ODE

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Senador Efraim Filho emite Parecer favorável à PEC que beneficia Guardas Municipais e Agentes de Trânsito

 

No dia 12 de junho último, antes de licenciar-se para emprestar apoios aos seus correligionários nas campanhas eleitorais nos municípios paraibanos, o senador Efraim Filho (UB), protocolou Relatório, junto à CCJ - Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, com parecer favorável à PEC nº 37/2022 que inclui os Guardas Municipais e Agentes de Trânsito entre os órgãos que compõem a Segurança Pública. A PEC é de iniciativa do senador Veneziano Vital (MDB), relatada por Efraim, líder do União Brasil naquela Casa Legislativa.

Segundo o senador Efraim, os Guardas Municipais e os Agentes de Trânsito integram o Sistema de Segurança Pública e devem ter esse reconhecimento, no que poderão ser contemplados com maior capacidade de trabalho e, principalmente, com a efetiva elevação ao status de membros da Segurança Pública com todas as garantias e direitos necessários. "É preciso cuidar de quem cuida da gente", disse Efraim. Aprovada na CCJ, a PEC deverá ser encaminhada para apreciação no Plenário do Senado Federal.



FRASES FAMOSAS

"Esta é uma casa que por infelicidade se procura, mas por felicidade se encontra"

ALCIDES CARNEIRO EM DISCURSO NA INAUGURAÇÃO DO HOSPITAL DO IPASE NO RIO DE JANEIRO

"Disputei quatro eleições: duas políticas e duas literárias. Nas duas políticas eu perdi e nas literárias eu ganhei. Nas quatro vezes, os eleitores se enganaram"

ALCIDES CARNEIRO EM DISCURSO DE POSSE NA ASSOCIAÇÃO DAS ACADEMIAS DE LETRAS

"A vida do homem público é difícil. Se nomeia os parentes, todo mundo diz: Só se lembra dos seus. Se não os nomeia, todo mundo diz: É tão ruim que nem dos parentes lembra!"

ALCIDES CARNEIRO EM DISCURSO DE POSSE COMO PRESIDENTE DO IPASE



Rumo ao "Selo UNICEF", o município de Tavares cumpre 100% bain das atividades

 

Em busca de ser contemplado, mais uma vez, com o cobiçado "Selo UNICEF", o município de Tavares acaba de receber o Selo Dourado por haver cumprido 100% das atividades necessárias para concorrer ao prêmio máximo, concedido aos municípios que proporcionam as melhores condições de vida às Crianças e aos Adolescentes em comprovação de seu compromisso com esse segmento da sociedade tavarense.

O reconhecimento, obtido através das ações desenvolvidas pelas Secretarias de Saúde, Educação e Assistência Social, fortalece as políticas públicas, atrai mais recursos para a realização de projetos sociais, promovendo mais qualidade de vida aos munícipes, o que deverá ter o resultado divulgado em novembro próximo. "Em sintonia com meus principais auxiliares, envidamos os esforços necessários para sermos agraciados com o Selo UNICEF", afirmou o prefeito Coco de Odálio.



quarta-feira, 3 de julho de 2024

A Casa do Coronel Zé Pereira

A Casa do Coronel José Pereira Lima, que era situada à Rua "Coronel Marcolino" foi testemunha de muita história e de muitos acontecimentos importantes da vida princesense. O imóvel, construído no início do século XX (foto acima) para abrigar os recém-casados José Pereira e Xandu, viu ali nascerem os vários filhos do casal, dos quais somente dois vingaram: Luizinha e Aloysio. Foi também naquela casa que se hospedaram várias autoridades estaduais, a exemplo dos presidentes (governadores) Solon de Lucena e João Suassuna (na década de 1920), e João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque em fevereiro de 1930.

Além de contar com vasta e rica biblioteca, a casa do coronel sediava também saraus literários que contavam com a presença dos muitos intelectuais que, na efervescente década de 1920, povoavam Princesa, a exemplo do poeta e professor Waldemar Emygdio de Miranda; do escritor Érico de Almeida; do maestro Joaquim Leandro de Carvalho e dos intelectuais e políticos, Belarmino Medeiros, Zacharias Sitônio, Adriano Feitosa, Richomer Barros, Severino Loureiro, dentre outros. A residência do Coronel serviu também de local para hospedar os membros das Companhias de Teatro que vinham se apresentar no "Theatro Princesa", oriundas do Recife e de outras cidades.

