ODE

sábado, 4 de julho de 2020

CURIOSIDADES



CEMITÉRIOS

Cemitério vem do latim coemeterium, que por sua vez deriva do grego koimeterion (dormitório) de koimao, que quer dizer, eu descanso, durmo. Acreditavam os gregos que as sepulturas serviam de lugar de descanso para os espíritos libertados do corpo. O cemitério é criação do cristianismo, e data do século III da nossa era. Antigamente existiam sítios particulares para o enterramento dos mortos. O cristianismo obrigou os fiéis a terem cemitérios próprios. No final do século XIX, o papa, Leão XIII, proibiu o enterramento de pessoas ricas e tidas como nobres, nos templos católicos, devido a grandes abusos, quebrando assim uma tradição milenar, uma vez que, os pobres, eram sepultados em valas comuns, enquanto os ricos, mesmo que não fossem considerados “justos”, tinham o privilégio do túmulo sacro. No século IV, em 1392, o papa Bonifácio IX - o mesmo que instituiu a venda de indulgências e de benefícios eclesiásticos -, introduziu o uso das cruzes nas sepulturas, em honra de Jesus. No século X, na Itália, segundo alguns historiadores, os cemitérios passaram a chamar-se “Campo santo”. Antigamente, Campo santo, em Roma, era o lugar reservado às necrópoles dos nobres, mais tarde, por respeito aos mortos, o nome foi usado para os cemitérios. No Nordeste brasileiro, costumava-se enterrar os natimortos e as crianças que morriam pagãs, em encruzilhadas de caminhos ou sob as biqueiras das casas

DSMR, EM 04 DE JULHO DE 2020.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS ENGRAÇADAS DE PRINCESA



JOAQUIM MARIANO, A ELEIÇÃO E A REDE

Nas eleições municipais de 1968, por ocasião de um comício realizado na Rua “Do Cancão”, o candidato a prefeito, Joaquim Mariano, loquaz, peculiar e espirituoso em sua maneira de falar,diante da provocação do candidato arenista, doutor Antônio Nominando, proferida em comício no dia anterior, quando afirmara já estar eleito, Mariano, candidato do MDB1, de cima de um caminhão – baseado na composição da chapa eleitoral para a votação, que trazia seu nome correspondendo ao primeiro quadrinho, seguido do nome de Antônio Nominando, correspondendo ao quadrinho do meio, e do de Miguel Rodrigues consignado no terceiro quadrinho – afirmou aos brados:

“Tão dizendo que nós tamo derrotados e que o candidato do lado de lá já tá eleito. Eu não sei dessa conversa não! O que eu sei é o seguinte: a rede se rasga pelo meio e eles tão lascados”.

O prognóstico de Joaquim Mariano não se cumpriu. A rede não se rasgou pelo fundo, mas sim pelos punhos: Antônio Nominando ganhou a eleição.

DSMR, EM 03 DE JULHO DE 2020.

