmosfera de terror. Impressionado com a ideia de que os Leites (sic) tomariam vinganças pessoais, tomava medidas absurdas, mandando cercar casas e propriedades dos adversários, chamando-os, quase todos os dias, à delegacia, exigindo declarações de fatos que nunca se deram. Um verdadeiro pandemônio. As autoridades, por intermédio dele nomeadas, nos Distritos, eram, geralmente, indivíduos de má catadura com ordens terminantes de não tolerarem uma só palavra contra ele e seus amigos. Bastava uma história mal contada, uma pequena censura à suas ordens, o pobre diabo teria que curtir cadeia pelo tempo que ele quisesse. (...) A polícia, o fisco, a justiça, tudo em suas mãos.

Em 1916, o padre Aristides foi eleito deputado estadual. Na tribuna da Assembleia Legislativa encontrou mais um foro para atacar seus adversários. Ali, proferia discursos violentos e desabonadores sobre a conduta dos “Leite”. Atacava-os política e pessoalmente. De verve fácil, o padre não media palavras incluindo em suas falas termos chulos e palavras chãs. Seus embates não se restringiam apenas aos adversários diretos, mas, também, aos que os defendiam. Usando linguagem popular, alcançava o povo e recebia aplausos das galerias daquela Casa Legislativa. Em que pese ser correligionário do também deputado, o coronel José Pereira, de Princesa, este não lhe devotava muito apreço.

Em 1918, quando o deputado de Princesa apresentou uma propositura autorizando o desmembramento do Distrito de Água Branca, que pertencia a Piancó, para passar a fazer parte da Vila de Princêza, com argumentos plausíveis, o padre Aristides virou uma fera em defesa da continuidade daquela posse que remontava a 1831. Segundo o padre Manuel Otaviano, foi “uma luta renhida, cujos debates chegaram a morder a honra pessoal dos litigantes”. Após vários discursos em que, ambos os contendores, apresentaram suas razões, a maioria dos deputados, recomendados pelo chefe supremo, Epitácio Pessoa – a despeito de sua forte amizade com o coronel Zé Pereira, a quem devotava “assombroso” prestígio - apoiaram o padre e votaram contrários à propositura do deputado princesense. Perfilaram-se ao lado do padre e, Água Branca, continuou pertencendo a Piancó, somente vindo a fazer parte do município de Princesa 20 anos depois, em 30 de março de 1938.

Padre Aristides, que foi vigário de Piancó de 1902 a 1913, despois de rompido com o chefe político, Felizardo Leite, exerceu quase três mandatos de deputado estadual (1916/1920/1924), tendo sido interrompido, o último, por sua trágica morte. Sua lide política à frente do já transformado em município, Piancó, foi bruscamente interrompida quando da fatalidade de seu assassinato. Malgrado manter violenta contenda com seus adversários locais, a morte do sacerdote suspenso de ordens não teve, diretamente, nada a ver com sua briga política. Tudo ocorreu em 9 de fevereiro de 1926, por ocasião da passagem da Coluna Prestes – Movimento Revolucionário, comandado por tenentes desertados do Exército Brasileiro, sob o comando de Luís Carlos Prestes, João Alberto e Cordeiro de Farias, que marcharam por todo o país em pregação contrária ao governo de Arthur Bernardes, em busca de uma mudança política no Brasil -, pela cidade de Piancó.

Era o dia 8 de fevereiro de 1926. Ao receber a notícia de que os Revoltosos se aproximavam de Piancó e que, egressos do Ceará e Rio Grande do Norte, onde encontraram forte resistência, estavam acabrunhados, cansados e desmuniciados, portanto vulneráveis a uma reação, o padre Aristides organizou alguns homens em armas para defender seu rincão. Segundo o historiador paraibano, José Octávio de Arruda Mello, tanto o deputado Felizardo Leite quanto o presidente da Paraíba, João Suassuna, conspiraram para que o padre Aristides organizasse essa resistência à Coluna Prestes, isso, com o interesse de livrarem-se do pertinaz adversário e incômodo correligionário. Em que pese ser, Felizardo Leite, adversário político do padre, ambos, o deputado e o sacerdote, eram correligionários do presidente do estado da Paraíba.

