ODE

quarta-feira, 3 de junho de 2026

A cada dia aumenta a fila dos bolsonaristas envolvidos em falcatruas

As evidências não deixam dúvidas sobre onde está a verdade. Os defeitos de Lula e dos que o acompanham são conhecidos e surpresa alguma se oferece quanto ao comportamento dos que estão no poder atualmente. Quanto aos que passaram pelo poder recentemente e que dele foram apeados pelas urnas de 2022, isso reflete uma realidade que a cada dia aflora mais. Mesmo sem surpreender aos que não são devotos do bolsonarismo, espanta a todos quão hipócrita são aqueles que chamam Lula de ladrão e estão agora na alça de mira das Polícias Civil e Federal, do Ministério Público e da Justiça.

Primeiro o senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) que, corroborando comportamento de antanho quando envolvido com rachadinha e milicianos, agora, sem escrúpulo algum, pediu dinheiro a Daniel Vorcaro e ainda não explicou o destino dessa grana. O senador Ciro Nogueira (PL) ex-primeiro-ministro de Bolsonaro, recebia uma mesada de R$ 500 mil do mesmo banqueiro. O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), facilitou o investimento de cerca de R$ 4 bilhões da Previdência fluminense no banco de Vorcaro.

Agora, se enfileirando junto aos outros, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também aliado da família Bolsonaro, está sob suspeição de haver homologado uma licitação fraudulenta, no valor de R$ 108 milhões, para a instalação de 5 mil pontos de Wi-fi na cidade de São Paulo, o que envolve a empresária Karina Gama, produtora do filme intitulado: Dark Horse, que conta a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que misturou dinheiros de emendas designadas pelo deputado Mário Frias (PL) com recursos da prefeitura paulistana. Tudo isso administrado por empresas fantasmas.

Questionado sobre essa transação irregular, o prefeito de São Paulo se defendeu afirmando que tudo isso é perseguição política. O problema é que quem está investigando essa falcatrua é a Polícia Civil de São Paulo que é subordinada ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) também aliado de Jair Bolsonaro. Sem explicações plausíveis, todos os envolvidos nessas estripulias insistem em não esclarecer os fatos que caminham, todos, para situações por demais suspeitas e, no centro de tudo, está o financiamento do Dark Horse que, mesmo antes de ser lançado, já é sucesso de crítica.



Marco Rubio compara Brasil a ditaduras

Numa clara ação político-eleitoral, o Departamento de Estado americano sob a égide do secretário Marco Rubio, declarou ontem (2), que o Brasil não é “Amigável aos Estados Unidos da América” e comparou o Brasil a países de regimes ditatoriais como Cuba, Venezuela e Nicarágua. Na esteira dessa declaração, o Departamento de Comércio dos EUA anunciou que caso o Brasil não se ajuste às exigências determinadas, sanções econômicas na forma de mais um tarifaço de 25% sobre produtos exportáveis àquele país poderão ser decretadas a partir de 15 de julho próximo.

O estranho é que tudo isso acontece imediatamente após a visita do senador e pré-candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro, aos EUA. Uma coincidência cínica, pois, mesmo já sendo previstas essas sanções, elas foram anunciadas justamente no final dessa visita que foi orquestrada pelo Secretário de Estado Marco Rubio. Além de não poder colocar o Brasil no mesmo balaio de nações governadas por ditadores, os EUA não podem nem devem interferir na soberania do Brasil.

Na mira dos americanos está, principalmente, o Pix. Eles alegam que essa instituição financeira, que caiu no gosto popular do brasileiro, é nociva à economia americana porque concorre com as grandes bandeiras de cartões de crédito dos EUA. Em meio a esse contexto, o presidente Lula já anunciou que o Pix é inegociável e que o Brasil não se submeterá à vontade de nações estrangeiras. Sem dúvida, tudo isso se configura intervenção no processo eleitoral brasileiro quando a intenção dos americanos é a de viabilizar a eleição de Flávio Bolsonaro na busca de um alinhamento mais subserviente do Brasil em relação à nação mais poderosa do mundo.



terça-feira, 2 de junho de 2026

O jipão da prosperidade com o dinheiro alheio

 

Ontem (1°) a Globo News veiculou uma reportagem sobre a compra de votos no Brasil e ilustrou essa prática com várias situações ocorridas em diversos Estados da Federação. Na matéria, a televisão realçou que essa prática é algo comum, quase corriqueiro, no interior do Nordeste, o que eles chamam de grotões eleitorais. Em entrevista, a cientista política Rita Biason repetiu sua famosa frase: "Voto não tem preço, tem consequência" Essa consequência é visível em Princesa também quando se constata a prosperidade daqueles que, mesmo respondendo a processo eleitoral por compra de votos não se abstêm de ostentar.

Em Princesa, o chefe dessa ostentação é o líder maior da facção que comanda a administração da cidade há quase 10 anos consecutivos. Não herdou, não ganhou na mega-sena, tampouco tem ou teve atividade econômica condizente com o patrimônio que apresenta. Não bastassem os carrões, os penduricalhos de ouro, as roupas e calçados de grife, as várias viagens domésticas e internacionais, o ex-prefeito Nascimento se supera num acinte que desrespeita aqueles que trabalham e, mesmo com salários atrasados são obrigados a assisti-lo desfilando num jipão de última geração.

Princesa é única dentre os vários municípios do Brasil. É a única cidade onde cheques ainda são usados para a efetuação de pagamentos com o dinheiro público. É uma das poucas cidades onde o povo vota num candidato para ser prefeito e quem manda é o padrinho do eleito. Numa análise mais acurada não podemos chamar de exagero o estranhamento de que uma pessoa sem renda condizente com os sinais exteriores de riqueza que apresenta, se diga honesta e até prometa renunciar à vida pública se alguém provar sua patente desonestidade.

Numa cidade onde, nas eleições, os custos não justificam os fins quando um simples vereador tem de dispender a bagatela de quase um milhão de reais para se fazer eleito, onde um candidato a prefeito tem de distribuir cheques para conseguir os votos suficientes para suplantar seu adversário, ninguém pode se surpreender quando a comemoração pela "vitória" é a ostentação bancada pelo dinheiro do povo. "O material enche os olhos, mas a falta de caráter esvazia qualquer um". Como mau disse Nascimento sobre minha pessoa, morrerei pobre e só, porém, sem calar diante desses absurdos.