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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

A moralidade de calças curtas

Quem não lembra das peripécias do então juiz federal, Sergio Moro, quando em consonância com o Ministério Público (leia-se Deltan Dallagnol) fez tudo até conseguir botar Lula na cadeia? Durante todo o processo, todos louvavam Moro como uma vestal da Justiça: um homem sério e corajoso que estava botando na cadeia os ladrões da República. Em pouco tempo, a máscara caiu e descobriu-se que tudo fora orquestrado para que Lula fosse preso para não concorrer às eleições de 2018. Em troca, Moro foi premiado com a pasta do Ministério da Justiça e, por conta disso, ocupa hoje uma cadeira no Senado Federal.

A cena se repete agora com ministros do Supremo Tribunal Federal. Alexandre de Morais, o ministro corajoso que enfrentou a todos e conduziu o processo que botou Jair Bolsonaro e sua turma na cadeia, até poucos dias, era um homem tido como sério e comprometido com a ética. Agora, se descobre que a mulher do ministro está envolvida até o pescoço no escândalo do Banco Master. O outro, Dias Toffoli, também ministro do STF, além de pegar carona no jatinho do dono do Banco Master, está atrapalhando as investigações sobre a fraude daquela instituição, tudo indica para proteger amigos e parentes.

É claro que uma coisa não tem a ver com a outra. O processo, comandado por Alexandre de Morais, que pôs na cadeia os golpistas do 8 de janeiro e, mais tarde, os chefes da trama golpista sob o comando do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi feito dentro da legalidade, com provas robustas e amplo direito de defesa concedido a todos os réus. No entanto, comportamentos outros descredenciam membros de um poder que, na qualidade de última instância da Justiça brasileira, não poderiam prevaricar. Morais e Toffoli deveriam renunciar aos seus cargos ou, por outra, o Senado Federal submetê-los a um processo de impeachment. A Justiça do Brasil anda de calças curtas e, a moralidade de alguns de seus membros, atravessa-se com água pelo mocotó.



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