ODE

sexta-feira, 11 de julho de 2025

O tarifaço ideológico

 

Desde que assumiu o governo dos Estados Unidos da América, em 20 de janeiro deste ano, o presidente Donald Trump tem como meta a implementação de tarifas sobre as exportações dos vários países do mundo para os EUA. Brigou com todo mundo quando chegou a impor tarifas de até 145% sobre produtos chineses. De forma incessante, avançou e recuou nessas imposições com o intuito único de punir a todos sob o pretexto de proteger a maior economia do mundo. Com isso, enlouqueceu os mercados, gerou insatisfações internas e inseguranças econômicas e jurídicas num crescente nunca visto.

Agora, numa reação de completa irresponsabilidade, impôs tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros sob a alegação de que, o Brasil, deve ser punido pela "caça às bruxas" e pelas questões de regulamentação das redes sociais. Numa carta divulgada via internet, Trump condiciona a suspensão desse tarifaço à sucumbência da Justiça brasileira em punir o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro da tentativa de golpe de Estado. Nessa clara interferência quanto à soberania nacional, Trump vem recebendo apoios da extrema direita e repúdio da maioria dos brasileiros.

Esse fato vem causando repercussão mundo afora. Quase todos os países do mundo se manifestaram, através da imprensa, contrários a essa prática invasiva e antidemocrática. Na verdade, tudo isso é fruto da campanha desenvolvida pelo filho de Bolsonaro, o deputado federal licenciado, Eduardo Bolsonaro que, nos EUA há quatro meses, faz gestões junto às autoridades daquele país - numa prova de que, mesmo denunciados pela Justiça, continuam conspirando contra a democracia - para que seja anulado o processo que corre na Justiça do Brasil contra o seu pai. Algo único no mundo: um tarifaço ideológico!



Indicada por Efraim, a Comunidade Filhos da Misericórdia, de Pe. George, receberá Prêmio Irmã Dulce dos Pobres no Senado Federal

 

A instituição comandada pelo Padre George Batista representará a Paraíba na premiação em Brasília

Indicada nessa quarta-feira (9), pelo senador Efraim Filho (União Brasil-PB), para concorrer ao Prêmio Irmã Dulce dos Pobres, a Comunidade Filhos da Misericórdia da Paraíba foi um dos sete agraciados para receber a comenda.  

A homenagem é concedida pelo Senado Federal às instituições que se destacam em ações sociais na área da saúde. Ao todo 22 entidades e personalidades foram sugeridas pelos parlamentares integrantes do Conselho responsável pelo prêmio, composto por um senador de cada partido com representação no Senado.

Efraim não só apresentou o nome da Comunidade comandada pelo padre George Batista, como também mobilizou amplamente os colegas parlamentares. E a movimentação surtiu efeito, já que dos 10 votos da comissão responsável pela escolha da entidade homenageada, Efraim conquistou 9 votos a favor da instituição paraibana. 

“Há mais de 10 anos, a Comunidade de Pe. George realiza ações voltadas à saúde, assistência social e espiritualidade, é um trabalho sério e dedicado a transformar vidas. Esse reconhecimento, viabilizado por meio do nosso mandato, é mais do que merecido. Estamos imensamente felizes com o resultado”, destacou Efraim.

Ao receber a notícia por telefone, dada pelo próprio senador, Pe. George não segurou a emoção: “É emocionante demais receber uma notícia dessa. Sou só gratidão a Deus. Nosso trabalho sempre foi muito inspirado no que a Irmã Dulce realizou. Nos dedicamos aos mais humildes, crianças, idosos, adolescentes e usuários de drogas. Irmã Dulce será sempre uma referência para nós e essa comenda só nos estimula a continuar nossa missão”, disse. Os outros agraciados são: Santa Dulce dos Pobres (in memoriam);

Henrique Duarte Prata, diretor e idealizador do Hospital de Amor (antes conhecido como Hospital de Câncer de Barretos); Frei Hans Stapel, considerado o pai da Fazenda da Esperança, comunidade que começou como centro de recuperação para dependentes químicos e se tornou uma entidade ligada à Igreja Católica; Fundação Altino Ventura (PE); Associação Peter Pan (CE) e Obra Social Dona Meca (RJ).