90 ANOS DA GUERRA DE PRINCESA – CRONOLOGIA DE UM CONFLITO TAVARES SITIADO




O então Distrito de Tavares foi o principal palco dos conflitos armados da Guerra de Princesa, em 1930. Completados exatos 30 dias do início das hostilidades (28/02/1930) entre a polícia da Paraíba e os homens comandados pelo coronel José Pereira Lima, aquele povoado, composto de cerca de 200 casas e 1.500 habitantes, foi atacado por um contingente da polícia do presidente João Pessoa, a chamada “Coluna Leste”, comandada pelo tenente João Costa. Numa luta que durou 23 horas, ocorrida entre os dias 29 e 30 de março daquele ano de 1930, Tavares foi ocupada pela Força Pública paraibana, o que obrigou aos homens do Coronel a se refugiarem nas imediações daquele arruado. A Coluna Leste, era composta por 110 praças bem remunerados (o presidente João Pessoa,a título de estímulo e recompensa àquela expedição, determinou, em 22 de março daquele ano, através do Decreto nº 1.653, a majoração do soldo dos soldados em um terço de seus vencimentos),porém, no final da refrega, que tomou Tavares dos insurretos, em que pese vitoriosos, restavam apenas 64 policiais ilesos. 46 era o número de praças mortos, feridos ou desertores. Segundo o escritor João Lelis de Luna Freire, em seu livro: A CAMPANHA DE PRINCÊSA: “A luta era de empenar o chão”. Do lado do coronel José Pereira - nessa refrega para ele inglória -, lutaram cerca de 200 homens, também remunerados à farta, pois, segundo relato do “cabra” Zé Gomes, em entrevista concedida ao escritor paraibano, José Joffily: “(...) de mais a mais, a gente ganhava 10 mil-réis por dia, muito dinheiro, comparado com a diária de um trabalhador de enxada, 2 mil-réis. Por derradeiro, poucos sabiam ler e escrever e quase ninguém já tinha saído do sertão para conhecer outros lugares. (...) mas quando a bala roçava o mato que nem foice, nem no dinheiro a gente podia pensar. (...) a gente podia brigar toda a vida e mais seis meses...”. O erro de estratégia dos comandantes da tropa do Coronel, foi responsável por essa significante derrota. Ao invés de determinarem o posicionamento dos homens em locais apropriados para a defesa - já que sabiam do ataque certo -, à espera da polícia, tomaram a iniciativa de ordenar o ataque em campo aberto, expondo seus comandados em alvo fácil para o inimigo.

Ocupação efetiva

Vencida a batalha da tomada de Tavares, o tenente João Costa telegrafou, através do serviço de rádio, ao presidente João Pessoa, dando conta do sucesso da operação militar que deu à polícia paraibana, o controle do último bastião antes do alvo desejado que era a ocupação da cidade de Princesa. Diante dessa notícia, em 05 de abril, o presidente, em reconhecimento ao feito, promoveu o então 1º tenente João da Costa e Silva, por ato de bravura, ao posto de capitão. Nesse mesmo dia, chegava ao povoado ocupado, sob o comando do 2º tenente Raimundo Nonato, um contingente de 30 homens que ficaram incluídos na Coluna de João Costa. Mais tarde chegaria também o capitão Irineu Rangel, comandando mais 60 homens que se juntaram também aos já estacionados em Tavares em preparo para o ataque final à cidadela rebelde. Imediatamente à ocupação, o agora capitão João Costa instalou um hospital de sangue e providenciou instalações para a tropa já acrescida de vários outros efetivos.Logo após a derrota, os chamados “Libertadores de Princesa”, liderados pelos valentes, Manuel Lopes Diniz, João Paulino e Zeca Ferreira, não recuaram até a sede do “Território Livre”, mas acamparam nos arredores do povoado ocupado e mantiveram um cerco a Tavares que, reforçados por mais homens enviados de Princesa (cerca de 200) e alguns moradores do Distrito ocupado, a exemplo de José Pessoa, José Gonzaga, Severino Valério, Neco Silvino, Manuel Jurity, dentre outros, começaram a atacar a polícia de João Pessoa, agora sitiada no mesmo palco da grande vitória. Nos primeiros dias da ocupação, os homens da Força Pública não tiveram grandes dificuldades, pois encontraram ali muitos grãos de milho, feijão e arroz, além de legumes, água potável e animais próprios para alimentação (galinhas, porcos, cabras, etc.), que lhes garantiram boas e fartas refeições nos primeiros dias do confinamento e de lutas. Mesmo assim, não conseguiram se articular para o ataque final ao reduto rebelde. Colhido do livro do escritor pernambucano, Joaquim Inojosa: REPÚBLICA DE PRINCESA, temos:

“Todavia, entre comunicar-se com Nova Olinda, sendo do comando-geral das forças do governo, e avançar sobre a capital do Território Livre, a diferença era tão grande, que jamais o conseguiram. Tavares continuou sempre semicercado, vigiado e controlado. Somente não fora possível evitar o que o tenente Agripino Câmara registrava no seu diário: - ‘Seguiu-se o saque e a destruição de tudo. Os soldados beberam, fumaram, saquearam (...) estendendo o saque pelos sítios vizinhos numa verdadeira anarquia no seio da tropa’. (...) Depois, com o prolongamento do cerco, ficariam “a feijão e milho e a milho e feijão”.

