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terça-feira, 2 de junho de 2026

O jipão da prosperidade com o dinheiro alheio

 

Ontem (1°) a Globo News veiculou uma reportagem sobre a compra de votos no Brasil e ilustrou essa prática com várias situações ocorridas em diversos Estados da Federação. Na matéria, a televisão realçou que essa prática é algo comum, quase corriqueiro, no interior do Nordeste, o que eles chamam de grotões eleitorais. Em entrevista, a cientista política Rita Biason repetiu sua famosa frase: "Voto não tem preço, tem consequência" Essa consequência é visível em Princesa também quando se constata a prosperidade daqueles que, mesmo respondendo a processo eleitoral por compra de votos não se abstêm de ostentar.

Em Princesa, o chefe dessa ostentação é o líder maior da facção que comanda a administração da cidade há quase 10 anos consecutivos. Não herdou, não ganhou na mega-sena, tampouco tem ou teve atividade econômica condizente com o patrimônio que apresenta. Não bastassem os carrões, os penduricalhos de ouro, as roupas e calçados de grife, as várias viagens domésticas e internacionais, o ex-prefeito Nascimento se supera num acinte que desrespeita aqueles que trabalham e, mesmo com salários atrasados são obrigados a assisti-lo desfilando num jipão de última geração.

Princesa é única dentre os vários municípios do Brasil. É a única cidade onde cheques ainda são usados para a efetuação de pagamentos com o dinheiro público. É uma das poucas cidades onde o povo vota num candidato para ser prefeito e quem manda é o padrinho do eleito. Numa análise mais acurada não podemos chamar de exagero o estranhamento de que uma pessoa sem renda condizente com os sinais exteriores de riqueza que apresenta, se diga honesta e até prometa renunciar à vida pública se alguém provar sua patente desonestidade.

Numa cidade onde, nas eleições, os custos não justificam os fins quando um simples vereador tem de dispender a bagatela de quase um milhão de reais para se fazer eleito, onde um candidato a prefeito tem de distribuir cheques para conseguir os votos suficientes para suplantar seu adversário, ninguém pode se surpreender quando a comemoração pela "vitória" é a ostentação bancada pelo dinheiro do povo. "O material enche os olhos, mas a falta de caráter esvazia qualquer um". Como mau disse Nascimento sobre minha pessoa, morrerei pobre e só, porém, sem calar diante desses absurdos.



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