Depois da "Guerra de Princesa", a antiga residência do Coronel foi invadida pela polícia paraibana, comandada por seus adversários, e transformada em cadeia para a detenção de alguns correligionários de Zé Pereira. Retornando do exílio, o Coronel, talvez desgostoso pelos transtornos por que passou sua antiga casa durante sua ausência, não mais ali quis morar, cedendo como empréstimo, aquele imóvel, para os frades Carmelitas que haviam acabado de chegar a Princesa. Alojaram-se, os padres, naquele imóvel, provisoriamente, o que mais tarde foi definitivamente vendido à Ordem Carmelita e transformada, aquela casa, em Convento dos Frades Carmelitas.

Na década de 1970, esses mesmos frades promoveram uma reforma total naquele imóvel que foi, sem dúvida, um marco histórico e arquitetônico da cidade, descaracterizando-o completamente em sua original e bela arquitetura, restando apenas esse registro fotográfico daquele prédio que foi tão importante para a nossa história. Vale a pena registrar que, malgrado a grande contribuição dos frades carmelitas à Educação da nossa cidade, se destacaram também como o maiores predadores do nosso patrimônio histórico quando além de destruir a Casa do Coronel, derrubaram também a antiga Igreja; a Igreja do Rosário; o Colégio das Freiras, levando de rolo a demolição de vários prédios do nosso casario antigo.



Sucinto balanço do longo governo de Nascimento

 

A atual administração pública de Princesa iniciou com a promessa de transformar o município num paraíso. Passados quase oito anos, o que vemos é uma redoma dourada por fora, mas apodrecida por dentro. Fechou o que tinha de fechar: Hospital São Vicente de Paulo; 11 Escolas; Anfiteatro "Manoel Marrocos"; Museu "Zacharias Sitônio", dentre outras pequenas atividades. Atrasou o que tinha de atrasar: salários dos contratados e prestadores de serviços; fornecedores; motoristas, etc. Comprou o que tinha de comprar: veículos de luxo; apoiadores; caráteres e mais.

A propaganda midiática de Nascimento é perfeita, no entanto, a realidade é outra. A maior fragilidade da atual gestão está na Saúde. Setor prioritário por que lida com vidas, em sua negligência e irresponsabilidade, vem promovendo, quase diariamente, uma verdadeira tragédia. Já se constatou morte de crianças recém-nascidas no hospital que o alcaide municipalizou; mulheres judiadas em cirurgias feitas por quem não sabe fazer; falta de medicamentos essenciais; atendimentos precários nos Postos de Saúde; médicos incompetentes, enfim, uma verdadeira tragédia!

A tônica da administração de Nascimento é a mentira e a arrogância. Mentira quando diz que tudo vai de vento-em-popa, que é o melhor prefeito da história de Princesa e que tudo faz pelo bem do povo. Arrogância quando não aceita o contraditório e quando se diz o salvador da pátria escondendo o lixo para debaixo do tapete: quem não sabe que muitos servidores trabalham sem receber um salário que é menor do que o Salário Mínimo? Quem não sabe das estripulias contábeis e financeiras que promovem a prosperidade do chefe e dos seus asseclas?

Basta um rápido olhar, uma rápida busca para constatarmos essa realidade. Como podemos ter uma Educação de excelência se os alunos das nossas Escolas Municipais, cursando 5ª e 6ª séries não sabem ler nem escrever? Como pode ser de qualidade uma Educação que nem mesmo seus condutores nela acreditam quando põem seus filhos para estudarem no estado de Pernambuco? Na verdade, o que existe é um governo de fancaria que se olha no espelho e se acredita salvador da pátria quando se diz ungido por um deus que eles mesmos inventaram para enganar os incautos. Governar é uma arte, porém, esse aí, é artista demais...



terça-feira, 2 de julho de 2024

De vento em popa a pré-candidatura de Arley Moura

Mais um nome de peso se apresenta como pré-candidato a vereador nas eleições de 6 de outubro em Princesa. É o bacharel em direito Arley Moura, irmão dos doutores Aledson e Alan Moura. Combativo e corajoso que é, Arley fará diferença na Câmara Municipal de Princesa. Seu nome já está sendo divulgado através das redes sociais e, em breve, acontecerá o lançamento oficial de sua candidatura. Compromissado com a seriedade no trato com a coisa pública, Arley Moura soma com a pré-candidatura de Rúbia Matuto. "Prá fazer a diferença, resolvi submeter meu nome ao julgamento popular e vamos, firmes, representar os interesses do povo de Princesa!", disse Arley Moura.



