Embalando sua pré-candidatura a deputado estadual, o médico
Aledson Moura, nas entrevistas que tem concedido aos vários meios de
comunicação no Estado, tem dito que suas principais bandeiras eleitorais serão
a Saúde e a criação de Empregos e Renda. Na saúde, Moura tem como prioridade a
reestadualização do Hospital Regional de Princesa, para que o nosso município
volte a ser protagonista e promova um atendimento médico-hospitalar de
qualidade, deixando de ficar a reboque de cidades como Piancó e Taperoá.
No tocante à criação de Empregos e Renda, o futuro deputado,
Aledson Moura, afirma que encetará gestões junto ao Governo do Estado e ao
setor empresarial, para a consecução de financiamentos, incentivos e instalação
de serviços que possibilitem a criação de emprego e renda, principalmente, para
os jovens da nossa região. Segundo Moura, “Essas
são iniciativas importantes que trarão Princesa de volta ao cenário das cidades
que se desenvolvem. Afinal, o que precisamos mesmo é de um representante na
esfera estadual que possa nos representar. Princesa é a única cidade-polo que
não tem um representante na Assembleia Legislativa”, disse o doutor
Aledson.
O que se tem observado na política de Princesa, ultimamente,
é o mesmo que aconteceu, ano passado, em relação ao candidato a vereador da
preferência do prefeito Ricardo Pereira do Nascimento. O que se vê nas redes
sociais é um movimento de promoção pessoal nunca visto, do atual secretário de
Finanças, Fábio Brás. É claro que isso jamais aconteceria sem a anuência do
prefeito. Será que será, Brás (o tesoureiro), o candidato à sucessão de
Nascimento? Os movimentos evidenciam que sim.
Ultimamente, o brilhante tesoureiro, como se fora um agente
político de primeira grandeza, se fez fotografar ao lado do governador,
dando-lhe boas-vindas e agradecendo os investimentos em Princesa; parabenizou
feirantes pelo seu dia e, no último périplo do prefeito por Brasília, Brás foi
seu acompanhante de luxo, com direito a fotografias junto às autoridades
federais. Diante de tudo isso, fica uma pergunta no ar: Será que Nascimento vai
fazer, com o Brás do dinheiro, o mesmo que fez com irmão vereador? Ou seja,
funcionar a máquina administrativa em seu favor?
Esse quadro provoca outras perguntas. O que fez ou faz, o
secretário de finanças, para merecer tanto? E José Pereira Neto, filho do maior
avalista político [Aloysio Pereira] do prefeito, o que acha disso? E o senhor
vice-prefeito, José Casusa, concorda com essa preferência? Sem falar no
ex-marido da câmara, fiel escudeiro de Nascimento, que também está sendo preterido,
incluímos nesse meio os vereadores que ralaram para ser eleitos e agora são
postos em segundo plano. É clara, a preferência do prefeito, que está
aproveitando enquanto Brás é tesoureiro, mas tem de ter cuidado senão, os
demais, botam nele como a vaca botou em mestre Alfredo.
Na última quinta-feira (26/08), após reunião com os
secretários e a procuradoria jurídica do município, o prefeito Coco de Odálio,
anunciou que, em breve, realizará concurso público para o preenchimento de
vagas no serviço público daquele município. Com o intuito de melhorar os
serviços prestados pelo município, o que terá também o condão de gerar
empregos, Coco afirmou: “Estamos em
processo de organização do serviço público, e com isso, daremos também
oportunidade de emprego aos nossos jovens”.
Revelando-se um dos parlamentares mais atuantes da Câmara
Federal, o deputado paraibano, Efraim Filho (DEM/PB), líder da bancada dos
Democratas naquela Casa Legislativa, se destaca agora na defesa do emprego dos
brasileiros. Projeto de Lei nº 2.541/21, de sua autoria, determina a
prorrogação da desoneração da folha de pagamento dos empregados de vários
setores da economia nacional até dezembro de 2016.
