ODE

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

A "generosidade" pelo Nascimento

Nestes últimos dias do ano em que se comemora o "Nascimento do Cristo", o nosso Nascimento tem exercitado sua "generosidade" de forma muita pródiga. Primeiro, providenciou a distribuição de cerca de 700 "cestas básicas" aos mais necessitados, cada uma no valor de R$ 250 (isso, através de um cheque previamente endossado pelo beneficiário). Depois, para agradar aos apaniguados, aos lascados e ao povo em geral, Nascimento, promoveu uma grande festa dançante, orçada em mais de meio milhão de reais.

Causa estranheza que, nestes tempos difíceis, o nosso alcaide, de uma só tacada, dispenda quase um milhão de reais em benefícios aos seus amados municipes. Mais estranho ainda é o fato de que, Maiara e Maraisa, semana passada, tenham afirmado no programa "Conversa com Bial", que seus shows custam R$ 300 mil, enquanto aqui em Princesa, conforme um portal da transparência, o valor tenha sido de R$ 423,5.

Quanto às "cestas básicas", a fotografia acima ilustrada, fala por si só. O pacote que encima a cabeça dessa mulher, pelo seu volume, jamais poderia conter gêneros alimentícios que possam custar R$ 200. A não ser, que ali estejam embalados: bacalhau, queijo do reino, etc. Os R$ 50 restantes se destinam ao recebimento de carne e ovos num frigorífico amigo do prefeito. Quanta generosidade de Nascimento! Com a palavra, o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba.




O que vemos agora, é algo nunca visto no Brasil

Nesse Brasil "quinhentão", em termos de política, nós já vimos quase tudo. Já vimos presidentes eleitos que morreram antes de tomarem posse (Rodrigues Alves, em 1918 e, Tancredo Neves, em 1985); presidentes depostos por militares (Washington Luís, em 1930 e, João Goulart, em 1964); presidente que se suicidou no exercício do cargo (Getúlio Vargas, em 1954); presidente que renunciou ao cargo em pleno exercício do mandato (Jânio Quadros, em 1961); um presidente e uma presidenta "Impichados" (Fernando Collor, em 1992 e, Dilma Rousseff, em 2016).

Todas essas situações aconteceram nos últimos 100 anos, portanto, em tempos relativamente, recentes. Inusitada é a atual situação com que nos deparamos. Um presidente que foi eleito, democraticamente (Jair Messias Bolsonaro), e que se submeteu às urnas para renovar seu mandato, foi derrotado e, com seu estimulante silêncio - quando se recusa a reconhecer a derrota, incentiva ínfima parte de seus eleitores a contestarem o resultado soberano das urnas. Nunca, em tempo algum, comportamento dessa natureza se registrou na democracia brasileira.

A urna que elegeu Jair Bolsonaro deputado durante 38 anos e, em 2018 o fez presidente, é a mesma que agora, em 2022, elegeu a seus filhos e aliados e também consagrou Lula presidente da República, pela terceira vez. Nesse caso, caem por terra quaisquer questionamentos quanto à lisura do pleito, restando aos perdedores o reconhecimento da derrota. É botar a viola no saco, porque, segue o baile. Na democracia é assim: perde-se agora e pode-se ganhar depois. Afinal, o veredicto é proferido, soberanamente, pelo povo.




FRASES FAMOSAS

"Hoje eu não acho que ele era bandido"

Capitão João Bezerra, comandante da volante que matou Lampião em Angicos, em 28 de julho de 1938.

"Um gênio em tudo"

Major Optato Gueiros, comandante de volante que perseguiu Lampião por mais de 10 anos.

"Lampião era um indivíduo destituído de qualquer resquício de dignidade, não tinha respeito por nada, nem por si próprio"

Escritor Rodrigues de Carvalho




quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

MEU ADEUS A RINALDO DE BULIA

Princesa se despediu

D’outro filho ilustre seu,

O xaxado ficou triste

A cultura emudeceu,

Quando a notícia surgia

Que Rinaldo de Bulia

Pr’outro plano transcendeu.


Um jovem sempre risonho

Um jeito cativador,

Viveu aqui semeando

A semente do amor,

Nunca vi ninguém falar

Que ele era de plantar

Intriga, ódio e terror.


Humilde já de nascença

Sempre pronto a oferecer,

A cultura princesense

Tem muito a lhe agradecer,

Com o grupo Abolição

Por toda essa região

Contribuiu com saber.


Vá em paz menino homem

Vamos ficar com saudade,

Do seu jeito irreverente

Da sua espontaneidade,

Deus já tá lhe aguardando

Para ver você xaxando

Nos palcos da eternidade.


De seu ex-professor e poeta

Rena Bezerra

28/12/22




Esqueceram da Paraíba de novo

Num verdadeiro malabarismo político, o presidente eleito e diplomado, Luís Inácio Lula da Silva (PT), encerra, nesta semana, as tratativas para a composição de seu Ministério. Serão 37 Pastas que cuidarão dos interesses dos diversos segmentos da sociedade brasileira.

