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terça-feira, 13 de outubro de 2026

A síndrome do "sapato alto"

 

Antes era Lula, agora é Flávio. Desde o início da campanha eleitoral todos davam como certa – inclusive os da oposição – a vitória de Lula nas eleições deste ano. Era tanto, que nem candidato o grupo bolsonarista tinha. Ninguém queria ser o indicado, ninguém brigava por isso. Aliás, nem candidato a compor a chapa como vice havia. Em face desse impasse, o ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou seu filho, Flávio, que até admitiu estar pronto para negociar. Enquanto isso, Lula, de sapato alto, navegava em céu de brigadeiro esperando só o momento de comemorar a vitória.

Líder em todas as pesquisas Lula foi para as urnas e deu no que deu: Flávio Bolsonaro ganhou o primeiro turno. Iniciada a campanha do segundo turno – o que os analistas dizem ser outra eleição –, Lula corre atrás do prejuízo, mobiliza a militância que toma as ruas do Brasil e já há quem diga que a diferença entre os dois candidatos diminuiu. Agora, quem está de sapato alto é o Flávio quando até ministro já está escolhendo. É como se a militância do PT estivesse adormecida e foi acordada pelo impacto da derrota. Já a turma do bolsonarismo, agora atônita com a reação dos adversários, está feito crioulo doido em meio a tiroteio.

Em face dessa situação ninguém sabe o que ocorrerá no próximo dia 25. É certo que Flávio Bolsonaro parte na vantagem. No entanto, caso essa mobilização popular promovida pela esquerda surta o efeito de trazer para votar aqueles que não votaram no primeiro turno; incentive os jovens a comparecer e transforme os votos nulos em votos válidos, poderá sim, haver uma mudança favorável a Lula. Resta saber ainda qual providência os bolsonaristas tomarão com relação a essa reação petista. Afinal de contas, faltam ainda duas semanas para a eleição e, salto alto, dificulta subir escadas.



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