Dois sentimentos menores que escravizam o homem, a inveja e o
ciúme, são protagonistas de muitos acontecimentos, muitos deles que, no mais
das vezes, têm até o condão de mudar o mundo. O ciúme que traz no seu bojo um
sentimento de posse doentia, se exacerba quando exercido no âmbito das relações
amorosas o que muitas vezes tem promovido até mortes. Nada justifica a
fatalidade do extermínio de uma vida amparado na desculpa da posse: “O que não
é meu não poderá ser de ninguém”. Esse pensamento tem matado pessoas –
principalmente mulheres – numa negativa da máxima de que “quem ama não mata”.
Já a inveja, corrói as mentes de forma mais silenciosa e se
faz mais perigosa porque atinge a todos de forma indiscriminada e sem motivo
plausível ou sequer justificável. O desejo de possuir o que pertence a outrem
ou o despeito dos que não tem ou não podem, tem favorecido o desenvolvimento
desse sentimento que, de natural, muitas vezes se torna mórbido e descamba para
o desatino ou, pior ainda, para a angústia de sentir-se inferior, desvalido e,
consequentemente, raivoso em relação aos que possuem ou são o que esses doentes
não conseguem ter nem ser.
Um homem ciumento é uma bomba chiando quando se faz capaz de
tudo, inclusive se propondo a extinguir a vida de quem não lhes dá mais
atenção. Já o invejoso, se martiriza com o sucesso alheio, desmerece tudo o que
é feito pelos que o incomodam com algum sucesso e ficam isolados a maquinar
formas de prejudicar a quem os incomoda com o sucesso que não conseguem ter. O
pior, que nada cura essas doenças. A morbidez é tão grave que muitos dos que
por ela são acometidos, são competentes sim, porém, incapazes de produzir
porque o egoísmo e o complexo de inferioridade lhes tolhem o espírito criativo.
Para os invejosos o que lhes dá prazer é o elogio exagerado
que afaga seu ego doentio. Estes, adoram ser reconhecidos até pelo que não
fazem. Os que têm esse mal evoluído de forma anormal, fantasiam a tal ponto que
se acham superiores aos demais e se transformam em pessoas ridículas quando se
auto elogiam sem nenhum censo do ridículo. O ciumento desconfia da própria
sombra e em tudo vê uma conspiração contra si e, não suportando ser superado por
nada nem por ninguém, age com desvario chegando às raias da loucura. Não há
remédio para conserto do exacerbamento desses dois sentimentos. Para os cautos,
resta o cuidado de não os ativar ou afastarem-se dessas pessoas.


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