ODE

quinta-feira, 23 de julho de 2026

CARTA ABERTA AO EX-PREFEITO RICARDO PEREIRA

Senhor Ricardo Pereira,

A democracia exige coerência. E é justamente sobre isso que esta carta trata.

Enquanto esteve na oposição, o senhor utilizou todos os espaços possíveis para fazer críticas à gestão municipal. Em programas de rádio, entrevistas, rodas de conversa e manifestações públicas, adotava um discurso firme, marcado por denúncias, acusações e cobranças. Naquele momento, defendia o direito de questionar, denunciar e fiscalizar os atos do poder público.

Hoje, porém, a realidade parece ser outra.

Ao ocupar posição de poder, o senhor demonstra não aceitar aquilo que antes dizia defender. Críticas passam a ser tratadas como perseguição. A fiscalização é vista como afronta. Denúncias fundamentadas incomodam mais do que os fatos denunciados.

Mais preocupante ainda é a forma como o senhor reage. Em vez de responder às denúncias com documentos, argumentos e esclarecimentos, prefere utilizar as redes sociais para atacar quem exerce o legítimo direito de fiscalizar. Tornou-se comum recorrer a ofensas e desqualificações pessoais, chamando adversários e cidadãos de “Lúcifer”, “bandido”, “analfabeto funcional”, “idiotas”, “patetas”, “alucinados” e várias outras baixarias, sempre que alguém denuncia possíveis irregularidades ou divulga decisões e julgamentos que lhe são desfavoráveis.

O debate público não se fortalece com insultos. Quem exerce ou já exerceu função pública deve responder às críticas com transparência, fatos e prestação de contas, e não tentando intimidar ou desmoralizar quem cumpre o seu dever constitucional de fiscalizar.

Como vereador, fui eleito para cumprir um dever previsto na Constituição: fiscalizar os atos da administração pública, exigir transparência, defender o interesse da população e denunciar possíveis irregularidades quando existirem indícios. Não se trata de um favor, nem de uma escolha política. É uma obrigação do mandato.

Quem já esteve na oposição sabe que a democracia não pode funcionar apenas quando lhe convém. O direito de criticar não pertence a um grupo político; pertence à sociedade. E quem exerce cargo público deve estar preparado para prestar contas de seus atos.

Não aceitarei que tentem transformar o exercício legítimo da fiscalização em perseguição política ou em qualquer outro tipo de ataque pessoal. Continuarei desempenhando meu mandato com responsabilidade, respeito e firmeza, sempre amparado pela Constituição, pelas leis e pelo compromisso que assumi com o povo de Princesa Isabel.

A política precisa de menos hipocrisia e mais coerência. Quem ontem defendia o direito de criticar não pode, hoje, querer calar quem fiscaliza. Quem antes cobrava explicações não pode, agora, responder às denúncias com ofensas.

A democracia se fortalece quando o poder aceita o contraditório, respeita a fiscalização e compreende que prestar contas é um dever de todo agente público. Ela se enfraquece quando aqueles que antes levantavam a bandeira da transparência passam a tentar silenciar seus críticos por meio de ataques pessoais.

Arley Moura

Vereador de Princesa Isabel



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