quinta-feira, 10 de julho de 2025

O inquilino do Cemitério

 

Era o filho caçula de Benedita, o preferido dela. Desde criança, muito mimado e coberto de dengos. Talvez, porque já em tenra idade, demonstrou-se apoucado das faculdades mentais e farto de manias esquisitas. Quando menino, corria pelas ruas de Princesa a balançar, de forma intermitente, um chocalho do qual jamais se apartava. Manoel - chamado carinhosamente pela mãe, Benedita, de "Mané" - era um garoto graúdo, branco é muito bonito. Já aos 14 anos deu um estirão que máis parecia um rapaz de 18 Grandão, Mané, ao invés de ser orgulho da mãe, esta dizia: "Esse menino cresceu demais! Dizem que esse povo que cresce muito fica 'mei abestaiado!"* Era nessa conta que Benedita tinha o filho, o que o fazia mais ainda dependente deía, um mofino.

Ela, a mãe, era uma pobre coitada que vivia às voltas para criar os quatro filhos, cujos pais, ela mal sabia quem eram. Cada cá era filho de um homem diferente. Puta velha, Benedita fornicava sem muito cuidado ou escolha. Seu hedonismo sexual somado à presteza de sua fertilidade a punha exposta à facilidade de barrigas consecutivas e só parou de parir quando doutor Zezito fez-lhe a caridade de cortar-lhes as trompas. Benedita servia como empregada doméstica nas casas dos ricos da cidade de Princesa e fazia um bico fornecendo areia fina - bem antes do advento do Bombril - para arear as panelas de alumínio das madames. Apanhava essa areia num córrego seco na periferia da cidade, amarrava em pequenas trouxas de pano e distribuía pelas casas em busca de alguns trocados. Comentavam, a boca pequena, que nesse mesmo córrego era onde Benedita fazia suas necessidades fisiológicas.

Pela versatilidade de suas atividades, a mãe de Mané recebeu o apelido de "Benedita Pratudo". Além de cozinhar bem, fazia faxinas, carregava água na cabeça, vasculhava casas, espanava, fazia todo e qualquer serviço doméstico, além da distribuição da bendita areia. Todavia, sua dedicação principal era voltada para os cuidados com o filho, Mané. Este, para ela, não pecava e, para ele, nada faltava. Andava lorde o menino, nem parecia filho de quem era. Tão bonito e limpinho, parecia um "fidalgo" e chamava a atenção de todos. Certa feita, Benedita foi passar uns dias ajudando na casa do major Floro, em Patos de Irerê. Logo, a esposa do major, engraçou-se de Mané e o cobria de mimos. Descendente de franceses, dona Leonor Douettes, só o chamava de mon petit.

Daí o apelido - em corruptela a essa expressão francesa - que na idade adulta fez conhecido, o filho de Benedita, como "Mané Pitita" Feito homem, Mané, sem vocação para o trabalho, tampouco para os estudos, largou o chocalho, mas continuou perambulando pelas ruas da cidade sem ocupação alguma. Fazia jus ao ditado que diz: "Mente vazia é oficina do Diabo" . Ainda rapaz afez-se ao hábito da ingestão de bebidas alcoólicas e tornou-se um viciado. Suas bodegas preferidas eram a de Valdecí na "Rua do Cancão" e a de Severino Barbosa no beco de dona Sinhá. Ali Mané vivia a pedir lapadas de cana, quando dizia - fazendo, com a mão direita, o gesto dos roqueiros: "Bota só um dedinho pra mim". Bebia até não poder mais e, como consequência desse vício, passou a demonstrar comportamento por demais esquisito. Quando se empanturrava de cachaça, ao invés de ir para casa, dirigia-se ao Cemitério da cidade e por lá passava as noites. Ali, dormia no pequeno Necrotério que servia de depósito para a guarda dos "caixões da caridade" - aqueles ataúdes bacanas deixados pelos defuntos ricos para servir aos que não tinham onde cair mortos.

