ODE

domingo, 25 de julho de 2021

Partiu cedo nosso grande Fôia

Acometido de mal inesperado pelo agravamento do diabetes, nosso amigo Claudiano Crispim, mais conhecido por Főia, teve de ser internado em UTI na cidade de Patos e, no início da noite de ontem, não resistiu e partiu do nosso convívio. Perda verdadeiramente lamentável. Com ele, foi-se embora muita alegria, bom-humor e vontade de viver. Naquele seu corpanzil, Fôia estava sempre presente nos eventos, principalmente nos de natureza política. Grande aliado do doutor Alan Moura, era também uma figura emblemática do Bairro do Cruzeiro. Vai em paz, amigo. Meus sinceros sentimentos.




O TANQUE DE GUERRA DO PREFEITO

                                   

 

     A foto de Juliano Matuto, prefeito de São José, pilotando uma retroescavadeira, me comoveu. Bem sei dos truques midiáticos de alguns prefeitos e governadores que vão a estúdios sofisticados e constroem suas imagens cheias de hormônios e testosterona. Como crianças manuseando um joystick, eles manobram máquinas enormes, acionam turbinas detonapedreiras colossais, mas tudo não passa de pirotecnia para impressionar seu eleitorado.

          Mas no condado de São José não tem disso nãoo prefeito acorda cedo, economiza de cara um operador para a máquina, aspira o cheiro de óleo diesel ruma ao canteiro de obrasEm São José a vida é real e de punhos fechados, todo mundo trabalha, seja do partido do prefeito, seja da oposição. E o prefeito é de todo mundo, queira ou não queira os opositores, assim reza a cartilha da boa e republicana cidadania.

          Ele tem a investidura e a conseguiu através do voto e fim de papo. Agora ele é o prefeito, tem o poder da caneta e dos milhares de cavalos de força da máquina que pilota. E pode fazer o que bem desejar, dentro dos limites da lei, inclusive abaixar seu próprio salário e aumentar a carga horária de trabalho, como fez recentemente. Parabéns, senhor prefeito. 

      A última vez que estive em São José, pude ver e sentir sua beleza paisagísticaa fleuma dos habitantes, a tranquilidade das ruas, um carro vai devagar, devagar a vida anda, mas não é uma vida bestacomo diz o poeta Drummond. Desde os limites com Princesa, seu município-mãe, até o desfiladeiro do Sozinho, acima dos Patos de Irerê, e de lá até o quilombo do Livramento, o sobe e desce do relevoeis toda a geografia do meu sonho, do meu sonho recorrente, e quando acordo dou um nó no travesseiro para ele não ir embora.  

         riacho parece um risco, garatuja de menino no caderno aluvionário das vazantes. Ele serpenteia sobre as planícies de capim gordura salpicadas de nelorescuja beleza cresce a cada dia em nossas vistas, tanto quanto nossos níveis de colesterol. Gosto de churrasco, mas apandemia me manteve afastado de minha casa da serra, bem na divisa — a sala pertence a São Josée a cozinha é pernambucana, município de Triunfo — mas pouco importa ogeoposicionamento se a alma é universal. 

        A ponte sobre o riacho do mesmo nome, os telhados do casario o céu meio fosco nas horas semimortas de fim de tarde, são os detalhes de um quadro de Van Gogh ou de Antônio Maximiano Roberto, tendo ao fundo o paredão poente que tapa o céulombo de um gigantesco paquiderme antediluvianoE pensar que aquela serra não está ali para assustar crianças, tampouco para conter as encostas de Manaíra. É o cenário que há milhões de anos a natureza conserva para hoje servir de pano de fundo para a selfie inesquecível, fotografia do pôr-do-sol mais perfeita do mundo.  

