Num exercício claro de arrogância e insensibilidade política, o ex-prefeito de Princesa, Ricardo Pereira do Nascimento, em entrevista concedida a uma rádio da capital paraibana, reafirmou seu compromisso em apoiar o deputado Hervazio Bezerra em sua pré-candidatura à reeleição. Nada demais estaria contido nesse anúncio se a coisa houvesse sido feita de forma cordata, amistosa e atendendo apenas a um compromisso de amizade o que, certamente, seria compreendido como normal pelo grupo liderado pelo governador João Azevedo.
É claro que eu não tenho informações sobre o que acha o governador sobre as declarações de Nascimento. No entanto, com minha experiência e entendendo que a atividade política deve ser uma prática compartilhada, causa estranheza comportamento do ex-alcaide e, mais ainda, o silêncio do governador, de Lucas e, principalmente, do deputado Aguinaldo Ribeiro sobre essa radical posição de Nascimento quando diz que não abre mão desse apoio e que: "Se eu tiver de deixar Hervazio, eu deixo a política!" Essa declaração faz lembrar aquela música: "Quem és tu, quem foste tu...?"
Para completar, nesse rasgo de autonomia política, o ex-prefeito disse também que foi procurado por Cícero Lucena para marchar junto com ele e que recusou o convite alegando que não quer poder nem dinheiro porque é avesso à essas duas coisas. Se não ridículo, no mínimo risível quando é sabido por todos o amor que Nascimento dispensa tanto ao poder quanto ao dinheiro: ninguém ostenta essas duas coisas com mais intensidade do que ele! O problema é que Nascimento não atinou ainda para algo que é essencial, que é o pensamento dos que detêm o poder hoje. Será que o atual e o futuro governador engolirão isso? A bandeira continua hasteada, mas já está se rasgando.


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