ODE

terça-feira, 3 de março de 2020

GESTÃO PERFEITA




Quem não reside em Princesa e escutou a entrevista radiofônica do prefeito Ricardo Pereira do Nascimento, no último sábado, deve ter ficado com a impressão de que nós residimos num paraíso. Aliás, que moramos num canteiro de obras; que aqui ninguém adoece ou, quando isso acontece a assistência é perfeita; que as nossas crianças aprendem a ler e a escrever; que todos os funcionários da prefeitura estão com seus salários em dia, etc. Porém, a verdade é bem outra. Enquanto Nascimento fala que foram realizados, pelo Hospital Municipal, 247.000 atendimentos no ano de 2019 (o que perfaz um número de 391 atendimentos/dia!), o que se vê na realidade são gestantes parindo, de parto normal, em várias cidades da Paraíba e de Pernambuco, menos em Princesa. Enquanto o prefeito afirma que a educação de Princesa foi considerada a 14ª melhor do Estado, se constata que temos alunos, da Rede Municipal de Ensino, que, estando cursando a 6ª série, não sabem ler nem escrever. Enquanto o “gestor perfeito” diz que a educação municipal é 1º lugar na tal Fundação Leman, que os alunos recebem uniformes (no mês de novembro), que tomam iogurte (uma vez por semana), esses mesmos alunos são transportados, quando não em “paus-de-arara”, em ônibus superlotados e sem a assistência de monitores (em que pese haver vários monitores aprovados em concurso recente e não convocados a trabalhar). Nascimento, que valoriza o que é material em detrimento do humano, acha que, gaiola bonita dá de comer a canário.

O “Pinóquio” do palácio do Cancão

Enquanto o prefeito, com intuito pejorativo, me cognomina de “assombroso” e de “nuvem negra”, isso pelo fato de eu ter a coragem de desmascará-lo, e que eu deveria ser extirpado de Princesa, me estimulo cada vez mais a trazer à baila suas falhas (que são muitas), para conhecimento de todos. Não sou “assombroso”, sou desassombrado. A “nuvem negra” é quem traz a chuva. Sei que o incômodo que causo a Nascimento com as minhas verdades é muito grande e me vejo credenciado para isso, pois, na minha gestão o povo tinha saúde de qualidade; educação com respeito; assistência social e os pobres eram tratados com atenção, respeito e humanismo. Todos os filhos que tenho fui quem fez. A grande maioria das obras que Nascimento toca (algumas sem concluir, a exemplo da Praça “Maria de Tia”) fui eu quem conseguiu. O problema é que todo palhaço adora um picadeiro e, o mentiroso, adora tudo o que é grande. Eis a verdade.

(ESCRITO POR DOMINGOS SÁVIO MAXIMIANO ROBERTO, EM 03 DE MARÇO DE 2020).



ÁGUA NA FERVURA





No último sábado (29/02/2020), em entrevista ao programa radiofônico da Rádio Princesa FM, “Poder e Notícia”, o prefeito de Princesa realçou como carro-chefe de sua fala, a apresentação do nome do competente e bem sucedido empresário tavarense, o senhor José Casusa, para compor a chapa oficial para as eleições deste ano de 2020, como candidato a vice-prefeito. Nada a estranhar, pois, Casusa é um homem de bem e é por todos sabido que há muito, aquele empresário da construção civil, vem acalentando o pensamento de adentrar na seara política. O problema é que Nascimento, como sempre, no afã de exercitar sua megalomania e seu instinto mentiroso, esqueceu-se de combinar com a vítima de suas afirmações falaciosas, pois, já na segunda-feira, a esposa do empresário, dona Maria da Conceição Casusa, postou em Rede Social, a seguinte frase: ”Reafirmo que não escolhi o meu candidato a prefeito em Princesa Isabel! Parem de ‘achismos’, combinado?”. Isso é bonito pra cara de Nascimento, o chefe do Poder Municipal ir para uma emissora de rádio exercitar o que está definido, no Dicionário da Língua Portuguesa, o “Houaiss”, quando, no verbete correspondente à palavra “mentira”, diz o seguinte: “afirmação de algo não verdadeiro para enganar ou iludir alguém”. O problema é que esse cidadão tem como sua as verdades alheias e diz o que vem à cabeça sem se preocupar se isso se constitui realidade ou não. Desta vez, quem o desmentiu não fui eu, mas, a própria fonte usada para o exercício de sua mentira quando, em outras palavras disse: “vai procurar candidato a vice-prefeito noutra freguesia, aqui, não!”.

(ESCRITO POR DOMINGOS SÁVIO MAXIMIANO ROBERTO, EM 03 DE MARÇO DE 2020).

domingo, 1 de março de 2020

DOMINGUEIRAS XXXII





. O TRIO ELÉTRICO CONTRATADO PELA PREFEITURA PARA ANIMAR O CARNAVAL DE PRINCESA QUASE CHEGAVA SOMENTE NA SEMANA SANTA. SEGUNDO O SECRETÁRIO MUNICIPAL DE INFRAESTRUTURA, O “TRIL” DEMOROU, MAS CHEGOU.