Motocicleta locada pela Câmara Municipal de Princesa gasta mais de 2 mil reais de gasolina durante um mês

 

Conforme Nota de Empenho nº 0000135, de 30/03/2024 (acima exposta), a Câmara Municipal de Princesa dispendeu, durante o período de 1° de março até o dia 30 daquele mês, a importância de R$ 2.453,18 (DOIS MIL, QUATROCENTOS E CIQUENTA E TRÊS REAIS E DEZOITO CENTAVOS) com a compra de gasolina para abastecer uma moto Honda Bros ESDD, cor vermelha, ano 2021/22, placa ROF5D94, a serviço daquela Casa Legislativa durante o mês de março deste ano de 2024. Essa é uma demonstração da continuidade da atual administração porque, nada supera o trabalho!



segunda-feira, 1 de julho de 2024

Mais um caso suspeito de negligência médica no Hospital Regional de Princesa

Desta vez se trata do resultado de um parto cesariana numa mulher residente no bairro da Várzea da cidade de Princesa. A notícia que nos chega é de que, a parturiente, depois de ser submetida a uma cirurgia cesariana no Hospital Regional "Deputado José Pereira Lima", na convalescença do puerpério, apresentou febre, dores abdominais e passou a ser medicada, naquele nosocômio, em desobediência aos critérios necessários quanto aos sintomas que apresentava e à gravidade de seu quadro clínico.

Agravado mais ainda esse quadro, a paciente foi transferida para a cidade de Patos e, lá, segundo informações da própria família da parturiente, constatou-se infecção grave dos pulmões, rins e de outros órgãos vitais. Aberta, a mulher, para nova cirurgia, segundo informações colhidas, havia fezes em sua cavidade abdominal. Há suspeitas de que o intestino da paciente foi perfurado, mas nada ainda oficialmente confirmado. A realidade é que a situação da paciente é grave e, a mesma, se encontra em coma induzido e sob observação quanto à evolução do quadro.

Não é esta a primeira nem a segunda ocorrência de erros médicos no Hospital Regional de Princesa. Em situações anteriores, já houve até óbito de recém-nascidos, sem falar em vários casos de pessoas que se viram prejudicadas em seus tratamentos. A culpa dessas negligências deve ser debitada na conta do gestor municipal quando deixa de contratar profissionais experientes em opção por médicos recém-formados. O que se comenta é que a negligência se observa também no pagamento dos profissionais médicos o que vem causando a submissão àqueles desprovidos de experiência.

O certo é que, essa situação, não pode nem deve persistir. Aos que têm condições financeiras favoráveis é permitido o atendimento em hospitais particulares ou em serviços públicos de outras cidades. Aos pobres coitados, que dependem do SUS e não têm dinheiro, está reservada a submissão aos serviços do Hospital Regional de Princesa que hoje é uma referência do que tem de pior em termos de atendimento médico-hospitalar em toda a região, sem falar no risco que correm todos, inclusive de perder a vida. Que as autoridades competentes se manifestem no sentido de cessar essa triste situação. De novo: Com a palavra, o Ministério Público Estadual.



Acaba de ser lançado um livro definitivo sobre a origem de Princesa

Mesmo sem lançamento oficial, acaba de chegar às mãos de alguns privilegiados, em Princesa, exemplares do livro: "Princesa Isabel - Resgates da História do Povo Princesense". A obra é de autoria do historiador princesense, Francisco de Carvalho Florêncio e, o livro, teve o patrocínio da Prefeitura Municipal e da Câmara Municipal de Princesa. Mesmo sem ter recebido um exemplar, graças à gentileza de um amigo que me emprestou, li o escrito de uma sentada. É um trabalho verdadeiramente seminal.