Essa hospedagem macabra obedecia a um verdadeiro ritual. Chegado ao Cemitério, bêbado, Mané Pitita, despia-se por completo, acendia uma vela apregada no balcão do Necrotério, forrava com folhas o lastro do ataúde escolhido, deitava-se e fechava, sobre si, a tampa do caixão. Como um féretro, dormia o sono dos justos como se estivera em sua rede, onde dormia antes de adotar esse comportamento doentio. No início dessa prática esquisita, quando ainda viva, Benedita Pratudo, foi várias vezes ao Cemitério. Corria atrás do filho para que ele fosse para casa. Depois, vendo sem jeito, largou-o para lá em sua tétrica mania.

Mané Pitita nunca namorou, nunca casou, tampouco produziu filhos. Era um solteirão juramentado voltado apenas para o vício da cachaça e para sua predileção por defuntos. Morta, Benedita, talvez por desgosto, intensificou-se, no filho, seu comportamento psicótico quando passou a morar no Cemitério, fez dali sua casa. Saía, durante o dia, enchia a cara, mas, à noite, ao invés de ir para a casa onde morou com a mãe, ia para o Cemitério. Quantos não foram, os desavisados, que ao chegarem à necrópole, para pegar um caixão para enterrar um indigente, se assustavam quando se deparavam com Mané Pitita se levantando de um deles? Uma verdadeira assombração!

Com o passar do tempo, Pitita, corroído pelo vício, passou a vagar pelas ruas conversando sozinho e sempre repetindo: "Quem tem mãe tem tudo, quêm não tem mãe, não tem nada". Era o menino de Benedita divagando com as lembranças do passado e sofrendo pela ausência da mãe protetora. Porém, restava ainda uma dúvida sobre essa figura de comportamento tão estranho. O que fazia aquele homem no cemitério? Qual o motivo dessa atração mórbida pela Cidade dos Mortos? Marçal Bocão, coveiro oficial e curioso por natureza, resolveu descobrir o mistério. Certa noite, em tocaia, Bocão esperou Mané chegar à necrópole para dormir, postou-se em lugar estratégico e ficou a observar.

Qual não foi a surpresa de Marçal Bocão quando viu Mané Pitita, completamente nu, se dirigindo para uma das catacumbas mais bonitas do Cemitério, onde repousavam os restos mortais de uma das famílias mais importantes da cidade, incluindo aí uma bela jovem que morrera por suicídio e, diante da fotografia dessa linda moça, Mané começou a se masturbar e, gemendo de prazer, a falar o nome da jovem. Tava desvendado o mistério. O filho de Benedita Pratudo, em sua prática de necrofilia platônica, era um maníaco sexual! Correu a história na rua, e Mané, tido até ali como um ser inofensivo, passou a ser hostilizado como se fora um tarado perigoso. Em face disso, parou de circular pela cidade, recolheu-se, definitivamente, à Cidade dos Mortos e foi definhando até encontrar o descanso eterno já previamente envelopado num dos esquites em que sempre dormiu.



quarta-feira, 9 de julho de 2025

Prefeitura de São José de Princesa realiza Aula de Campo sobre Agricultura Familiar

Foi nesta terça-feira (8) que a Prefeitura de São José de Princesa, através do Conselho Municipal de Alimentação Escolar, em parceria com as Secretarias Municipais de Educação e de Agricultura, realizou uma Aula de Campo com as agricultoras do PNAE –Programa Nacional de Alimentação Escolar. A atividade aconteceu nas comunidades dos Sítios Jacu e Cacimba de Dentro, reunindo professores, diretores, coordenadores, alunos e equipes técnicas das referidas Secretarias. O momento teve o fito de aproximar os estudantes das práticas da agricultura familiar e promover conhecimentos saudáveis sobre alimentação e o trabalho desenvolvido.



Começa a ser desvendado o esquema das Emendas

Ontem (8) mais um gabinete da Câmara dos Deputados foi devassado pela Polícia Federal em busca de provas sobre o uso indevidos das famigeradas Emendas Parlamentares Impositivas. Desta feita foi a vez do deputado cearense Júnior Mano (PSB). Foram seis horas de inspeção quando uma carga de documentos foi apreendida pela PF no gabinete do parlamentar. A suspeita é do uso indevido das emendas para financiamento de campanhas eleitorais.