. FALANDO EM TRIO ELÉTRICO, POR CONTA DO ATRASO E DO CHAMAMENTO DO CARRO DE SOM DOS “MOURA”, PARA ANIMAR O “BLOCO DAS VIRGENS”, O SAMBA ENREDO DO PREFEITO NASCIMENTO NO CARNAVAL FEZ ODE À TRUCULÊNCIA: AS VIRGENS QUASE FORAM “ESTUPRADAS”.

. O EX-GOVERNADOR RICARDO COUTINHO, INCOMODADO COM A TORNOZELEIRA, ENTROU COM AÇÃO PARA DESVENCILHAR-SE DA MESMA, SEGUNDO ELE, PESA PRA CARAMBA...

. A MESMA TELEVISÃO QUE NÃO DÁ TRÉGUA QUANTO AO CORONA VÍRUS, INFORMA TODO DIA, QUE A GRIPE COMUM, MATA DEZ VEZES MAIS DO QUE O “COVID 19”.

. DEPOIS DO ADVENTO DO “CORONA VÍRUS”, NINGUÉM AGUENTA MAIS AS AULAS TELEVISIVAS PARA ENSINAR COMO LAVAR AS MÃOS, TOSSIR EM CIMA DO COTOVELO E BEIJAR NA BOCA SEM CHUPAR NA LÍNGUA.

. O MERCADO BRASILEIRO DE PRODUTOS PETS (PARA BICHINHOS DE ESTIMAÇÃO) APUROU MAIS DE 30 BILHÕES DE REAIS NO ANO PASSADO. SÓ PERDE PARA OS EUA. ENQUANTO ISSO, MUITAS DAS NOSSAS CRIANÇAS PASSAM FOME. VÔTE!

. A ANISTIA INTERNACIONAL DEU NOTA ZERO A BOLSONARO.

. FALAR EM BOLSONARO, O EX-PRESIDENTE LULA O CHAMOU DE “MILICIANO”. ENGRAÇADO, O SUJO FALANDO DO MAL LAVADO! AINDA BEM QUE É TUDO NO “M”: “MILICIANO”, “MELIANTE”...

. A ENERGISA ANDA MUITO FELIZ. PELO QUE DIZEM OS PARTIDÁRIOS DE NASCIMENTO, O PRÓXIMO CANDIDATO A PREFEITO POR ELES APOIADO, DEVERÁ SER UM “POSTE”.

. O ACINTE NÃO PARA POR AÍ. ULTIMAMENTE, OS NASCIMENTISTAS TÊM ACRESCENTADO QUE, ALÉM DO POSTE: “DINHEIRO NÓIS TEM!”.

.  FALAR EM DINHEIRO, OS AGIOTAS OFICIAIS JÁ COMEÇAM A SE MOVIMENTAR. FINDO O CARNAVAL, A JUSTIÇA TAMBÉM SE MOVIMENTA.

. FALAR EM JUSTIÇA, SEMANA PASSADA, PARTICIPEI DE UMA AUDIÊNCIA NO FÓRUM DE PRINCESA, COMO RÉU, POR CONTA DE UMA DENÚNCIA PROMOVIDA PELOS QUE ESTÃO AGORA NO PODER, ALEGANDO QUE EU COMETI CRIME AMBIENTAL POR MANTER O LIXÃO ALI NO BAIRRO MAIA.

. ENGRAÇADO. OS MESMOS QUE DENUNCIARAM JÁ ESTÃO TERMINANDO SEU MANDATO E O LIXÃO CONTINUA NO MESMO LUGAR E EM SITUAÇÃO MUITO MAIS DEPLORÁVEL DO QUE ANTES.

. NASCIMENTO TÁ PAGANDO CARO POR TER ATRASADO OS SALÁRIOS E DEMITIDO ZÉ POTOCA. O LOCUTOR NÃO PERDE OPORTUNIDADE DE BATER NO EX-ALIADO.

. AS CRIANÇAS ESCOLARES DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO, MUITAS DELAS, SÃO TRANSPORTADAS EM VEÍCULOS NÃO ADEQUADOS E SEM A ASSISTÊNCIA DE MONITORES. ENQUANTO ISSO, VÁRIOS MONITORES QUE FORAM APROVADOS NO ÚLTIMO CONCURSO NÃO FORAM CHAMADOS PARA TRABALHAR.

. DIZEM, A BOCA PEQUENA, QUE NASCIMENTO NÃO CONVOCOU OS MONITORES PARA QUE ESTES NÃO TOMEM
 AS VAGAS DOS CONTRATADOS, QUE TRABALHAM E NÃO RECEBEM.