Em defesa de sua propositura, Efraim afirmou: “Diante dos benefícios que a medida oferece
para os inúmeros setores e para o desenvolvimento do País, em comparação com os
custos fiscais para a manutenção da medida, o impacto é relativamente baixo”. O
deputado paraibano acrescentou que “essa
medida tem o condão de garantir o aumento da competitividade econômica, bem
como estimular a geração de emprego e renda”.
Somada à grande capacidade de articulação política que vem
demonstrando nos últimos meses, a profícua atuação parlamentar de Efraim Filho
o credencia cada vez mais em sua postulação a uma cadeira no Senado Federal
representando a Paraíba. Para os princesenses isso se constitui num alento. Em
face da parceria de Efraim com o pré-candidato a deputado estadual, doutor
Aledson Moura – genuíno representante de Princesa -, isso se traduz numa
esperança de melhores dias para toda a região..
Ingres foi aluno de
Jacques-Louis David (1748-1825), figura central do neoclassicismo francês.
Ainda jovem, afirmou-se recebendo importantes encomendas oficiais do regime
napoleônico. Em 1806 viajou a Roma, onde permaneceu até 1820, quando se mudou
para Florença. Na Itália, tornou-se um dos retratistas mais requisitados.
Voltando a Paris, em 1824, consagrou-se líder da escola clássica francesa.Além da fácil contraposição entre Ingres,
clássico e desenhista, e Delacroix (1798-1863), moderno e colorista, os
inúmeros desenhos mostram como Ingres possuía uma enorme erudição, que se
estendia desde a pintura dos vasos gregos até a arte maneirista. Ele soube
reunir todas essas referências em suas composições por meio do desenho,
pensando de forma puramente decorativa, ou seja, em função do equilíbrio formal
e sem preocupações naturalistas. É o caso de Angélica acorrentada (1859), em que o artista modifica as
proporções e os volumes do corpo para alcançar o efeito dramático desejado. A
obra remonta ao poema épico Orlando
furioso (1516), em que a heroína é salva por Ruggiero do monstro marinho ao
qual foi oferecida em sacrifício. O monstro é cegado pelo raio de luz que sai
do escudo mágico do herói. O cavaleiro pagão salva Angélica e ganha, então, o
seu amor. (Extraído do Guia do MASP – Museu de Arte de São Paulo).
É saber de todos que o senador, Tasso Jereissati (PSDB/CE),
se apresenta como pré-candidato à presidência da República nas eleições que
acontecerão no próximo ano. Por isso, foi por todos considerado muito estranho
o encontro do presidenciável e senador cearense com o ex-presidente Lula, no
último domingo, ocorrido em Fortaleza. Não se sabe o que conversaram. Porém, a
esquisitice persiste, uma vez serem, os dois, quadros importantes dos dois
partidos (PT e PSDB), que antagonizam na política brasileira desde 1994.
É notória a polarização da pré-disputa eleitoral, em busca da
principal cadeira do Palácio Planalto, entre Lula e o presidente Jair
Bolsonaro. É certo também que as atuais pesquisas de opinião, indicam ampla
vantagem para o pré-candidato do PT. Talvez isso seja o motor para que
políticos representantes da chamada “terceira via” – quase todos adversários do
presidente da República -, confabulem com Lula por nele veem a real
possibilidade de impedir uma reeleição de Bolsonaro.
É claro que Jair Bolsonaro detém ainda um naco importante do
eleitorado brasileiro; algo em torno de 30%, principalmente nas regiões Norte,
Sul e Centro-Oeste. Lula se viabiliza eleitoralmente mais no Nordeste e vem
crescendo no Sudeste. Além do que indica esse cenário - no caso do senador
Jereissati, contribui também, para essa aproximação, além do panorama que
favorece a polarização acima citada, a declaração do ex-presidente, FHC, que
admite sim, votar em Lula num eventual segundo turno, se o outro candidato for
Bolsonaro.