Luta feroz

Já nos primeiros dias do cerco, ao cair das noites, a fuzilaria era intensa. Os comandados pelo Coronel Zé Pereira na tentativa de retomar Tavares das mãos dos inimigos, e estes, empenhados em manter o povoado sob seu controle lutavam ferozmente. Entendiam, os da polícia, ser aquele entreposto, fator estratégico exponencial para viabilizar a futura ocupação de Princesa. Os tiroteios, sob frio intenso naquele ano de pouca chuva, mas de temperaturas baixíssimas, eram acompanhados de gritos – de lado a lado -, contidos de impropérios e palavrões, acrescidos de batidas em latas (o que no sertão se chama de “latumia”). Extraído do livro: A CAMPANHA DE PRINCESA, do escritor João Lelis de Luna Freire, temos:

“Uma gritaria absurda, assobios, vaias, pilherias brutais, apelidos indecentissimos, alguns dêstes inventados no momento, zabumbas em latas, em garrafas vasias, em tudo que pudesse produzir barulho, eis a resposta obrigatória das forças sitiadas ao tiroteio inominavel dos sitiantes. As posições da igreja local, dominando um horizonte que ultrapassava as posições adversárias mais remotas, por se encontrarem elas situadas numa elevação, tornavam-se as mais vizadas em virtude de serem também as sentinelas mais destacadas da tropa. Qualquer movimento do inimigo os vigias da igreja anunciavam. Raramente um soldado dava um tiro. E esse mesmo tinha que ser certeiro para admitir uma justificativa, senão o castigo vinha por cima, mal se extinguia o éco do disparo. Muitos ficavam nas biocas com o fuzil sem o ferrolho, que era, segundo dizia o comandante, para se acostumar com tiro...”.

Segundo ainda o escritor João Lelis, somente na Sexta-feira Santa, dia 18 de abril, houve uma trégua. Ambos os lados hastearam a bandeira branca, se descobriram e chegaram atéa palestrar entre si: “(...) É quando se reconhecempai e filho na luta, em fileiras adversárias. Filho soldado,pai na rebelião.O velho aconselha ao môço que cumpra com o dever. Sim, êle cumpriria, e o pai o abençoasse. Um toque de corneta no P. C. Dentro de instantes,pai e filho tiroteiavam-se, fatalmente, ferozmente”.

O sítio

As posições ficaram estáveis com o cerco mantido e a polícia, aos poucos, sentindo as dificuldades em se manter sitiada. Nas casas geminadas, foram abertos buracos nas paredes, para viabilizar a comunicação interna dos soldados sem que se expusessem à artilharia inimiga. Nas ruas, sob as ordens do capitão Costa, a soldadesca trabalhou duro na abertura de valas de proteção, acrescidas de sacos cheios de terra. Tudo isso apenas deforma estratégica, pois, a polícia continuava isolada e os homens de Zé Pereira não conseguiam penetrar no povoado ocupado. Para os Libertadores de Princesa, a situação era mais confortável,uma vez que, eram abastecidos de farta comida. No cardápio era servido até bacalhau e queijos. Além disso, havia sempre substituições de homens cansados da luta, por outros que vinham de Princesa para rendê-los. Os pagamentos dos sitiantes eram feitos em dia e em valores bem superiores aos dos destacados da Força Pública do vizinho estado da Paraíba (como se referia o Jornal de Princeza à Unidade da Federação governada pelo presidente João Pessoa Cavalcante de Albuquerque).Não bastassem esses confortos, as tropas de Zé Pereira eram sempre agraciadas com festas regadas a cerveja e animadas por danças ao som de sanfonas, triângulos e zabumbas .Enquanto os Libertadores de Princesa desfrutavam desses mimos, os do lado da polícia, passados dois meses da tomadado povoado, viviam situação que logo começou a se complicar. Sitiados, os homens da Força Pública, viram escassearem comida e água. Passaram a comer milho torrado, e a água que bebiam de uma cacimba, foi envenenada pelos princesenses. Até um pequeno avião enviado da capital paraibana, com víveres e munições, por engano ou falta de pontaria, despejou a preciosa carga num acampamento dos rebeldes de Princesa. Já no final do mês de junho, após o desastre da chamada “Coluna da Vitória”, que foi desbaratada pelos Libertadores de Princesa na altura do povoado de Água Branca, a situação da Força Pública se agravou ainda mais. As deserções do lado da polícia paraibana eram quase em massa. Na verdade, em meados do mês de julho, a situação já se encontrava insustentável e não se pensava mais em atacar Princesa, mas sim, em achar um meio de se livrarem daquele terrível cerco. A solução salvadora foi o trágico assassinato do presidente João Pessoa, em Recife, na tarde do dia 26 de julho. A ocupação do principal Distrito do Território rebelde,o mais importante sucesso da polícia paraibana na Guerra de Princesa, foi uma vitória de pirro.


