A situação que vive o Brasil hoje é algo nunca visto.
Governado por um partido de centro-esquerda, mas com um Congresso controlado
pela extrema direita, as ações administrativas se veem emperradas quando movidas
por caprichos que atendem a interesses escusos que exacerbam ainda mais a
polarização em detrimento do interesse público. Na última quarta-feira (29), o
nome do advogado Jorge Messias, indicado pelo presidente da República para
preencher uma vaga no Supremo Tribunal Federal – STF, foi rejeitado pelo Senado
Federal sem nenhum motivo plausível apenas para satisfazer ao presidente do
Senado, Davi Alcolumbre, que não concordou com a prerrogativa presidencial em
indicar um nome à revelia de sua vontade.
Ontem (30), o mesmo Congresso derrubou o veto do presidente
Lula ao Projeto Lei da “dosimetria”, anistiando os vândalos que depredaram as
sedes dos Três Poderes da República em 8 de janeiro de 2023. O argumento dos da
extrema direita é que, com isso, pacificariam o País. A anistia tem o condão de
beneficiar aqueles que atentaram contra a democracia, principalmente o chefe
maior, Jair Messias Bolsonaro, que articulou o golpe e está preso cumprindo
pena domiciliar. Para a maioria dos nossos congressistas, esses criminosos são
bandidos de estimação que devem sair da cadeia para continuarem atentando
contra o Estado Democrático de direito?
A verdade é que vivemos um momento gravíssimo da nossa
institucionalidade. Às vésperas de uma campanha eleitoral para a renovação do
Congresso Nacional e para a escolha do presidente da República, não vemos
nenhum dos pré-candidatos falar sobre projetos que beneficiem a nação
brasileira. A pauta de quase todos é o ataque às instituições e a anistia a
golpistas. Ninguém fala em Educação, Saúde, Segurança ou Economia. Querem de
volta o poder para vingarem-se dos que os derrotaram em 2022. A gravidade se
acentua quando se faz iminente o retorno do clã Bolsonaro, um agrupamento
familiar que tem como meta a manutenção do poder como meio de vida. Urge que a consciência
dos brasileiros aflore para adentrar às urnas com juízo e responsabilidade.