Mais uma consequência nefasta, produto da irresponsável
municipalização do Hospital de Princesa, mostra agora sua cara. O programa do
Governo do Estado: “Opera Paraíba”, que funciona plenamente em todas as sedes
de Regiões Geoadministrativas do Estado, deixa o município de Princesa órfão
desse importante benefício.
No próximo mês, mais de 50 idosos de Princesa e região, terão
de se deslocar daqui para a cidade de Taperoá, no Cariri paraibano, para se
submeterem a cirurgias de catarata. Não fora a municipalização do Hospital
Regional de Princesa, esses procedimentos cirúrgicos estariam sendo realizados
aqui em Princesa.
Fruto da irresponsável insensibilidade do prefeito Ricardo Pereira
do Nascimento, quando municipalizou o Hospital Regional, está o nosso município
privado de vários benefícios no campo da saúde, o que é extensivo – enquanto
penalidade -, a todos os habitantes da região polarizada por Princesa.
O depoimento do empresário Roberto Pereira Ramos Júnior, na
CPI da Covid-19, ontem (25/08), foi simplesmente estarrecedor, tanto pelas
mentiras proferidas, quanto pelos números apresentados. Inquirido pelo senador
Renan Calheiros, relator da CPI, o senhor Roberto Ramos, sobre a empresa que
representa, este respondeu chamar-se FIBE BANK. Sobre o patrimônio da firma da
qual é diretor-presidente, Ramos informou ser de 7,5 bilhões de reais, com um
faturamento anual de apenas 650 mil reais.
Essas perguntas, feitas a propósito, todas já tinham
respostas através de prévias investigações dos senadores membros daquela CPI.
Já sabiam, os parlamentares, que a empresa que deu garantias de 80 milhões de
reais para a compra de 200 milhões de doses da vacina covaxin, que custaria 1,6
bilhões de reais aos cofres públicos, não poderia fazê-lo por não ser banco
tampouco instituição financeira ou de crédito.
Na sequência, os senadores mostraram que os imóveis que
formavam o patrimônio do FIBE BANK – terrenos localizados nos estados do Paraná
e de São Paulo -, avaliados (segundo Ramos), em 7,5 bilhões de reais,
simplesmente não existiam e que, no quadro societário da empresa, constavam
dois “laranjas”, que lutam na Justiça para retirar seus nomes dessa tramoia.
Por fim, ficou constatado que a firma comandada por Roberto Ramos, não poderia
ser fundo garantidor de crédito.
Tudo isso aconteceu com o aval dos técnicos do Ministério da
Saúde, que aceitaram o contrato de garantia de uma empresa que sequer existe
formalmente. Além dessas falcatruas descobertas pela CPI, ficou clara a influência
do deputado, Ricardo Barros, líder do governo Bolsonaro na Câmara Federal, como
facilitador para que o FIBE BANK tivesse acesso ao Ministério da Saúde com a
finalidade de participar dessa negociata, que não chegou a termo graças às
investigações da CPI da Covid-19
No início dos anos 1950, uma jovem brasileira que morava na Bélgica, onde o seu pai trabalhava como diplomata, participou de um concurso de canto lírico que tinha como prêmio uma bolsa de estudo no renomado conservatório musical Accademia di Santa Cecilia, em Roma. A moça acabou conseguindo o prêmio e foi estudar no conservatório, onde ficava pela manhã e, no resto do dia, era interna em um colégio de freiras. Só saía para passear pela cidade nos finais de semana.
Em um desses passeios, a jovem se deparou com uma filmagem que estava sendo realizada e ficou olhando a cena maravilhada. Sua presença despertou a atenção do jovem diretor do filme,
que se aproximou e perguntou se ela não queria participar da película. A moça concordou, mas disse que somente estaria disponível nos finais de semana. Ficou de aparecer no set na semana seguinte. No dia combinado, a jovem chegou ao local da filmagem trazendo um violão. O diretor, surpreso, perguntou por que ela havido trazido o instrumento. A moça disse que soube que ele gostava de música e passou a cantar — acompanhada do violão — uma música do folclore brasileiro.