DSMR, EM 03 DE JULHO DE 2020.

PENSAMENTOS DO DIA




“A guerra é o único remédio para povos doentes”.
Heinrich von Treitschke

“A guerra é o fracasso da inteligência”
Pedro T. González Grova

“A história nos mostra os erros que vamos cometer”
Philip Ullmann

quinta-feira, 2 de julho de 2020

OBRIGADO AO DOUTOR DIOGO



Esse não é mesmo um agradecimento, pois sei que a atenção dispensada por doutor Diogo ao meu genro/filho, Renato César, foi por pura e sincera amizade. Porém, não poderia eu deixar de reconhecer a disponibilidade e dedicação daquele jovem médico – filho do princesense, doutor Wellington Marques Lima -, quando emprestou toda sua atenção, por ocasião da passagem de Renato - a quem ele chama intimamente de “Aranha” -, pelo Hospital da FAP, em Campina Grande, para um tratamento renal. O apoio e atenção de Diogo a Renato foram fundamentais para sua notória recuperação. Obrigado doutor Diogo, pelo muito que fez por esse cidadão que, quando pode, sempre está também a servir a quem o procura.

DSMR, EM 02 DE JULHO DE 2020.

BOLSONARO E SEUS TRÊS PROBLEMAS



O presidente Jair Bolsonaro está com as mãos na cabeça por conta de três problemas indissociáveis. São problemas dele próprio nascidos: os filhos Flávio, Carlos e Eduardo. O nº 01, Flávio Bolsonaro, atual senador e que foi deputado estadual pelo Rio de Janeiro, está sendo investigado sob a acusação de participar do esquema chamado “rachadinha” da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando, supostamente, servidores contratados do seu gabinete, recebiam salários e os devolviam ao então deputado estadual. O nº 02, Carlos Bolsonaro, que atualmente é vereador à Câmara Municipal do Rio de Janeiro, está com a Justiça nos seus cóses pelo fato da suspeita (suspeitíssima) de haver contratado funcionários fantasmas para seu gabinete naquele Poder Legislativo Municipal. Por fim, o nº 03, Eduardo Bolsonaro, que atualmente é deputado federal, pelo estado de São Paulo, está sendo processado por adotar comportamento antidemocrático quando, através de declarações públicas, provocou incitação à subversão da ordem política e institucional, quando disse, dentre outras asneiras, que a ruptura não é questão de se, mas, de quando. Os três filhos do presidente, mesmo em diferentes situações, estão todos envolvidos em falcatruas graves. Os fantasmas da família Bolsonaro estão saindo dos baús e assustando sobremaneira aquele que veio para acabar com a “velha política”. Isso é a nova política? Isso é o combate à corrupção? Tudo faz crer que, “o mito”, tem os pés de barro. E a água está subindo...

DSMR, EM 02 DE JULHO DE 2020.

ELEIÇÕES MUNICIPAIS DEVERÃO SER ADIADAS




Ontem, a Câmara Federal votou, em primeiro turno, a PEC - Projeto de Emenda Constitucional, que adia as eleições que deverão ser realizadas neste ano, para a escolha deprefeitos e vereadores. As novas datas, determinadas pela PEC, para a realização do pleito - em primeiro e segundo turnos - serão, respectivamente, 15 e 29 de novembro deste ano de 2020. Como já tratamos em artigo anterior, essas, deverão ser eleições atípicas, completamente diferentes das ocorridas até hoje no Brasil. Não haverá a tradicional campanha eleitoral, composta de carreatas, passeatas, comícios e do tradicional corpo-a-corpo. Um candidato que normalmente percorre as ruas das cidades e setores da Zona Rural, cumprimentando eleitores, apertando mãos e distribuindo abraços, nestes tempos de Pandemia do Coronavírus, comportamento dessa natureza se constituiria uma verdadeira bomba-relógio, uma vez que proporcionaria a disseminação da COVID-19 de forma irresponsável. Com certeza não haverá isso. A campanha será virtual, à distância. O principal instrumento para a divulgação das propostas dos candidatos, deverão ser as redes sociais, através de aparelhos celulares ou a propaganda eleitoral gratuita pelos meios de comunicação tradicionais, tais quais televisão, rádio, jornais, etc.

