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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

DIA DA PÁTRIA

Há 204 anos era proclamada a Independência do Brasil. Efeméride mais importante do nosso calendário comemorativo nacional, o dia 7 de Setembro é a única data que é verdadeiramente comemorada em todo o Pais, de forma alegre com paradas escolares e militares que empolgam a todos em todos os recantos do Brasil, valendo a pena e justificando o dia feriado. A nossa independência ocorreu de forma muito peculiar. O Brasil é o único país da América Latina e um dos pouquíssimos no mundo que se tornou independente sem lutas ou derramamento de sangue. A ruptura incruenta foi articulada num âmbito quase familiar. Os grandes articuladores da nossa emancipação em relação a Portugal não foram militares nem diplomatas, mas sim a princesa Leopoldina (esposa de Dom Pedro I) e o estadista brasileiro José Bonifácio de Andrada e Silva, grande articulador do movimento, o que lhe valeu o epíteto de "Patriarca da Independência" e, mais tarde, por seu decisivo papel no processo emancipatório recebeu, em 11 de janeiro de 2018, através da Lei n° 13.615/2018, o título oficial de "Patrono da Independência do Brasil".

                                  O Grito do Ipiranga

O chamado "Grito do Ipiranga" foi dado em situação bastante inusitada e inesperada quando Dom Pedro, Príncipe Regente, se encontrava em viagem de reconhecimento pelo interior do Brasil, na então Província de Piratininga (atual São Paulo). Conta-se, a boca pequena, que o Príncipe buscava mesmo era os braços de sua amada a Marquesa de Santos que ali residia e que, alimentado de iguarias a que não estava acostumado, foi acometido de uma indisposição intestinal, o que lhe causou séria disenteria. Nesse estado de saúde, no momento em que estava obrando, o príncipe recebeu mensagem escrita da esposa Leopoldina, dando conta de que as Cortes Portuguesas exigiam seu imediato retorno a Portugal e que, a partir dali, o Brasil seria considerado novamente como Colônia e não mais como membro efetivo do Reino Português ao lado de Algarves. Incomodado com a caganeira e irritado com o comunicado, arrancou de seu chapéu as fitas com as cores de Portugal e gritou ainda acocorado: "Independência ou Morte!".

                                              A história

Na verdade, a Independência do Brasil se deu de forma muito pacífica e incomum. Podemos dizer que não houve independência alguma, pois o País era comandado pelo herdeiro do trono português e, quando da saída do rei Dom João VI do Brasil, em retorno para Portugal, este recomendou ao filho: "Se o Brasil se separar de Portugal, antes seja para ti que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros". Se compararmos com outros países talvez tenha sido, o Brasil, a única grande Nação que nasceu de um parto doméstico, pois o proclamador de sua independência foi um português que já governava o País e, após a separação de Portugal, continuou governando da mesma forma que vinha fazendo antes, sem nenhuma ruptura ou modificação. Todo o processo aconteceu na maior calmaria sem nenhuma solução de continuidade. Apenas três das dezessete províncias (Pará, Maranhão e Bahia), registraram alguma resistência quanto à nova ordem, o que foi sufocado com facilidade pelo duque de Caxias.

Estranhamente - tal como aconteceria mais tarde (1889) por ocasião da Proclamação da República -, o povo só tomou conhecimento da nova situação quando tudo já estava consumado. O inusitado da Independência se repetiria com a proclamação da República, em 1889, que também aconteceu à revelia do povo. Isso demonstra a passividade do povo brasileiro que, desacostumado a resolver suas próprias coisas, em seu conformismo, quando instado a fazer suas escolhas, no mais das vezes, dá com os burros n'água. Mesmo já completando mais de 200 anos da Independência, estamos todos ainda deitados em berço esplêndido. Mesmo assim, Viva o Brasil, para que viva o povo brasileiro.



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