No dia seguinte, uma terça-feira (9) ao adentrar às portas da cidade, um pequeno grupo de um dos destacamentos da Coluna Prestes, chefiado por Cordeiro de Farias, foi recebido a bala pelos resistentes sertanejos. Houve baixas de ambas as partes. Desavisado e sem avisar ao padre Aristides - que resistia, junto com cerca de vinte e cinco homens, em sua residência -, o chefe da Mesa de Rendas, Manoel Cândido, durante o tiroteio, apavorado em sua casa, saiu portando uma “bandeira branca”, o que fez os revoltosos acreditarem ser aquilo um pedido de paz pelos resistentes e partiram, de peito aberto, em direção à casa do padre Aristides. Ao se aproximarem, os prestistas, foram recebidos à bala quando tombaram mortos alguns oficiais e vários soldados. Recompostos, os revoltosos, revidaram ao ataque surpresa e sustentaram o tiroteio até se exaurir a capacidade de resistência dos homens do padre Aristides. Sem munição e cercado pelos da Coluna Prestes, não restou, ao ex-vigário de Piancó, senão entregar-se à desventura que o esperava.

Os homens de Prestes, indignados com a atitude enganadora do falso pedido de paz, adentraram à casa do padre como feras indomáveis. Arrastaram Aristides e seus companheiros para um barreiro existente atrás da casa do sacerdote, que já acumulava águas das primeiras chuvas daquele ano e, ali, os trucidaram a todos. Antes de morrer, Aristides fez um último pedido aos seus algozes: “Eu sou um padre da Igreja Católica e sei que vou morrer, mas, peço-lhes me deem um instante para fazer uma oração e pedir perdão dos meus pecados! Em resposta a esse apelo dramático, um dos revoltosos ordenou: “Que tempo que nada! Degola esse assassino!” Desamparado até de Deus, o padre Aristides teve suas carótidas seccionadas e recebeu uma punhalada na clavícula esquerda, o que foi mais do que o bastante para tirar sua vida.

Há quem diga que, além dessa cruel execução, castraram o padre e enfiaram seus testículos em sua boca. Esse quadro dantesco foi deixado para os moradores da cidade - os que não haviam fugido -, providenciarem o sepultamento dos mortos na manhã do dia seguinte. Degolado, o padre Aristides foi enterrado em cova rasa e somente muitos anos depois recebeu o reconhecimento de mártir em defesa da legalidade, merecendo um túmulo decente e o louvor da posteridade. Junto com o sacerdote, foram executados mais de vinte companheiros seus. Em Piancó, existe uma estátua do padre, defronte ao bicentenário templo católico (1814) onde aquele desditoso sacerdote exerceu seu ministério sacerdotal. É esta a sucinta história de um homem maior no seu tempo e que, no exercício de coragem extrema, não se intimidou nem sucumbiu às adversidades inerentes à opção de vida que tomou. Morreu de pé sem arredar-se das coisas em que acreditava. O incrível padre Aristides.



 

 

 

 

 

 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

SABÁTICAS

. Nos EUA, a milícia de Donald Trump – o ICE – tanto mata pessoas quanto prende criancinhas pelo simples fato de serem filhas de imigrantes. A humanidade já assistiu esse filme há 80 anos atrás. Direita, volver!

. Não bastasse a perseguição indiscriminada a imigrantes, o racismo é também uma prática do governo Trump. Ontem (6), nas redes sociais do presidente americano apareceu uma postagem retratando o ex-presidente Barack Obama e sua esposa como macacos.

. Folgo em não ter vontade sequer de conhecer aquele país, e desconfio que essa caminhada está influenciando a humanidade num encaminhamento para mais uma catástrofe.

. Já no Brasil, tá tudo torto. O mesmo Supremo Tribunal Federal – STF, que julgou e condenou os golpistas de direita, está agora, às voltas, com ministros envolvidos no escândalo de corrupção financeira do Banco Master. Quando não é queda, é coice.