Nessa composição, Lula, teve o cuidado de contemplar, primeiramente o PT e, depois, aos vários apoiadores eleitorais; aos noveis aliados (PP, UB, PSD, etc.) e, também, à região que lhe emprestou apoio maciço para sua terceira eleição presidencial: o Nordeste.

Dos nove Estados que compõem essa importante região setentrional do Brasil, oito deles terão, pelo menos, um ministro na Esplanada em Brasília. Apenas uma das Unidades da Federação que compõem o Nordeste, não foi contemplada. Esqueceu-se, portanto, da Paraíba, que ficou de fora, chupando o dedo.

O Maranhão, terá Flávio Dino na Justiça; o Piauí, Wellington Dias, no Desenvolvimento Social; o Ceará, a Educação com Camilo Santana; o Rio Grande do Norte, comandará a Petrobras com Jean Paul Prates; Pernambuco, com José Múcio na Defesa; Alagoas terá Renan Filho nos Transportes; Sergipe, Márcio Macêdo na Secretaria de Governo e, a Bahia, agraciada com Ruy Costa na Casa Civil.

A Paraíba, “pequenina e bela”, como dizia o ex-presidente Epitácio Pessoa; tal qual o que aconteceu em 1930, quando o então presidente da República, Washington Luís, esqueceu de consultá-la sobre a escolha de Júlio Prestes como candidato à sua sucessão, ficou de fora de novo.

Naquele tempo, revoltada, a Paraíba rompeu com o Governo Federal e aliou-se a Minas Gerais e ao Rio Grande do Sul, formando a Aliança Liberal em apoio à candidatura oposicionista de Getúlio Vargas. Agora, liberada por Lula - em que pese haver contribuído com mais de 64% de seus votos para a eleição do presidente, ficou a ver navios e, pior, sem ter para onde ir. Mesmo assim, continua “pequenina e bela”.




 

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Natal

 

O natal é renascimento 

Com solidariedade 

Construção de igualdade 

De afeto e olhar atento 

Um prato com alimento 

Na mesa que falta o pão 

Um riso com emoção

Num rosto alegre e sincero 

É esse o natal que quero 

Dentro do meu coração 


Valbam lopes




Transparência e prosperidade

Um grande portal indica, logo na entrada do ambiente festivo, na Praça da Estrela, em Princesa, os "Valores dos Artistas" que se apresentarão hoje (27), comemorando os eventos deste final de ano. Valeu pela transparência, quando a Prefeitura mostra à população princesense, que mais de meio milhão de reais está sendo gasto somente com o pagamento dos artistas - sem falar nas demais despesas com a estrutura da festa - que ali se apresentarão logo mais à noite.

A qualidade do produto que deverá ser oferecido esta noite, com certeza, será condizente com a propaganda. No entanto, o dispêndio com as feiras distribuídas às vésperas do Natal, deixam algum questionamento. Os pobres coitados, que foram agraciados com as "Cestas Básicas", tiveram de endossar um cheque nominal a eles, no valor de R$ 250,00. No entanto, a feira recebida estava composta de itens que não chegam a custar R$ 100,00.

Se o portal de Maiara e Maraisa - em que pese a exorbitância do valor - demonstram transparência; as "feirinhas" justificam, além da grande generosidade natalina, a prosperidade de quem as ofertou. Nessa administração, é uma praxe o uso do dinheiro público em ações que proporcionam propaganda favorável ao gestor. Enquanto isso, Postos de Saúde sem os remédios necessários, servidores comissionados com salários atrasados, dentre outras situações que não podem fazer parte dessa transparência.




Rose: Uma poetisa que desponta com força

Rosilene Leonardo, mais conhecida por "Rose", princesense, é coordenadora do Memorial "Pereira Lima" e também, poetisa de extrema qualidade técnica e vocabular.

Seus poemas, inspirados em temáticas que lembram o grande Augusto dos Anjos. quando demonstra inclinações para o lírico, misturado ao pessimismo e à melancolia, nos traz versos de uma beleza sem par. Hoje, reproduziremos aqui mais uma peça de sua lavra

Cavema

Fumaça, poeira, pólvora e lama

Nessa caverna que as vezes me

Escondo,

Sou mais um morcego estranho sem

Gana

Achado nos restos desse escombro.

Sozinho a voar, com asas de veludo

Na inconstância lida e rasgada do

Verbo,

Meu riso em gotas molhado e de luto

Empoeirando a luz que aborta meu

Ego.

E nessa umidade que a pele esfria

Esfriam as palavras, paredes.

Lamento,

Enquanto a minha alma chorosa de

Dia

Pousa na caverna de meus

Pensamentos.