AS ELEIÇÕES DE 1º DE MARÇO DE 1930 EM PRINCESA







No primeiro dia do mês de março de 1930, um sábado de Carnaval, há noventa anos, aconteceram eleições em todo o Brasil para a escolha do presidente e do vice-presidente da República, ocasião em que concorreram, pela Concentração Conservadora, o então governador de São Paulo, Júlio Prestes para presidente e o governador baiano Vital Soares para vice-presidente. Em oposição a essa chapa, candidataram-se, pela Aliança Liberal, os Governadores do Rio Grande do Sul e da Paraíba, Getúlio Vargas e João Pessoa, para os cargos de presidente e vice-presidente da República, respectivamente. Nesse mesmo dia, ocorreram eleições para a escolha de um terço do Senado Federal e para a renovação da Câmara Federal. Em Princesa essas eleições tiveram conotação peculiar. Como é sabido, há menos de 10 dias para a realização do pleito, o coronel José Pereira Lima, chefe político de Princesa e com influência em todo o sertão paraibano, havia rompido politicamente com o presidente João Pessoa e passara a emprestar apoio à chapa da Concentração Conservadora, amparada pelo Governo Federal. A essa altura, já haviam sido demitidos pelo presidente João Pessoa todos os funcionários estaduais que serviam no município de Princesa e destituídos dos cargos o prefeito e o vice-prefeito.

Prevenção violenta

Numa prova de que a iniciativa violenta, que descambou na eclosão da Guerra de Princesa foi o presidente João Pessoa e foi ele [o presidente] quem deu o ”primeiro tiro”, extraímos do livro do historiador paraibano Renato César Carneiro: “Cabresto, Curral e Peia – A História do voto na Parahyba até 1930” – Editora Universitária – João Pessoa – 2009, pp. 163, o seguinte excerto:
Temeroso da provável derrota eleitoral em Princesa, João Pessoa tomou providências no sentido de tornar nulas as eleições daquela comuna. Para isso, retirou da cidade todas as autoridades do Estado. Barbosa Lima Sobrinho, em depoimento isento sobre a Revolução de 1930, historia: “Para evitar que a votação de Princesa viesse alterar os planos eleitorais do situacionismo, e na impossibilidade de providências eficazes que alterassem o resultado esperado, o governo pretendeu deixar a cidade de Princesa fora da lei, retirando-lhe todas as autoridades estaduais, o coletor, o delegado de polícia, os professores, etc.”.

Resultado do pleito

 A essa altura já havia acontecido o primeiro combate da chamada Guerra de Princesa. Essa primeira refrega ocorreu na cidade de Teixeira no dia 28 de fevereiro. Mesmo já havendo começado a guerra, as eleições aconteceram em Princesa onde os candidatos apoiados pelo coronel Zé Pereira obtiveram a unanimidade dos votos. O coronel, que era deputado estadual desde 1916, não concorreu a nenhum cargo nesse pleito, uma vez que havia sido reeleito nas eleições de 1928. Apuradas as urnas constatou-se, no âmbito nacional, a vitória da chapa da Concentração Conservadora, elegendo Júlio Prestes e Vital Soares, que obtiveram mais de um milhão de votos contra 737.000 dados à chapa adversária. Eleito presidente do Brasil e diplomado pelo Congresso Nacional, Prestes encetou longa viagem ao exterior, pois, somente tomaria posse em novembro de 1930. Aliás, posse que nunca houve uma vez ser do conhecimento de todos que, após o assassinato de João Pessoa, em 26 de julho daquele ano, o que muitos historiadores atribuem como consequência da Guerra de Princesa, eclodiu a Revolução de 30, o presidente Washington Luís foi deposto e Júlio Prestes teve que ausentar-se do país por um longo período.

Comissão Verificadora de Poderes

Já no caso do senador e dos deputados eleitos pela Paraíba, o problema fez-se mais grave. Naquele tempo existia um instituto arbitrário, chamado “Comissão Verificadora de Poderes” que, após as eleições, se reunia no Rio de Janeiro, então Capital Federal, para fazer uma avaliação das eleições realizadas nos Estados. Essa avaliação – também chamada de “terceiro escrutínio” -, era, no mais das vezes movida pelo interesse na manipulação de resultados eleitorais que atenderiam as conveniências dos que estavam no poder. Em face disso, a reavaliação das eleições proporcionais realizadas na Paraíba naquele ano de 1930, foi com o único propósito de “decapitar” o senador e os deputados eleitos pela Aliança Liberal, dando a vitória aos que perderam de conformidade com a vontade dos mandatários de plantão comandados pelo presidente Washington Luís. Defenestrados o senador e os deputados aliados de João Pessoa, muitos protestos foram feitos no plenário do Congresso Nacional, reverberando por todo o país, o que foi explorado pela grande imprensa da época que passou a denominar os deputados derrotados, que foram empossados graças à famigerada “Comissão Verificadora de Poderes”, como “Os deputados de Princesa”.


(ESCRITO POR DOMINGOS SÁVIO MAXIMIANO ROBERTO, EM 1º DE MARÇO DE 2020).