. Além dos escândalos, a maioria dos ministros do STF não aceita a iniciativa do presidente daquela Corte, Édson Fachin, em criar um código de ética. Os que mais resistem são justamente aqueles que viajam em jatinhos de empresários corruptos e os que têm esposa ganhando fortuna no mesmo esquema.

. Voltando para Princesa. Despois do passeio londrino, nada foi dito à população sobre o aproveitamento técnico daquela viagem. Em vez disso, mais sinais exteriores de riqueza: o ex-alcaide já mudou de mula. Agora, anda montado numa nave branca novinha em folha.

. Enquanto isso, o TCE/PB denuncia que, somente em 2025, foram dispendidos R$ 8 milhões com o pagamento de terceirizados da Saúde e da Educação em Princesa. Mesmo assim, servidores reclamam de salários atrasados.

. Já na UPA de Princesa, uma situação esquisita: enquanto nas outras Unidades de Pronto Atendimento do Estado os servidores têm direito ao Vale Refeição, aqui isso foi suspenso.

. Enquanto isso, pessoas que foram aprovadas no último concurso da prefeitura de Princesa reclamam sobre a modificação do Edital de Convocação que, antes, exigia 4 exames laboratoriais e, agora, exige 47 exames para os que querem tomar posse.

. Será porque, recentemente, foi aberto mais um Laboratório de Análises Clínicas m Princesa? Deve ser um problema de demanda reprimida.

. Em entrevista a uma rádio da capital, o prefeito de direito de Princesa informou que o grupo político do qual faz parte votará sim, em Hervazio Bezerra para deputado estadual. Em face disso, um gaiato comentou: “Para atravessar o Rubicão faz-se necessária uma ponte”.

. O empresário Rinaldo Medeiros criticou o aumento de impostos na prefeitura de Princesa; o alinhamento dos políticos princesenses, segundo ele, com o que há de pior na política nacional; e a falta de fiscalização dos vereadores quanto às ações governamentais.

. Alguns vereadores da base política de Nascimento não gostaram e emitiram Nota de Protesto. O empresário revidou dizendo que vereador existe para fiscalizar e legislar. Um dos vereadores respondeu (nas redes sociais): “Eu gosto muito de você, Rinaldo”. Pino batido.

. Na próxima quinta-feira (12), sairá, da Praça da Saúde, o tradicional bloco carnavalesco: “O Cariri da Princesa” (que será reforçado pelo bloco “Bira & Love”) e, na Quarta-feira de Cinzas (18), sairá, da Praça Zé Nominando, o bloco: “Traíra na Vara”.

. Os abraços de hoje vão para: Zé de Floro e Hilda, Zuza de Zé do Mato, Pedro de dona Licinha, Rialtoan Araújo, Hilda de Mané Braz, Mônica Barros, Zé Neto, Dercí e Lúcia, Marcelo Frazão, Pedrinho e Edna, Cleonice de Rosendo, Dedé dos Correios, Valdecí de Lagoa da Cruz, Marcelo Mandú, Sara Ferraz, Paulinho da Igreja, Mano da Farmácia, Marinho de Milton, Roberto de Neves, Lúcia e Luquinha, Alexandre Maia, Deolindo Filho, Marquinhos de Veri, Márcio Caboclo, Quiterinha de Telô, doutor Adilson Batista, Raimundo Gato, Lourdinha Bode, Giovanni Nominando e padre Bidé.



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Aniversariou ontem a mais jovem liderança do clã Diniz

 Aniversariou ontem a mais jovem liderança do clã Diniz Já em ritmo eleitoral, Giovanni Nominando Diniz comemorou, ontem (5), o seu aniversário na capital paraibana. É ele a mais jovem liderança da família Diniz, que surge agora em movimentos políticos aqui em Princesa. Giovanni, que articula apoios às pré-candidaturas a deputados estadual e federal de Tibério Limeira e Fábio Tyrone, respectivamente, é o novo nome daquela importante família política de Princesa que se apresenta no intuito de uma renovação visando o futuro político do município.