Quem vai votar?

É sabido que o grupo mais vulnerável ao contágio do Coronavírus é o das pessoas com mais de 60 anos de idade. Esses cidadãos e cidadãs - que no mais das vezes são também portadores de comorbidades -, certamente se farão resistentes a comparecer aos locais de votação, preferirão pagar a multa a contrair o mal. Os eleitores com mais de 70 anos e, portanto, desobrigados de votar, com certeza não comparecerão. Os residentes em cidades diferentes de seus domicílios eleitorais, também resistirão em viajar em transportes coletivos, para exercerem seu direito cidadão. Com isso, se vislumbra que teremos, neste ano, a maior abstenção eleitoral já havida no país. Some-se a isso, os cuidados que deverão ser adotados quanto à aglomeração nas filas das secções eleitorais e na obrigatória e cuidadosa higienização das urnas eletrônicas, o que poderá provocar grande perda de tempo, prejudicando a normal celeridade da votação.  Resta saber quem lucrará com esse quadro adverso, quando a eleição deste ano deverá ser movida pelos jovens e pelos adultos de meia idade. Diante dessa atipicidade, fica apenas uma certeza: com a ausência do contato físico, deverão ser essas as eleições mais limpas da história, pois, a COVID-19, certamente fará diminuir e muito a prática nefasta da compra de votos.

DSMR, EM 02 DE JULHO DE 2020.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

LUCIDEZ NO FALAR



Muito lúcida a entrevista concedida pelo ex-prefeito, Thiago Pereira, no programa radiofônico comandado pelo advogado, doutor Rivaldo Rodrigues. Ontem, na rádio Web Princesa, Thiago, questionado sobre vários assuntos políticos do momento, fez alguns esclarecimentos sobre afirmações do ex-prefeito, doutor Sidney e, numa demonstração de boa vontade, relembrou mensagens enviadas ao atual prefeito de Princesa, sobre possíveis contribuições que poderiam dar, alguns dos vários segmentos da sociedade e dos grupos oposicionistas, nesse momento de enfrentamento da Pandemia do Coronavírus, o que foi ignorado pelo senhor Ricardo Pereira do Nascimento. Perguntado sobre o que achava da atual administração municipal, o ex-prefeito, realçou os principais investimentos do atual prefeito: em propaganda para engrandecimento pessoal; em aquisição de aliados políticos e na compra e locação de veículos de luxo, destacando que nenhum investimento de monta, ou obra estruturante pode-se observar nessa administração que já está chegando a termo. Por fim, Thiago Pereira insistiu na tese da união das oposições para o enfrentamento, nas urnas, do candidato que deverá ser apoiado pelo atual gestor. Na sua forma elegante de falar e no seu jeito pacífico de criticar, quando mais sugere, o nobre entrevistado foi muito feliz em suas colocações, dando enorme contribuição para um entendimento político que, se materializado, prestará um grande serviço à municipalidade princesense.    

DSMR, EM 1º DE JULHO DE 2020.

ANTOLOGIA DOS PREFEITOS DE PRINCESA MANUEL FLORENTINO DE MEDEIROS



MANUEL FLORENTINO DE MEDEIROS foi o primeiro prefeito eleito de Princesa. Filho de Maçal Rodrigues Florentino e de dona Úrçula Emília de Medeiros, nasceu em 1892, no antigo Distrito da Barra (atual município de Juru/PB), que pertencia a Princesa. Casou-se com dona América de Assis Nóbrega e com ela teve os filhos: Antônio, Francisco de Assis, José (Zezito) e Maria de Lourdes. Proprietário de terras e gado, era também dono de engenho de cana-de-açúcar. Bem articulado, era conversador, festeiro, valente, elegante no vestir e bom de copo. Era, sem dúvida, Manuel Florentino, um cidadão de primeira linha uma vez que detinha também o título de Coronel da “Guarda Nacional”. Estudou em casa, sob a orientação de um professor particular e, afeito à leitura, mesmo sem ter tido uma educação formal, tornou-se um homem razoavelmente letrado.

