O Brasil tem 5.571 municípios. Todos têm nomes. Quando nos
debruçamos num olhar contido sobre as diversas denominações de algumas das
cidades brasileiras, nos deparamos com situações curiosas e interessantes,
algumas até risíveis. Temos cidades com nomes bonitos, a exemplo de: Vitória da
Conquista; Campina Grande; São João Del Rey; Porto Alegre; Recife, dentre
outras várias. Cidades com nomes, leves, românticos: Flores; Feliz; Diamante, Sorriso,
Triunfo. Mas temos também urbes com topônimos esquisitos e complicados:
Itaquaquecetuba; Guaratinguetá; Jaboatão dos Guararapes; Itapecerica da Serra,
Arapiraca; Anhanguera; Propriá, etc.
Por outro lado, os nomes que mais chamam a atenção, são
aqueles inusitados, ridículos e, estranhamente, sem razão de serem mantidos,
quais sejam: São José da Lagoa Tapada; Varre-e-sai; Riacho dos Cavalos; Passa
Quatro; São Sebastião de Lagoa de Roça; Piripiri; Pau Grande; Zabelê, dentre
outros. É claro que cada cidade tem o direito de adotar o nome que quiser,
porém, é sabido que até os nomes de pessoas podem ser mudados quando eles
expõem seus donos ao ridículo. Nesse caso, alguns municípios se encontram nessa
situação, carregando nomes de mau gosto. Sei que não é da minha conta, porém,
tenho o direito de discordar e sugerir um plebiscito municipal para
modificá-los.
Felizmente, isso não se aplica à nossa cidade. Princesa
Isabel (que em minha opinião deveria chamar-se somente Princesa), tem um nome
bonito e charmoso. Aliás, todos os 6 municípios que fazem parte da nossa região
e que compunham o chamado “Município Velho”, têm nomes, se não belos, pelo
menos normais: Tavares; Juru; Água Branca; São José de Princesa e Manaíra. À
exceção de Tavares, todos tiveram outros nomes antes do atual. Princesa Isabel
foi “Perdição”, “Bom Conselho” e “Princesa”, respectivamente. Juru, foi chamada
também de “Ibiapina” e “Barra”. Água Branca já foi “Imoroti”. Manaíra era
“Alagoa Nova” e São José de Princesa já foi somente “São José”. Além dessas, existem
também algumas peculiaridades em relação aos nomes das cidades.
Observem que nós, quando perguntados de onde somos, nunca
dizemos: “sou de Princesa Isabel”. Dizemos, simplesmente, “sou de Princesa”. Da
mesma forma quem é de Catolé do Rocha se diz de “Catolé”; os de Serra Talhada,
somente “Serra”; Campina Grande, “Campina”; Feira de Santana “Feira” e por aí
vai. Porém, ninguém nascido em João Pessoa, dirá: “sou de João” ou nascido em
Água Branca, dirá: “sou de Água”. E tem os que distorcem o nome da cidade.
Perguntem onde nasceram aos cajazeirenses, que eles, via de regra, dirão: “Carrazeiras”;
alguns tavarenses se dizem de “Tarrares”.
Para encerrar, lembro-me de uma história engraçada quando eu
era prefeito de Princesa. Estava reunido, em João Pessoa, com vários prefeitos
do interior em busca de recursos para abastecimento d’água por ocasião da seca.
A maioria não se conhecia. Perguntei a um deles: “És prefeito de onde?”. O cara
me respondeu de chofre: “De Aperreio”. “Aperreio?” Perguntei surpreso porque
não conhecia nenhuma cidade paraibana com esse nome. O prefeito me respondeu:
“Não, bicho, o nome mesmo é Sossego, mas a situação de lá, com essa seca, tá
tão grave, que eu mudei o nome para Aperreio”.



