Bisneto da tradicional liderança, Nominando Muniz Diniz, mais conhecido por "seu" Mano; neto de dona Inês Diniz e filho do popular médico doutor Dedé e da professora Roseane Travassos, Giovanni é um jovem que reúne todas as características de um político promissor. Cordato, de boa comunicação, alegre, simpático e, acima de tudo, com a vocação para o diálogo e com excelente capacidade de convencimento, já ocupaBhoje um espaço importante na política princesense. 

A comemoração se deu num restaurante de João Pessoa, ocasião em esteve presente o seu primo o ex-deputado estadual e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, Antônio Nominando Diniz Filho, o nosso popular "Totonho", além de parentes, amigos e correligionários. De parabéns agora, Giovanni estará em Princesa semana que vem, durante o Carnaval, para confraternizar com seus conterrâneos. Esse menino vai longe.



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Em entrevista Garrancho reafirma apoio a Hervazio

 

Contrário a todas as previsões, foi confirmado o apoio do grupo político de Princesa ligado ao governador João Azevedo ao deputado estadual Hervazio Bezerra em sua reeleição. Em entrevista concedida a uma rádio da capital paraibana, o prefeito Garrancho disse, em alto e bom tom, que seu grupo político emprestará apoio a Hervazio nas eleições de 4 de outubro. Sem titubear, reverberando a decisão do prefeito de fato, Ricardo Pereira do Nascimento, Garrancho disse que, na qualidade de homem de palavra, votará sim em Hervazio Bezerra.

Num explícito exercício de ventriloquia - quando até os termos fora de contexto normalmente usados por Nascimento foram utilizados pelo prefeito de direito - Garrancho, além de refirmar o apoio a Hervazio, acrescentou que a base política de que faz parte votará coesa na chapa indicada por Nascimento e que, quem discordar, "está fora".

'. Esse recado do prefeito de direito deixa alguns vereadores em saia justa. Exemplo maior disso é o vereador Irismar Mangueira que, recentemente, recebeu um trator do deputado Michel Henrique e lhe prometeu 100 votos por debaixo do pano. Tirando os nove foras...



O novo "Gama e Melo"

 

De uma beleza sem par está o prédio do Grupo Escolar "Gama e Melo". Depois de passar por uma reforma total, aquela célebre Escola que completa 100 anos de sua fundação no próximo dia 8 de abril, pode-se dizer que é a mãe de todas as Escolas princesenses. Construído em 1926 e agora recuperado, o "Gama e Melo" está apto a continuar formando alunos e fazendo história pelos próximos séculos. À beleza arquitetônica do prédio soma-se a qualidade de ensino que ali foi ministrado ao longo dos últimos 100 anos. Escola de referência em todo o Estado, tanto pela disciplina quanto pela qualidade de seus professores.

Ali, eu e muitos da minha geração estudamos o que chamavam, antigamente, de primário. No entanto, o que estabelece referência mais importante é que, naquela Escola, estudaram também alguns princesenses que brilharam no cenário nacional, a exemplo de Alcides Vieira Carneiro que foi deputado federal e Ministro do Superior Tribunal Militar; Francisco Soares de Araújo, o "Canhoto da Paraíba", , nosso artista maior, dentre outras personalidades. Seu primeiro diretor foi o professor Severino Loureiro que dirigiu a Escola de 1926 até 1930.

À época, os diretores tinham administração por demais longeva. Depois de Loureiro assumiu dona Vianinha (esposa do comerciante Rafael Rosas) que foi sucedida pelo professor Genésio Florentino Lima que administrou o Grupo até meados da década de 1970. No entanto, a qualidade daquela Escola se completava pelos professores que tinha: Maria Pontual; Maria de Luís Belinho; Creuza Maia; Elenita Muniz; Clémens Maia; Aretuza Marrocos; as irmãs Maria, Titica e Fana Lopes; Guida Fernandes; Neuzinha Sitônio, dentre outras várias. Notícias me chegam que, em sua reinauguração, no próximo dia 8 de abril, até o governador se fará presente.