Foi assim que a jovem de nome Vanja apareceu no filme, no papel da cigana Moema, tocando violão e cantando “Meu limão, meu limoeiro”, uma conhecida canção popular do Brasil. Aquele era o primeiro filme do jovem diretor de nome Federico Fellini, que depois viria a se tornar um dos mais importantes cineastas de todos os tempos. O filme “Luci del Varietá” (no Brasil: “Mulheres e Luzes”) foi conjuntamente produzido e dirigido pelo iniciante Fellini e pelo já experiente Alberto Lattuada. Anos depois, Fellini, falando sobre o filme, diria que tanto ele como Lattuada se sentiam orgulhosos com aquela realização. Foi assim, em alto estilo, fruto de uma casualidade, que a carioca Vanja Orico, filha do político, escritor e acadêmico paraense Osvaldo Orico, estreou no cinema, como atriz e cantora, atividades que ela exerceria pelo resto da sua vida.
Como consequência do filme “Luci del Varietá”, Vanja Orico foi convidada a fazer, na Itália, a sua primeira gravação em um disco de 78rpm (com uma música de cada lado) com “Meu limão, meu limoeiro” e “Coplas” (uma canção que ela própria compôs aproveitando um tema do poeta espanhol Federico Garcia Lorca). A partir de então, Vanja começou a participar de programas no rádio e na televisão italiana e fazer apresentações em Paris, em Portugal e na Bélgica. Por aquela época, ela veio ao Brasil para recitais no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que tiveram a participação do respeitado pianista e compositor brasileiro Francisco Mignone.
Com a repercussão do seu trabalho no filme de Fellini e Lattuada, Vanja Orico foi escolhida para um dos papéis principais do filme “O Cangaceiro”, do diretor Lima Barreto. “O Cangaceiro” foi o primeiro sucesso internacional do cinema brasileiro. Levado ao Festival de Cinema de Cannes, em 1953, “O Cangaceiro” obteve o Prêmio de Melhor Filme de Aventura e recebeu elogios do presidente do júri,
o cineasta e poeta Jean Cocteau. A trilha sonora da película também recebeu uma menção especial no festival de Cannes. “O Cangaceiro” tem nos seus créditos a escritora Rachel de Queiroz como autora dos diálogos, o pintor Carybé na cenografia e o compositor Adoniram Barbosa como ator.
“O Cangaceiro” obteve êxito mundial. Ficou cinco anos em cartaz na França e foi exibido em mais de 80 países. Segundo depoimento de Vanja Orico, “O Cangaceiro” teria dado à distribuidora norte-americana Columbia um faturamento muito maior do que o que fora conseguido pelo filme "A Ponte Do Rio Kwai", uma das películas de maior bilheteria naqueles anos. Estima-se em 50 milhões de dólares a arrecadação internacional do filme, que ficou, integralmente, com a empresa norte-americana. Lima Barreto (o diretor da película) morreu, em 1982, pobre e esquecido, em um asilo de São Paulo.
O disco com as músicas de “O Cangaceiro”, lançado na França, com destaque para a interpretação de Vanja Orico para a música “Mulher Rendeira” obteve grande vendagem e alavancou a carreira dela como cantora. “Mulher Rendeira” é uma toada popular adaptada por Alfredo Ricardo do Nascimento, paraibano de Cajazeiras, que adotou o nome artístico de Zé do Norte. A música (na trilha do filme também interpretada pelo conjunto vocal Demônios da Garoa) é um tema recolhido nos sertões nordestinos, de origem incerta, da mesma forma que a canção Asa Branca, que foi adaptada por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, embora alguns atribuam a autoria de “Mulher Rendeira” ao cangaceiro Lampião.
