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terça-feira, 28 de julho de 2026

Há 96 anos era assassinado, no Recife, o presidente João Pessoa

 

Recife, 17:30 horas do dia 26 de julho de 1930. Nesse fim de tarde, após um dia de compromissos na capital pernambucana, antes de partir de volta à Paraíba, o presidente João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, foi tomar chá na companhia dos amigos e correligionários, Agamenon Magalhães e Caio de Lima Cavalcanti e do comerciante Alfredo Dias, na Confeitaria Glória, situada à Rua Nova, no centro do Recife. Tinha sido um dia cheio. Logo cedo, João Pessoa foi visitar, no Hospital Centenário, o amigo e juiz Francisco Tavares da Cunha Mello que estava enfermo; depois, foi à Joalheria Krause comprar um presente, segundo comentários da época, para uma suposta sua amante, chamada Cristina Maristany.

Em seguida, compareceu à redação do jornal Diário da Manhã. Almoçou no restaurante Leite e passou boa parte da tarde no estúdio do fotógrafo Luiz Pierreck, onde se fez fotografar pela última vez. Na Confeitaria Glória, enquanto conversava descontraidamente com os amigos, adentrou ao salão daquele estabelecimento, o advogado paraibano, João Duarte Dantas e, sem que João Pessoa pudesse esboçar qualquer reação (em que pese estar armado de uma pistola, que trazia no bolso traseiro de sua calça), o assassino, munido de um revólver em punho, postou-se de frente à sua vítima e proclamou: "João Pessoa, eu sou João Dantas". Em seguida, disparou três tiros, sendo que dois deles atingiram mortalmente o presidente da Paraíba.

Sem nenhuma reação dos circunstantes, o chofer de João Pessoa, Antônio Pontes de Oliveira, que estava na calçada do estabelecimento, ao escutar os tiros e ver João Dantas sair apressado da Confeitaria, disparou um tiro de revólver contra o fugitivo que lhe atingiu, de raspão, a cabeça. Vítima desse ferimento que o fez perder os sentidos, o assassino foi imobilizado e preso por Agamenon Magalhães, que estava na companhia do presidente baleado. Houve grande tumulto e, no meio disso, conduziram João Pessoa a uma farmácia próxima, onde já chegou sem vida.

Segundo o escritor pernambucano, Joaquim Inojosa, em seu livro República de Princesa, os médicos legistas Arnaldo Marques e Theodorico de Freitas, constaram, no Atestado de Óbito do presidente morto, o seguinte: "Ferimento penetrante no tórax com lesão no coração e pulmão esquerdo. Ferimento penetrante no abdómen com lesão na artéria ilíaca. Lesões externas provocadas por projetis de arma de fogo, na região ilíaca e antebraço". Quanto ao advogado João Dantas, que estava na companhia de seu cunhado, o engenheiro Augusto Moreira Caldas, ambos foram presos e levados à Casa de Detenção e depois, à Central de Polícia onde prestaram depoimentos. Em seguida foram encaminhados ao Quartel do Derby, pelas suas condições de detentores de cursos superiores.



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