Esses recursos, que somam cerca de R$ 50 bilhões, são destinados aos deputados e senadores para, de forma pulverizada, financiarem obras nos municípios brasileiros o que, no mais das vezes, é feito sem obedecer aos trâmites legais da transparência ou da licitude quando até licitações são fraudadas para que o dinheiro retorne aos parlamentares para dele fazerem uso ao bel prazer, inclusive financiando campanhas eleitorais suas e de prefeitos e vereadores amigos

Há casos até de prefeitos colocando emendas como garantia de empréstimos a agiotas. A coisa vem se fazendo tão grave, que até os ministros do STF indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, estão determinando punição. Semana passada, o ministro Nunes Marques determinou busca e apreensão numa prefeitura da Bahia. Agora, foi a vez de o ministro Gilmar Mendes que mandou investigar o prefeito Júnior Mano e, no geral, o ministro Flávio Dino busca acabar com essa farra. Enquanto isso, deputados e senadores ficam todos calados porque estão, quase todos, “comendo”.



                                                                                                       

Ex-prefeito de Sousa, Fábio Tayrone, concede entrevista concorrida

Por ocasião das festividades comemorativas do Aniversário de Emancipação Política da cidade de Sousa/PB, o ex-prefeito e pré-candidato a deputado federal, Fábio Tayrone (PSB), concedeu, ontem (8), à Rádio Progresso daquela cidade, uma entrevista por demais concorrida. Durante sua interlocução, Tayrone recebeu várias mensagens de apoio o que vem consolidando sua pré-candidatura que já se espalha – em suporte – por mais de 80 municípios paraibanos. Lideranças de todos os matizes declaram apoio ao ex-prefeito numa demonstração de que sua influência não se restringe apenas à região polarizada pela cidade de Sousa mas sim por todo o Estado. É um nome que promete.



Finda a Copa do Mundo para as equipes brasileiras

Com a derrota do Fluminense para a equipe do Chelsea, ontem (8), por 2 X 0, se encerra a Copa do Mundo de Clubes para as equipes brasileiras. Foram quatro os times que muito bem representaram o Brasil naquele importante certame: Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras. O Fluminense, de forma surpreendente, chegou a figurar entre os quatro melhores do mundo e, os demais, mesmo sendo eliminados nas quartas-de-final, não fizeram feio.

Se a Copa acaba para as equipes brasileiras, para o Brasil ela continua, pois, a maioria dos jogadores que compõem as principais equipes europeias, são brasileiros. Só para ilustrar, vale salientar que os brasileiros foram os maiores goleadores da competição. Na verdade, somente os times brasileiros refletiam a realidade nacional de suas equipes. As demais equipes são formadas por jogadores das várias nações do mundo, verdadeiras seleções com quem o Brasil competiu de igual para igual.

Exemplo acabado disso é o Fluminense (time com a folha de pagamento mais barata) que, de “patinho feio” da competição, se transformou num monstro quando derrotou equipes de orçamentos milionários. Não fizemos feio nem deixamos a desejar. O recado foi dado e o respeito foi estabelecido quando nenhum dos representantes de países não europeus tiveram a performance das nossas equipes. Parabéns ao futebol brasileiro que é a mola mestra do futebol mundial. Que venha a Copa do Mundo de 2026!



terça-feira, 8 de julho de 2025

Lampião e o coronel Zé Pereira de Princesa

 

Uma querela histórica que não quer calar. Essa é uma história que pode ser denominada de trilateral, uma vez envolver três nuances de diferentes opiniões, Gerada pela polêmica entrevista concedida por Lampião ao médico do Crato/CE, doutor Octacilio Macêdo, em Juazeiro do Norte, em março de 1926, quando o Rei do Cangaço afirmou o seguinte sobre José Pereira Lima*: "De todos meus protetores, só um traiu-me miseravelmente. Foi o coronel José Pereira Lima, chefe político de Princesa. É um homem perverso, falso e desonesto, a quem durante anos servi, prestando os mais vantajosos favores de nossa profissão". Essa afirmação de Lampião já então nomeado capitão da Guarda Nacional), causa, até hoje, muito desconforto à família do ilustre Coronel - segundo vários historiadores, reputado como o maior e mais importante coronel do Nordeste - quando muitas vezes é usada por adversários históricos para macular a imagem daquele vulto sertanejo.