A partir de agora, cessam todas as discussões acerca das origens da história e do povo princesense. Amparado em ampla, demorada (20 anos) e acurada pesquisa, somado à rica iconografia, Florêncio estabelece, em seu importante escrito, definitivamente, os fatos sobre a história passada do município e da cidade de Princesa. Sucinto, porém bastante explicativo, o trabalho traz, desde as origens do município até seu desmembramento e emancipação da Vila de Piancó e sua definitiva transformação em cidade.

Nesse profícuo trabalho, o historiador trata também, com detalhes, sobre os promotores de todas as etapas da formação do atual município de Princesa. Começa com o desbravamento iniciado por Lourenço de Brito Correia, passando pelo necessário incentivo de dona Natalia do Espírito Santo para o início do povoamento e pelo notório esforço do padre Francisco Tavares Arcoverde em prol da instalação da paróquia de Nossa Senhora do Bom Conselho, o que promoveu o efetivo surgimento da nossa cidade. O livro é leitura obrigatória para quem tem interesse em compreender a história de Princesa.



domingo, 30 de junho de 2024

Domingo eu conto

 

Por Domingos Sávio Maximiano Roberto

O espirro do corcunda

A feiura era o que mais realçava nele. Portador de uma escoliose que lhe castigava com acentuada curvatura lateral da coluna vertebral, o que provocou a protuberância do osso esterno, Afonso, além desse defeito congênito era desprovido de qualquer resquício de beleza. O vértice de suas pernas alcançava mais da metade de seu corpo e, de seu tronco, redondo, encimado por uma grande cabeça, saíam dois longos braços que mais pareciam tentáculos. Pobre e viciado em jogos de azar, o homem, solteiro, por óbvio, morava em Princesa com a mãe. Mesmo com essa plástica disforme, o corcunda, libidinoso ao extremo, era louco por mulheres. Toda conversa que abordava, incluía, assaz, o sexo feminino como tema preferido.

“Afonso do Caroço” ou “Peito de Pombo”, como era chamado, pejorativamente, já aos 54 anos de idade, vivia das migalhas da aposentadoria da mãe e da arte de fazer bainhas de faca, atividade que poderia lhe render algum dinheiro não fora a preguiça que lhe impedia de aumentar a freguesia. Além das mulheres, o que o geboso gostava mesmo era de beber cachaça e de estar pelas esquinas jogando conversa fora, e, quando lhe sobrava algum dinheirinho, tomava o rumo do cabaré para deitar-se com alguma das quengas do lupanar de Estrela; isso por um preço superior ao normalmente praticado, pois, sua repulsiva figura inflacionava a tabela convencional.

Não bastasse a feiura, o homem era inconveniente. Falava alto, gargalhava numa estridência nervosa, tinha mau hálito, suvaqueira e, por ser asmático, não se apartava de uma bombinha de Aerolin que carregava no bolso. Além de tudo isso, sofria de bruxismo, o que lhe deformava a boca. Falastrão, em toda conversa se metia e articulava a fala batendo a língua nos dentes e jogando para fora, junto com as palavras, grande quantidade de saliva.

Certo dia, numa discussão com amigos, em abordagem da política partidária local, Afonso do Caroço destratou um companheiro de cachaça, um negro chamado Pedro, na bodega de Adauto Duarte quando, na discussão, por ser adversário político, o chamou de “nêgo safado”. O ofendido aspou-se e, com um pequeno canivete à mão, partiu para agredir o corcunda. A turma do “deixa disso” interveio e apaziguou o entrevero, porém, ficou a rixa quando, os dois, não podiam se encontrar sem que houvesse uma discussão.

Num sábado à tarde, fim de feira, Peito de Pombo encontrou o rival no cabaré e começou a falar alto, se proclamando valente e que não tinha medo de ninguém. Pedro tomou para si como ofensa, levantou-se do tamborete em que estava sentado, endireitou-se, partiu para o desafeto e foi logo perguntando: “Ei! Peito de Pombo, tu vai tocar aonde?” Já irritado com o apelido, Afonso gritou de lá: “Tocar o quê, rapaz?” Sorrindo, Pedro completou: “Pra que tu quer essa sanfona que tu carrega nas costas?”. A gargalhada foi geral.