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Senador Efraim Filho diz que o Congresso deve ecoar a voz das ruas

Durante a solenidade de reabertura dos trabalhos nas duas Casas Legislativas: Câmara e Senado Federal, no último dia 2, o senador Efraim Filho enfatizou que a prioridade neste ano deverá ser a apreciação e votação das pautas Econômicas e de Segurança e que, avançar nesses temas é uma necessidade para o enfrentamento dos desafios que se apresentam: “Não há futuro possível sem uma economia sólida e também não dá para ignorar essa escalada desenfreada da violência em todo o País. Afinal, o Congresso Nacional deve ecoar a voz das ruas” afirmou o senador. Na ocasião, Efraim concedeu uma entrevista especial aos jornalistas paraibanos.






Padre detona Câmaras de Vereadores

No último domingo (1º), o vigário da cidade de Livramento aqui na Paraíba, durante a missa dominical, fez duríssimo discurso contra a classe dos vereadores. Enfático, o vigário disse que vereador não serve para nada e que “sabem do ‘o’ porque sentam em cima”. A revolta do sacerdote se deu pelo fato de a Câmara Municipal daquela cidade haver votado um Projeto de Lei criando assessorias remuneradas para os edis daquele município. Essa revolta do padre reverberou na imprensa estadual e teve o acolhimento positivo da opinião pública numa constatação de que a maioria das Câmara de Vereadores existem, não para fiscalizar a aplicação dos dinheiros públicos, mas sim para colaborar com as vontades dos prefeitos. Mais do que oportuno esse pronunciamento sacerdotal.



terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Princesa nunca teve dois prefeitos ao mesmo tempo

 

Ao longo da nossa história política nunca nos deparamos com situação similar à que vivemos agora. Eleito prefeito nas eleições de 2024, o cidadão Ednaldo de Melo, vulgo "Garrancho" - no que obteve expressiva votação -, até a presente data, ainda não assumiu de fato seu desiderato administrativo. Além de não haver apresentado, até agora, um Programa de Governo, deixou as rédeas da administração por conta do seu antecessor que é quem resolve e decide tudo. Satisfeito no afã de pavonear-se entonado em roupas e calçados de marca, como quem está anestesiado, Garrancho tá nem aí para a coisa e deixa tudo nas mãos manipuladoras de Nascimento.

Fazendo um breve relato histórico sobre os vários prefeitos que administraram o nosso município, podemos ver que, desde 1935 (quando os prefeitos começaram a ser eleitos diretamente pelo povo), sob o comando das famílias Diniz e Pereira, muitos foram os eleitos sob as bênçãos desses dois clãs políticos; porém, em nenhuma situação os eleitos se deixaram manipular pelos chefes. Nunca, os criadores manipularam as criaturas. O primeiro prefeito eleito, em 1935, foi Manuel Florentino de Medeiros, apoiado pelo grupo Pereira e governou até 1937 por sua conta e risco sem interferência alguma.

Em 1951, Zacarias Sitônio foi eleito com o apoio de Aloysio Pereira e comandou o município, efetivamente, até 1955. Em 1959 foi a vez de o grupo Diniz eleger Antônio Maia que teve preservada sua autonomia administrativa governando de fato até 1963. Em 1972, os dois grupos se uniram numa pacificação e apresentaram Chico Sobreira como candidato único que foi eleito e administrou por sua conta até 1976. Nesse ano, foi eleito Batinho sob os auspícios do grupo Diniz e comandou a cidade, de forma autônoma, até 1982.

Findo o ciclo de alternância no poder, o grupo Pereira comandou o município por longos 18 anos interruptamente e, nesse período, Assis Maria foi eleito duas vezes (1988 e 1996) e, logo que assumiu seu primeiro mandato, recebendo a visita de seu antecessor, Gonzaga Bento, foi logo dizendo: "Gonzaga, aqui não cabem dois prefeitos". Finalizando, em 2012, eu fui eleito prefeito com o apoio dos dois lados, mas administrei por minha própria conta. Como vimos, nunca, em tempo algum, tivemos situação igual à que vivemos hoje quando um cidadão, eleito para governar, se deixa manipular colocando seu CPF em risco num inaceitável estelionato eleitoral. O povo votou em Garrancho e não em Nascimento.