Quem não lembra das peripécias do então juiz federal, Sergio
Moro, quando em consonância com o Ministério Público (leia-se Deltan Dallagnol)
fez tudo até conseguir botar Lula na cadeia? Durante todo o processo, todos
louvavam Moro como uma vestal da Justiça: um homem sério e corajoso que estava
botando na cadeia os ladrões da República. Em pouco tempo, a máscara caiu e
descobriu-se que tudo fora orquestrado para que Lula fosse preso para não
concorrer às eleições de 2018. Em troca, Moro foi premiado com a pasta do
Ministério da Justiça e, por conta disso, ocupa hoje uma cadeira no Senado
Federal.
A cena se repete agora com ministros do Supremo Tribunal Federal.
Alexandre de Morais, o ministro corajoso que enfrentou a todos e conduziu o
processo que botou Jair Bolsonaro e sua turma na cadeia, até poucos dias, era
um homem tido como sério e comprometido com a ética. Agora, se descobre que a
mulher do ministro está envolvida até o pescoço no escândalo do Banco Master. O
outro, Dias Toffoli, também ministro do STF, além de pegar carona no jatinho do
dono do Banco Master, está atrapalhando as investigações sobre a fraude daquela
instituição, tudo indica para proteger amigos e parentes.
É claro que uma coisa não tem a ver com a outra. O processo,
comandado por Alexandre de Morais, que pôs na cadeia os golpistas do 8 de
janeiro e, mais tarde, os chefes da trama golpista sob o comando do
ex-presidente Jair Bolsonaro, foi feito dentro da legalidade, com provas
robustas e amplo direito de defesa concedido a todos os réus. No entanto,
comportamentos outros descredenciam membros de um poder que, na qualidade de
última instância da Justiça brasileira, não poderiam prevaricar. Morais e
Toffoli deveriam renunciar aos seus cargos ou, por outra, o Senado Federal
submetê-los a um processo de impeachment.
A Justiça do Brasil anda de calças curtas e, a moralidade de alguns de seus
membros, atravessa-se com água pelo mocotó.


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