A despeito da peremptória afirmação do cangaceiro, a família de Zé Pereira nega que tenha havido qualquer convivência, tampouco amizade entre o Coronel e Lampião. Por outro lado, alguns historiadores afirmam que Zé Pereira teve sim, encontros com o maior cangaceiro do Nordeste, sendo até por alguns, considerado coiteiro (termo regional que designava aqueles que acolitavam cangaceiros em suas terras ou fazendas). No entanto, a família do Coronel nega até que os dois se conhecessem. Por outro lado, historiadores afirmam que o coronel Zé Pereira conhecia e amparava - ou permitia que o fizessem - Lampião em suas terras. Ora, nada se pode afirmar, definitivamente, com relação a isso.

Analisemos o caso sob o pano das hipóteses: Lampião pode ter concedido a tal entrevista com o intuito de se promover ou de se vingar do coronel por algo menor que possa ter acontecido. Na verdade, por ocasião da entrevista (1926), Zé Pereira ainda não era famoso nem conhecido no âmbito do Nordeste ou do Brasil. A repercussão das acusações do facínora se amplificou depois de 1930 quando Zé Pereira se tornou conhecido nacionalmente. Será que promovidas para deleite de seus adversários? Mesmo assim - além de a palavra do cangaceiro não ser digna de crédito sob qualquer suspeita -, não se pode descartar completamente a veracidade de suas afirmações.

Acontece que a história não é paraplégica: suas pernas andam e, caminhando ao longo do tempo, muitas opiniões foram formadas além dos fatos. Senão vejamos: Zé Pereira, depois da "Guerra de Princesa" ', ficou famoso e conhecido em todo o Brasil, quiçá no mundo. Talvez, por conta disso, a entrevista de Lampião, sacudida da poeira do tempo, adquiriu notoriedade e passou a ter mais importância através da pena dos historiadores Daí, a polêmica. Os que defendem as assertivas do cangaceiro dizem que Zé Pereira acolitava o "Rei do Cangaço" e seu bando em uma de suas fazendas no Povoado de "Patos de Irerê", no município de Princesa. Afirmam até que numa luta contra as volantes da policia de Pernambuco, ocorrida próximo ao Povoado de Patos de Irere, ocasião em que Lampião sofreu grave ferimento no pé, foi tratado na casa de um sobrinho de Coronel de nome Marcolino Pereira Diniz, naquele Povoado, pelo médico princesense doutor Severiano dos Santos Diniz.

Ora, nessa época - antes da "Guerra de Princesa" -, o médico Severiano, que viria a ser adversário político do coronel depois de 30, era ainda correligionário de Zê Pereira e, portanto, seguidor de suas orientações políticas. Para os que defendem as afirmações de Lampião - que são ofensivas ao Coronel -, jamais Severiano se prestaria a atender um inimigo de seu chefe político. Mas, espere all Como seria Zé Pereira inimigo do cangaceiro mor, se este se arranchava na casa de um seu sobrinho? Familiares do Coronel, afirmam hoje, que se isso ocorreu, foi à revelia do chefe sertanejo, pois, segundo eles, os dois sequer se conheciam pessoalmente e que, numa ocasião, o coronel admoestara o sobrinho para que não permitisse a permanência de Lampião em suas terras.

Começo a sentir o forte cheiro da hipocrisia. Como disse antes, a história tem pernas que andam e hoje, essa história específica, anda através das pernas do "Cariri Cangaço" (entidade que divulga as atividades do cangaço no Nordeste brasileiro e seus desdobramentos, influências, etc.) quando afirma e divulga que Lampião e Zé Pereira se conheciam sim e que conviveram, se não através de estreita amizade, mas se encontraram por várias ocasiões. Os familiares continuam afirmando o contrário.