                

ZÉ E O ESQUELETO

     

 Zé de Cabrinha, da bodega, disse que Jesus passou em São José e cavou as areias do riacho para beber água e achou um esqueleto. Mentira de Zé de Cabrinha e de Jesus, informou Pacífico de Zé de Fausto, em pleno dia, sentado no banco dapraça e na companhia de um burrinho de cachaçae um copo. O meu amigo de infância achou um jeito econômico de driblar a inflação suportar a angústia de tanta corrupção no Ministério da Saúde. Diz ele que seu irmão Rudival, agente comunitário de saúde, praticante e juramentado,não está gostando de nada disso.

        Depois disso, fui complementar a feira semanal no mercadinho de Jeová, e dou meutestemunho de que fiz um bom negócio, achei os produtos que eu desejava e de promoção ganhei a visão soberba da casa de Quinzim Bezerra, na outra esquina, de arquitetura pré-colonial e totalmente preservada, que a prefeitura transformou em Museu, hoje aberto à visitação pública.

                    

                 RENA BEZERRA

         

A casa do museu me arrasta para outro exemplar de soberba e curiosa arquitetura, a morada senhorial do poeta Rena Bezerra, da mesma época e igualmente conservadaToda em tijolo aparente, autêntica casa de fazendeiro, sede da propriedade e fortaleza (vide as seteiras através das quais se colocava o cano do fuzil ou do bacamarte por ocasião de algum ataque externo). Pouso e refúgio de pioneiro, gente da estirpe daqueles da Casa da Torre da Bahia e que grassaram os sertões subindo pelo rio São Francisco, depois através do leito do Pajeú, até darem com os costados por essas bandas. 

         Outro dia parei diante da bela casa e o passado me deu um soco no estômago. Dona Rita, nonagenária, sentada em sua cadeira de matriarca, magra e elegante como sempre, relembrou os tempos de estudante da escola normal e da amizade que tinha com minha mãe, também professoraDe Rena, seu filho, escutei uns poemas de sua própria lavra, cordel rico e palatável, na cadência do coração e em pura língua de Camões e João Paraibano.

         O terreiro ficou pequeno para o nosso sarau vespertino.  entraram no rolo Augusto dos Anjos, Manoel Bandeira, Ronaldo Cunha Lima,Zé Limeira, Ariano, a Besta Esfolienta e a Pavoa Devoradora. O chão empenouchoveu canivete, corisco e meteoro, mas ninguém arredou daliOuvi a narrativa de sua rehab, em Campina Grande, notícias das irmãs Erotildes e Eronildes, e a saudade eterna do pai Edilson, hoje em outra dimensão. Com seu cajado patriarcal, ele apascenta ovelhas telepáticas e tange gados siderais, enquanto o seu trator eterno gradeia e araterras nos campos do Senhor.

 

                                                                       Texto de Aldo Lopes de Araújo

sábado, 24 de julho de 2021

SABÁTICAS 96

🛑 Imitando o ex-presidente americano, Donald Trump, o bozo brasileiro, temeroso de perder a eleição do ano que vem, já alardeia aos quatro ventos que as urnas eletrônicas permitem fraude, e quer criar o “voto impresso”. Diante disso, um humorista cearense disse: “A fraude das urnas eletrônicas foi o próprio Bolsonaro, eleito em 2018”.

🛑 O general Walter Braga Netto, ministro da Defesa, num surto ditatorial, ou melhor, num surto de bajulação, fez eco das declarações do “mito” ao dizer que, “sem voto impresso não haverá eleições”. Melhor dizendo, sem votos, o chefe dele pode até nem ir para o segundo turno.

🛑 O evento político promovido pelo pré-candidato a deputado estadual, o médico Aledson Moura, realizado na última quarta-feira, em que estiveram presentes duas estrelas de primeira grandeza do governo estadual, o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino e o secretário de Articulação Política, Murilo Galdino, se revestiu de grande importância para Princesa.

🛑 Com medo do impeachment, Bolsonaro coloca o chefe do “centrão” no centro de seu governo. O senador Ciro Nogueira, sem habilidade administrativa alguma, deu um pulo e passou para o lado de dentro do balcão. Agora, ao invés despachado, vai ser despachante. O “centrão” está em êxtase.