O político

Aliado do coronel José Pereira Lima de Princesa, Manuel Florentino fazia parte do Diretório Municipal do PP – Partido Progressista, quando foi escolhido por essa agremiação política para concorrer como candidato a prefeito de Princesa nas eleições municipais realizadas em 1935. Nesse pleito, realizado em 09 de setembro de 1935, Florentino disputou com o médico – também princesense -, doutor Severiano dos Santos Diniz, que era apoiado pelo grupo político comandado pelo então prefeito nomeado, Nominando Muniz Diniz. A eleição foi muito disputada e a vitória foi do candidato pereirista, quando Manuel Florentino logrou êxito nas urnas, se tornando o primeiro prefeito eleito de Princesa, com uma maioria de 232 votos sobre o candidato adversário. Tomou posse em 31 de dezembro do mesmo ano, governando o município até 09 de dezembro de 1937. Seu mandato não chegou a termo, pois, em face do Golpe Político e da consequente instalação da ditadura do “Estado Novo”, promovida por Getúlio Vargas, foram cassados os governadores de Estados e os prefeitos municipais, sendo nomeados interventores pelo novo regime político. Sobre Manuel Florentino, escreveu o jornalista Ângelo Cibella, em 1936, na Revista A ECONOMISTA

“É atualmente prefeito de Princêsa, o sr. Manoel Florentino de Medeiros. (...) Pertencendo a uma tradicional família sertaneja, tem grande projeção política e social dentro do município, tendo sido sua eleição uma consequência direta de seu prestígio como figura de relevo e de destaque no seio do Partido Progressista. Dentro das possibilidades que oferecem as rendas públicas do município, o Prefeito Manoel Florentino, vem desenvolvendo um largo programa de trabalho e de benefício para a municipalidade. Princêsa tem recebido, assim, do seu chefe e administrador, os maiores melhoramentos”.

Prefeito novamente

Em 1º de março de 1946, Manuel Florentino foi nomeado prefeito de Princesa pelo interventor do estado da Paraíba, Samuel Vital Duarte. Ocupou esse cargo, pela segunda vez, até 15 de março de 1947. Em 12 de outubro daquele ano, Florentino foi eleito vereador por Princesa, sendo o mais votado, quando obteve 424 sufrágios. Animado pelos constantes sucessos obtidos das urnas, Florentino, resolveu ser candidato a deputado estadual nas eleições de 1950. Assim o fez, concorrendo pela CDC – Coligação Democrática Cristã. Porém, sem o empenho necessário dos chefes de seu partido (Alcides Carneiro e Aloysio Pereira), não conseguiu ser eleito, quando obteve apenas 1.381 votos, ficando na 23ª suplência. Após essa primeira derrota eleitoral, Florentino postulou junto ao seu partido, a indicação de seu nome para concorrer novamente à prefeitura de Princesa, nas eleições municipais de 1951. Preterido pela cúpula partidária – que preferiu apoiar o nome do tabelião Zacharias Sitônio -, o ex-prefeito desgostou-se com seus correligionários e afastou-se do convívio partidário. Em 1958, após episódio violento que envolveu um de seus filhos, quando chegou, este, a assassinar um policial no Distrito da Barra, Manuel Florentino recebeu o apoio de Nominando Muniz Diniz e, a partir dali, passou a ser correligionário de seus antigos adversários.

DSMR, EM 1º DE JULHO DE 2020.

PENSAMENTOS DO DIA




“Absurdo é o homem que nunca muda”
Georges Clémenceau

“O que os administradores precisam, para serem aceitos como autoridade legítima, é de um princípio de moralidade”.
Peter Ferdinand Drucker

“Aqueles que só realçam suas qualidades, que se dizem espelho, jogam para debaixo do tapete, porque indizível,sua verdadeira realidade”.

V. Bamsf

DSMR, EM 1º DE JULHO DE 2020.