Esqueçamos as opiniões sanguíneas. Passemos às conjecturas plausíveis para ambas as opiniões: Em que estaria o coronel Zé Pereira, desmerecido em haver conhecido e/ou convivido com Lampião? Em nada, pois, o maior cangaceiro do Nordeste foi recebido e nomeado por sua ordem, Capitão da Guarda Nacional, pelo padre Cícero Romão Batista, no Juazeiro, em 1926, para combater os revoltosos da Coluna Prestes e, por conta disso, nada se acrescentou aos defeitos apontados pelos críticos daquele antológico mito eclesiástico cearense.

A plausibilidade da convivência de Zé Pereira com Lampião vem à luz quando se constata que Princesa, mesmo antes de 30, quando Zé Pereira não detinha ainda o seu "exército" composto de mais de 1.000 homens em armas guardando a cidade, Lampião sequer cogitou invadir a cidade. Seria da parte do cangaceiro, medo, ou acordo tácito? Na verdade, nada vem a desmerecer Zé Pereira pelo fato de haver convivido com Lampião, pois, naqueles idos isso era uma praxe que envolvia os poderosos do Sertão: se não amigos, coiteiros. Ademais, não se registra nenhum episódio em que o coronel de Princesa encetou alguma perseguição a Lampião.

O problema foi a entrevista. Se o cangaceiro mentiu, eu pergunto: com que propósito? Se estivera dizendo a verdade, perguntamos todos: qual o interesse de Zé Pereira - homem bem conceituado, de boas relações, além de possuidor de bens consideráveis - em se apropriar, ilicitamente, de bens ou haveres de um cangaceiro que afirma nunca ter visto? Ou será que Lampião, sabedor da proibição de Zé Pereira ao seu sobrinho Marcolino de "acoitá-lo" provocou nele um sentimento de vingança materializado na difamatória entrevista? E lampião? Tão valente e destemido, porque não foi a Princesa reaver o que the havia sido "surrupiado" quando o coronel, fragilizado (de forças armadas), retornou a Princesa em 1936? Para essa questão da "desonestidade" do Coronel, há outra versão. Segundo alguns remanescentes de 30, há quem diga que a parte do dinheiro, fruto do saque de Sousa, que tocou a Lampião, foi dado ao cabocio Marcolino** para ser guardado em segurança e que, mais tarde, em tentativa de resgate por Lampião, Marcolino informou que o dinheiro estava na mão de Zé Pereira e que este não o devolveria ao cangaceiro. Fica no ar a pergunta: quem roubou quem?

Finalizando, quem pode ou deve ser obrigado a acreditar na palavra de um cangaceiro - que soa de forma isolada -, uma vez ser esse o único depoimento desabonador com relação à pessoa do coronel Zé Pereira de Princesa, uma vez que todas as demais declarações sobre aquele valente sertanejo - contidas em vários livros, revistas, reportagens, etc. -, tratam do coronel como homem íntegro e honesto? A não ser que o assalto à cidade de Sousa/PB, em 27 de julho de 1924 somado à assunção de João Suassuna (amigo e compadre de Zé Pereira) ao cargo de presidente do estado da Paraíba, em 22 de outubro de 1924, por ordem deste, o Coronel tenha-se tornado inimigo de Lampião, pois, após a posse de Suassuna, foi criado, pelo Governo do Estado, o 2º Batalhão da Polícia Militar na cidade de Patos das Espinharas, sob a liderança do coronel Zé Pereira com a responsabilidade de efetivar campanha contra o Cangaço liderado por Lampião. Mesmo porque, até o ano de 1924, as volantes da Polícia paraibana eram extremamente tolerantes com relação ao bando de Lampião.

Corroborando a indisfarçada hipocrisia do "Rei do Cangaço" quando, na mesma entrevista afirmara ser "católico" (contrariando o quinto mandamento da tábua de leis da religião Católica que diz: "não matarás") e "amigo dos juízes'", mesmo tolerando seus irmãos haverem feito de montaria o juiz Archimedes Souto Maior, quando neste montaram como se fora um animal, por ocasião da invasão da cidade de Sousa na Paraíba. Merecia aquele facínora, credibilidade? Aliás, Lampião tratava do Cangaço, como se fora um negócio. Naquela entrevista, disse o cangaceiro: "Estou me dando bem no Cangaço e não pretendo abandoná-lo. Não sei se vou passar a vida toda nele. Preciso trabalhar ainda uns três anos. Tenho de visitar alguns amigos, o que não fiz por falta de oportunidade. Depois, talvez me torne comerciante".