🛑 Dentro dos protocolos de combate ao coronavírus, o prefeito Nascimento havia editado um Decreto proibindo a comercialização e a queima de fogos de artifício desde o início do mês de junho. No dia em que recebeu as visitas de seus candidatos a deputados nas próximas eleições, semana passada, apressou-se e fez um Decreto revogando o primeiro para poder foguetear a cidade em homenagem aos visitantes...

🛑 Ironicamente, os tiros dos foguetões de Nascimento saíram pela culatra. Na última quarta-feira, beneficiado pelo novo Decreto, o pré-candidato a deputado estadual, doutor Aledson Moura, pipocou a cidade com foguetões, anunciando as presenças do presidente da Assembleia, Adriano Galdino e de seu irmão, pré-candidato a deputado federal, Murilo Galdino.

🛑 Outra proibição que gorou foi o desligamento do caro de som que transmitiu, em frente ao prédio onde funciona a Rádio Web Princesa, as entrevistas das autoridades acima mencionadas. Desta feita, Nascimento não se atreveu em mandar calar a voz do presidente da Assembleia. Quem tem c... tem medo, né?

🛑 A visita dos pré-candidatos apoiados pelo médico Aledson Moura causou grande repercussão e algum dissabor a algumas lideranças políticas de Princesa. Presenças inesperadas na recepção deixaram marcas indeléveis de insatisfações e ciúmes.

🛑 Os concursados aprovados no último certame realizado pela Prefeitura de Princesa, estão com duas expectativas. A primeira, positiva, pois aguardam o cumprimento da determinação judicial para que sejam nomeados. Já a segunda, não traz muito alento, uma vez que já escutam, a boca pequena, que Nascimento designará os que não rezam pela sua cartilha política para os grotões do município.

🛑 A reforma ministerial prometida pelo presidente Bolsonaro está deixando sem dormir o ministro da economia, Paulo Guedes. Corre em Brasília que, para saciar a fome do “centrão”, será inevitável o fatiamento do Ministério da Economia.




Repercute negativamente o super-salário do prefeito de Princesa

Além da majoração desproporcional, o aumento salarial que a Câmara Municipal de Princesa concedeu ao prefeito Ricardo Pereira do Nascimento (de 18 mil reais para 24 mil reais), se reveste também de ilegalidade. Primeiro pelo fato de que, conforme informação colhida de um ex-vereador àquela Casa Legislativa, que teve mandato até o último dia do ano de 2020, não aconteceu a aprovação de Lei para a concessão desse aumento salarial. De acordo com a lei, aumentar salários dos agentes públicos eletivos, só é permitido pela composição legislativa, no ano anterior às eleições e antes da realização do pleito. Segundo, porque o ato abusivo desobedece à Lei Complementar nº 173/2020.

Situação similar aconteceu no município de São José de Princesa quando, por desconhecimento da legislação, a Câmara Municipal aprovou lei majorando os salários do prefeito, vice-prefeito e vereadores em tempo inábil. Porém, numa demonstração de responsabilidade administrativa e fiscal, o prefeito Juliano Diniz, encaminhou Projeto de Lei ao Poder Legislativo, em obediência ao que dispõe a Lei Complementar nº 173/2020, congelando os salários dos agentes políticos daquela edilidade e obrigando a todos - inclusive a si próprio -, a ressarcirem os cofres públicos dos valores recebidos a maior no mês de janeiro de 2021.

Urge, portanto, que Nascimento bote a mão na consciência e, antes que seja determinado pela Justiça o ressarcimento dos valores recebidos a maior, tome as providências, de forma administrativa, para a devolução dos valores excedentes, recebidos desde 1º de janeiro de 2021, pelo prefeito, vice-prefeito e vereadores. Caso necessite melhor orientação, basta dirigir-se ao município vizinho de São José de Princesa e pedir cópia da Lei Municipal Nº 203/2021 que estabelece deveres instrumentais compensatórios e dispõe sobre outras medidas.