Injuriado, Afonso partiu pra cima do ofensor e se enroletaram, os dois, pelo chão do bar onde estavam. Nessa peleja, o corcunda levou a melhor. Com suas longas pernas, rodopiava no chão e, como um jogador de capoeira, desfechava golpes contra seu agressor sem que este o pudesse agarrar. Sempre que Pedro tentava pegar Afonso, este, redondo, escapulia das mãos do negro. Naqueles meios, atendendo intervenção de Estrela, a dona do cabaré, a briga cessou, terminando com, ambos os contendores, tomando cachaça juntos, e ficou o dito pelo não dito. Afonso era de lua: às vezes agressivo e, de repente, se fazia suave como se nada tivesse acontecido. Mesmo assim, nele ninguém podia confiar porque, de uma hora para outra, podia voltar ao comportamento agressivo sem motivo que o provocasse. Complexado que era, nada o irritava mais do que brincadeiras realçando a sua deformidade.

Mesmo cobrando mais caro, as raparigas do cabaré se esquivavam em deitar-se com o Peito de Pombo. Elas tinham nojo dele. Algumas não iam pra cama com ele de jeito nenhum. Mas essa situação mudaria. Viciado em jogatinas, o corcunda tinha preferência pelas apostas nas loterias e jogava - embora em pequenas quantias - de forma contumaz. Nesse sempre, um dia foi contemplado com a sorte grande e ganhou na mega-sena! Ninguém sabia o valor do prêmio, mas todos falavam em milhões.

Logo surgiu na rua o comentário de que Afonso do Caroço mudara de vida e que havia comprado uma fazenda, de porteira fechada, no estado do Mato Grosso. Desapareceu por uns meses e, de repente, voltou, bem vestido, perfumado e circulando num carrão importado. Agora, Afonso do Caroço era o cara! Falava grosso e era por todos respeitado. Embora sua vida tenha mudado, o corcunda não abandonou o vício de jogar, tampouco o de frequentar cabarés. Quando estava em Princesa, o lupanar de Estrela era parada obrigatória com a vantagem, agora, de ser recebido ali com a pompa devida aos endinheirados.

Depois de enriquecer, em sua primeira ida ao cabaré de Princesa, o ex-Peito de Pombo, agora “seu” Afonso, já foi recebido de forma diferente. As mulheres, que antes o rejeitavam, agora o rodeavam, insinuantes, em afagos vários àquele que antes lhes causava repulsa. Todas queriam trepar com Afonso. Agora, era ele quem escolhia. Não bastasse isso, Pedro, o antigo desafeto, era agora seu guarda-costas que fazia as vezes de estafeta em busca das melhores raparigas para o patrão comer. O rico geboso, agora com a libido mais apurada ainda, não se fazia de rogado quando se aproveitava das melhores quengas daquela casa de recursos.

Afonso adorava fornicar beijando na boca, porém, quando atrepado na quenga, dada a protuberância do osso esterno - o que o fazia redondo – o movimento se assemelhava ao de uma gangorra:  quando metia, não podia beijar e, quando beijava, não podia meter. Esse impedimento se constituía uma frustração para as putas quando, no mais das vezes, o corcunda gozava fora, em desproveito de uma possível e redentora gravidez para aquelas pobres mulheres ávidas por uma futura e gorda pensão alimentícia.

Diferente de antigamente, agora, Afonso no cabaré era uma festa. Pagava pra todo mundo, era respeitado e escolhia a rapariga que quisesse. Mandava na bola e, qual não foi a sorte do rico corcunda, quando uma mocinha de 16 anos “se perdeu” com o namorado e, botada de casa para fora pelo pai, tomou o rumo do cabaré de Estrela. Além de bonita e viçosa em sua pouca idade, Nalvinha, logo que chegou, foi oferecida a Afonso. Animado com a prenda, o homem foi logo dizendo: “Isso não é mulher para viver em cabaré não. Essa aqui eu vou levar é pra casa!” Botou a menina no dente e a carregou para sua fazenda no Mato Grosso.

Já beirando os sessenta anos de idade, no afã de uma boa performance na cama com sua nova amante, o corcunda, que já tinha o coração comprimido pelo desvio da coluna vertebral, se excedeu na ingestão de cachetes para melhorar o tesão e, numa noite chuvosa do verão mato-grossense, quando estava em pleno gozo do belo corpo de Nalvinha, teve um piripaque fatal. Morreu em cima da mulher! De sorte que esticou a canela quando estava metendo e não quando estava beijando, o que permitiu que toda sua herança ficasse para o resultado de seu derradeiro espirro.