Ora, o cangaceiro considerava sua lide de bandoleiro criminoso como um negócio lícito e normal e, com relação à pretensa visita a "alguns amigos", depreende-se que Lampião tinha em mente atacar e saquear alguns potentados do Nordeste - a quem não havia "visitado" ainda -, para engordar os seus alforjes. A hipocrisia do maior cangaceiro do Nordeste se comprova quando constatamos que sua estada no Cangaço nada tinha a ver com os crimes ocorridos contra seus familiares, pois, nunca os tinha vingado, usava sua carabina para assaltar, saquear e defender-se das volantes policiais dos vários Estados nordestinos que legalmente o perseguiam, e o mais, era só negócio. Por fim, com relação à querela do Rei do Cangaço com o coronel Zé Pereira, dificil será saber quem está com a razão: Lampião, os familiares de Zé Pereira ou os itinerantes do "Cariri Cangaço"? As interpretações ficam ao sabor dos debates.

**Coronel Zé Pereira de Princesa que, por questões políticas rompeu com o então presidente (governador) da Paraiba, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, em 1930, transformando o município de Princesa/PB, em "Território Livre", portanto, separado do Estado da Paraiba.

*Marcolino Pereira Diniz é o antológico "Caboclo Marcolino" imortalizado na canção "Xanduzinha", composição de Humberto Teixeira e cantada por Luiz Gonzaga, o "Rei do Balão" e por vários outros artistas brasileiros, a exemplo de Caetano Veloso, Gilberto Gil, entre outros.



segunda-feira, 7 de julho de 2025

Entrevista ao EntreversoPod divulga novo livro de Dominguinhos

Sucesso total a entrevista concedida por mim [Dominguinhos] no último sábado (5) comandada pelo pesquisador de História, Laurindo Medeiros, através do Portal EntreversoPod. Centenas de visualizações e compartilhamentos fizeram dessa interlocução um instrumento essencial para a divulgação do lançamento do meu terceiro livro: “Antologia dos Construtores de Princesa”. Sob a égide do competente Laurindo, o colóquio mais se comparou com um “Arquivo Confidencial” com a apresentação de várias fotos inerentes à minha vida e também depoimentos que me conduziram à emoção.

Quanto ao livro, o lançamento ocorrerá no próximo dia 18 deste mês de julho, ás 20h00 nas dependências da Academia Princesense de Letras e Artes – APLA, no Palacete dos Pereira situado à Praça Epitácio Pessoa, aqui em Princesa. A obra versa sobre a formação histórica do município de Princesa quando 80 perfis biográficos daqueles que muito contribuíram com a formação deste município são divulgados, o que é permeado por acontecimentos históricos responsáveis pela formação do nosso município. O critério para a escolha dos biografados foi movido pela participação de cada um deles no contexto da nossa História.



O Fluminense entre os quatro melhores do mundo

Há um dito popular que assevera: “Quando o cavalo ganha uma primeira competição pode ter sido pura sorte; quando ganha a segunda, poder ser coincidência, porém, quando o cavalo ganha a terceira é porque o bicho é competente”. Isso se aplica, com todas as letras, à equipe brasileira de futebol do Fluminense. Desacreditados, todos os quatro times que foram para a Copa do Mundo de Clubes: Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras, todos passaram da fase classificatória e, o Fluminense, figura agora entre os quatro melhores do mundo.

A performance do tricolor do Rio de Janeiro nos dá o alento de não mais sermos considerados de terceira categoria e coloca o futebol brasileiro em pé de igualdade com as maiores e mais importantes equipes futebolística do mundo. É o fim do “viralatismo” ao qual nos impomos e também uma resposta definitiva àqueles que sempre nos colocaram em situação de categoria inferior. O Fluminense fará, na próxima terça-feira (8), uma das partidas da semifinal daquela competição com chances reais de vitória o que poderá nos trazer o “caneco”. Agigantado como está, o nosso futebol, através do Fluminense, lava a alma de todos os brasileiros.