Antigamente era grande o contingente de homens que carregavam no campo de seu estado civil a palavra: "viúvo". Isso, fruto da grande quantidade de mulheres que "morriam de parto": expressão há muito desusada porque pertence a um passado distante. Em Princesa, tem sido diferente. Desde que o Hospital Regional de Princesa - que era gerido pelo governo do Estado - foi municipalizado, três mulheres perderam a vida pelo simples fato do exercício de dar à luz.
E claro que essa estatística nefasta não pode ser debitada na conta dos profissionais da Saúde que destacam naquele nosocômio, mas sim à falta de estrutura daquele serviço. Quando todos os hospitais regionais das 14 Regiões geoadminstrativas do Estado são dotados de UTI e de profissionais especializados, a de Princesa, administrada pelo município para atender a um capricho eleitoral do ex-prefeito Ricardo Pereira do Nascimento, é a exceção num faz de contas que tem ceifado vidas de mulheres jovens e de seus rebentos.
Ontem (13), mais uma mulher veio a óbito naquele hospital, vítima de eclampsia. Isso não é uma doença, mas uma consequência grave da gravidez que, se cuidada com a habilidade necessária e o tempo certo, pode evitar a morte da gestante. O problema é que pessoas desavisadas procuram aquele serviço como se fora de qualidade e se deparam com a falta da estrutura necessária para o salvamento de vidas. Assassina é a propaganda mentirosa de que aquele é um serviço de qualidade, o que é dito somente para satisfazer o ego eleitoral do político que promoveu sua municipalização.
Ao invés de uma tomada de providências, o ex-gestor promoveu, ontem, um bate-boca público como deputado Aledson Moura que sempre carregou como bandeira a reestadualização do Hospital. Ao invés de chamar o feito à ordem, Nascimento chamou Aledson de covarde numa inversão de valores que denota sua insensibilidade e falta de responsabilidade com a coisa pública. O que nos resta agora? E a família da gestante morta? Ficará essa família satisfeita com os pêsames oficiais? Urge que providências sejam tomadas para que vidas de jovens mulheres não continuem sendo ceifadas.



















