ODE

terça-feira, 16 de junho de 2026

A união ainda existe, porém nem tanta

 

Se não existissem fofocas e mexericos, a política perderia a graça. Se existe uma atividade em que o segredo não se sustenta, a política partidária é uma. Não nos cansamos de ouvir do fofoqueiros: "Isso que estou lhe dizendo é aqui pra nós, não passe pra ninguém!". E, o interlocutor - todo ouvidos - via de regra, responde: "Deixa comigo, não vou dizer a ninguém". No entanto, na primeira esquina que encontrar, o ouvinte usará as mesmas palavras de quem the disse para passar o segredo para outra pessoa e, assim sucessivamente. No final a história, todo mundo sabe de tudo e ninguém sabe quem disse.

Faço essa ilustração para abordar um assunto que vem tomando as rodas políticas em Princesa. Aqui, o afadigamento (natural) do grupo que comanda o poder nos últimos dez anos é notório. Primeiro pelo fato da decepção do eleitorado, quando elegeu um prefeito que não manda em nada e que permite que seu antecessor continue no trono. Depois, pelas evidências de que, vereadores da base aliada do ex-prefeito Ricardo Pereira do Nascimento (PSB), se enfronham para votar em candidatos a deputados que não os indicados pelo chefe, sem falar nas insatisfações de outros (as) que se dizem sem prestígio. Parece que a união não é mais a mesma.

Meses atrás o vereador Irismar Mangueira (PSB) - cotadíssimo para ser eleito presidente da Câmara Municipal para o próximo biênio (2027/2028) -, declarou que votaria no deputado estadual Michel Henrique (Republicanos), e até um trator conseguiu com o parlamentar para servir à comunidade de Lagoa da Cruz. Agora, notícias me chegam - de fonte fidedigna - que dois vereadores da base governista procuraram um assessor do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP), com a intenção de apoiá-lo para deputado federal em detrimento do nome de Hugo Motta (Republicanos) que é o indicado de Nascimento.

Consultado sobre esse apoio, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, temeroso em desagradar a Nascimento, não aceitou a proposta. A recusa do deputado evitou o desagrado, mas deixou em evidência esse movimento dissidente, o que denota falta de liderança ou, por outra, que há lideranças demais o que coloca dúvidas quanto a quem seguir. A verdade é que o barco está fazendo água e, como de praxe, os ratos, estrategicamente, começam um movimento de retirada. É certo que o chefe vai dar um murro na mesa e exigir coesão, porém, por debaixo do pano, ninguém garante que as ordens serão cumpridas, afinal, o voto é secreto.



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