“Mulher Rendeira” se tornou uma das músicas brasileiras mais conhecidas em todo o mundo, com regravações insólitas, como a de The Shadows, banda instrumental inglesa de grande sucesso nos anos 1960 (a dos hits Apache e Man of Mistery ). No disco com as músicas do filme “O Cangaceiro”, Vanja cantava, além de “Mulher Rendeira”, a canção “Sodade, meu bem Sodade”, de Zé do Norte. O paraibano Zé do Norte interpretava outras duas músicas de sua autoria, “Meu Pinhão” e “Lua Bonita”.
Para divulgação do filme, a distribuidora Columbia programou apresentações de Vanja Orico em várias partes do mundo que incluíram, mesmo em pleno auge da Guerra Fria, a União Soviética e países do então bloco socialista. Vanja Orico se tornou, na época, a artista brasileira mais conhecida internacionalmente, situação só comparável àquela alcançada, antes, por Carmem Miranda. Após “O Cangaceiro”, Vanja participou de filmes na Espanha e na Alemanha e, paralelamente, desenvolveu a sua carreira como cantora fazendo shows e gravando discos na Europa e no Brasil.
O sucesso de “O Cangaceiro” fez com que se iniciasse no cinema brasileiro o que se denominou o “Ciclo do Cangaço”, uma espécie de western tupiniquim, um “Nordestern”, com filmes utilizando temáticas baseadas no banditismo que assolou, na primeira metade do século passado, os sertões nordestinos.
Vanja Orico atuou, além de “O Cangaceiro”, em mais três filmes nessa linha, “Lampião, rei do cangaço” (1965), “Cangaceiros de Lampião” (1967) e “Jesuíno Brilhante, o cangaceiro” (1972). Os quatro filmes de temática de cangaço que tiveram a participação de Vanja Orico fizeram com que ela fosse chamada a Musa do Cangaço.
A carreira internacional que Vanja Orico desenvolveu a obrigava a constantes viagens para o exterior, o que fez com que o jornalista Sergio Porto (Stanislaw Ponte Preta) criasse nas suas crônicas a expressão “Vanja vai, Vanja vem”, significando tempo decorrido, locução que foi usada como título de um espetáculo que Vanja fez, no Rio de Janeiro, com o ator Grande Otelo.
Vanja Orico sempre adotou um rigoroso critério na escolha das canções que interpretava. Poucas cantoras brasileiras tiveram a qualidade do seu repertório. Nos seus primeiros discos (mesmo os gravados no exterior) alternavam-se músicas folclóricas com canções de compositores como Dorival Caymmi, Joubert de Carvalho e Luís Bonfá. Vanja foi uma das primeiras intérpretes a gravar a dupla Tom Jobim e Vinícius de Moraes, ainda na fase anterior à bossa-nova (“Eu não existo sem você”), e foi ela quem fez as primeiras gravações das músicas “Opinião” e “Acender As Velas”, do sambista Zé Kéti, que, depois, ficaram vinculadas ao nome da cantora Nara Leão.
O cuidado na escolha das canções que ia cantar e gravar permaneceu até os últimos discos que foram feitos por Vanja Orico, como, por exemplo, o que gravou com a participação do Quinteto Violado, em que foram incluídas músicas de Dorival Caymmi, uma pouco conhecida canção de Geraldo Vandré (“Chaquito”), Capiba, João do Vale, Carlos Lira e Luis Bonfá. Atualmente, a discografia de Vanja Orico só é encontrável em sites e blogs. A plataforma streaming Spotify apenas disponibiliza um disco com seleção das suas primeiras gravações e um EP com quatro músicas da trilha do filme “L'ombre sous la mer” (com a atriz Sophia Loren).
Um episódio marcou a vida de Vanja Orico e fez com que ela tivesse que deixar, por algum tempo, o Brasil. Em outubro de 1968, uma manifestação de estudantes que estava sendo realizada na frente do Hospital das Clínicas, no Rio de Janeiro, foi reprimida violentamente pela polícia, com um saldo trágico: a morte do acadêmico de medicina Luís Carlos da Cruz, de 21 anos, ferimentos à bala em outros seis estudantes e a invasão do hospital pelos policiais, causando pânico entre os pacientes.
No dia seguinte, um grande cortejo, com a participação de estudantes e artistas, dirigia-se ao cemitério do Caju, para o sepultamento do estudante assassinado, quando foi dispersado pela polícia com disparos de metralhadora, resultando em mais dois mortos. Para evitar um massacre, Vanja Orico, que participava da passeata, se colocou à frente dos manifestantes, ajoelhou-se no meio da rua e gritou para os militares: “não atirem, somos todos brasileiros”. A atriz foi retirada, à força, do local, sob golpes de cassetetes e levada presa. Como Vanja Orico era um nome conhecido internacionalmente, as fotos estampando a brutalidade dos militares contra ela foram publicadas nos principais jornais do mundo. Três dias depois, ela foi solta.
Pouco tempo depois, a situação no País se agravaria. Em 13 de dezembro de 1968, o regime militar editaria o mais autoritário e ditatorial dos seus atos, o famigerado Ato Institucional nº 5. O Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas estaduais foram fechados, mandatos parlamentares cassados, direitos civis foram suspensos, inclusive de três ministros do STF, foi extinto o habeas corpus para delitos políticos e estabelecida a censura nos rádios, jornais e televisões. Muitas pessoas foram presas, entre elas Carlos Lacerda, um dos principais líderes civis do golpe militar de 1964, o velho advogado e arraigado anticomunista Sobral Pinto, o ex-presidente Juscelino Kubitscheck (que chegara a votar no general Castelo Branco na sua eleição indireta para Presidente), escritores e artistas, como Gilberto Gil e Caetano Veloso. Começava a Ditadura Escancarada, conforme o jornalista Elio Gaspari denominou o período, em um título de um dos seus livros.
Em virtude da situação por que passava o País e da sua posição política, Vanja Orico resolveu deixar o Brasil, fixando residência em Paris. Depois de passar algum tempo no exterior, retornaria ao Rio de Janeiro, retomando a sua carreira de atriz e cantora, mas sem o destaque que, anteriormente, alcançara. Participou de filmes, fez roteiros para outros, e dirigiu uma película.
Como cantora, nas suas apresentações e nos discos que gravou na sua volta para o Brasil, Vanja Orico manteve sempre uma alta qualidade na escolha do seu repertório, sem nunca fazer concessões comerciais. Pela grande projeção que teve, como atriz, cantora e cidadã, durante pelo menos duas décadas, é inconcebível que o seu nome seja omitido nos livros que tratam da história da música popular brasileira na segunda metade do século passado.
A Musa do Cangaço, como ficou conhecida, morreu no Rio de Janeiro, em 2015, aos 83 anos.
Os governadores do Nordeste participam, nesta quarta-feira (25), do lançamento do Programa Nordeste Acolhe, pelo Consórcio Nordeste, que destinará um auxílio social de R$ 500 mensais, a ser pago em cada um dos nove estados da Região, aos filhos que ficaram órfãos devido à morte de pais ou responsáveis por Covid-19 até o alcance da maioridade civil. O evento contará com a presença do governador João Azevêdo (Cidadania) e demais governadores, e ocorre no Centro de Convenções em Natal (RN).
O Programa Nordeste Acolhe é uma iniciativa da Câmara Temática da Assistência Social, composta pelas secretárias e secretários de assistência social dos nove estados da região e foi inspirado na experiência do Estado do Maranhão. É uma ação voltada à promoção de ações de proteção social às crianças e aos adolescentes em situação de orfandade em decorrência da Covid-19, no campo da política pública de assistência social integrada. Somente na Paraíba, mais de 740 pessoas estão órfãs de pai e mãe devido à Covid-19 e terão direito ao auxílio.
O Nordeste Acolhe estabelece diretrizes para as ações dos estados consorciados de proteção social às crianças e adolescentes em situação de orfandade, seja bilateral ou de famílias monoparentais, em situação de vulnerabilidade e risco pessoal e social, com ações sobretudo nas áreas da saúde, educação e trabalho, com respeito às especificidades dos estados.