Rosilene Leonardo (Rose)




LULA E O PAPA FRANCISCO

"O Brasil acima de todos e Deus acima de Tudo". Nas palavras do presidente Jair Messias Bolsonaro, é esse o lema da extrema direita do Brasil que, no momento, ocupa o palácio do Planalto. Pelo visto, essa invocação fascista, travestida de religiosa, não tem surtido muito efeito uma vez que não conta com aprovação eclesiástica. Ontem (31/07/2019), tomei conhecimento da troca de correspondência entre Lula e o Papa Francisco. Sobre a posição do pontífice, nada me causou surpresa, pois, já sabia que lá na Europa, a prisão de Lula é vista como uma extrema injustiça. Exultei com a coragem papal (o que não é novidade) de vir a público defender uma figura emblemática, tida por boa e agora vítima dos poderosos e que é conhecida internacionalmente. Naquele continente, chamado de "Velho Mundo", o ex-presidente Lula é tido como um preso político, recluso pela urdidura da extrema direita que não suportava mais o exercício da opção do poder público pelos menos favorecidos. Lá na Europa, os que têm conhecimento das coisas sabem que aqueles que arquitetaram a derrubada de Lula, deram um tiro no pé, quando tudo isso resultou no governo que aí está. Queriam tirar o torneiro mecânico, mas, não imaginavam que o tiro (literalmente) sairia pela culatra. Tomaram uma cachaça grande e, agora, estão curtindo a ressaca. O reconhecimento do erro sempre chega: logo ou tarde. Agora, está chegando. E, como disse antes, com imprimatum da Igreja Católica.

                                     A carta do Papa

A carta enviada a Lula pelo papa Francisco prova isso. O pontífice, mesmo não sendo mais detentor de poder temporal, tem autoridade quando se pronuncia, tanto pela sua reconhecida liderança sobre dois milhões de católicos existentes no mundo, quanto pela sua influência no mundo laico. E, o que é mais interessante é que Francisco falou rosado quando disse que "O bem vencerá o mal". É lamentável observar que metade da população brasileira não tenha enxergado, até agora, a gravidade da situação nacional. É triste constatar que nós, aqui dentro, não tenhamos tido a acuidade de vislumbrar - ainda durante o processo eleitoral - o perigo que essa turma que está no poder poderia representar. Diferente de nós, o papa, lá no Vaticano enxergou isso e, agora, tal qual nós, corre atrás do prejuízo. O problema é que, na contumaz resignação pregada pela Igreja Católica, teremos que esperar que o bem saia da cadeia - sob as bênçãos daquele que está sentado no trono de Pedro -, para vencer o mal que está encastelado no trono do Planalto. Isso, se der certo, somente daqui a três anos e meio. *Este artigo foi escrito em 1° de junho de 2019, seis meses após a posse do novo governo e no auge do cometimento das loucuras de Bolsonaro. Hoje, às vésperas da posse de Luís Inácio Lula da Silva, pela terceira vez como presidente da República, o escrito mais parece uma premonição.




segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

O Crime do Padre Hosana

Diante do conhecimento de fofocas que corriam às largas na cidade pernambucana de Quipapá, dando conta de que o vigário da paróquia, padre Hosana de Siqueira e Silva, mantinha um caso amoroso com a governanta da Casa Paroquial, chamada Maria José, e que era sua prima, o bispo diocesano de Garanhuns, dom Francisco Expedito Lopes, que jurisdicionava aquela freguesia, advertiu o padre - que negava tudo – para parar com a prática escusa. Em face da persistência dos falatórios, o prelado admoestou novamente o sacerdote e determinou o imediato afastamento da governanta, da casa do padre. Expulsa, Maria José, que já estava em adiantado estado de gravidez, o padre Hosana admitiu outra mulher, de nome Quitéria, para conduzir os trabalhos domésticos em sua residência. Tal qual o que acontecera com a primeira governanta, o disse-me-disse continuou dando conta de que o padre continuava (com Quitéria agora) pecando contra seu juramento de celibatário.

Irritado com a replicada situação, dom Expedito chamou Hosana ao Palácio Episcopal e ameaçou-o com a suspensão de suas ordens sacerdotais e até com a excomunhão, se o padre continuasse com suas ações libidinosas. Padre Hosana, como sempre, negou a prática do comportamento irregular, alegando que tudo não passava de calúnias com o intuito de difamar seu nome e afastá-lo dos serviços religiosos naquela, segundo ele, uma cobiçada paróquia. Negou-se a demitir a governanta Quitéria, deixando a audiência de forma ríspida e irreverente, portanto, desrespeitosa para com seu superior. O comportamento arredio do padre, somado às persistentes fofocas dos que rodeavam dom Expedito, fizeram o prelado adotar atitude extrema, quando anunciou que declararia, publicamente, através da emissora de rádio de Garanhuns, a excomunhão do padre Hosana.

Sabedor desse veredicto, o “copo d’água” do padre Hosana, supostamente infrator, transbordou. Era o dia 1º de julho de 1957. Após celebrar a missa matinal (o que certamente já o fez com a intenção de praticar o crime) na igreja de Quipapá, Hosana partiu para Garanhuns, percorrendo uma distância de 61 quilômetros. Lá chegando, foi direto para a residência episcopal. Ao chegar à casa do bispo, o padre tocou a campainha. Quem veio a abrir a porta foi próprio dom Expedito Lopes. Armado de um revólver calibre 38, de chofre, o padre Hosana disparou – à queima-roupa -, três tiros que atingiram o bispo no abdome, o que provocou sua morte após agonizar até a madrugada do dia seguinte. O padre Hosana, após refugiar-se junto aos monges no Mosteiro de São Bento, foi preso e, mesmo na prisão, sempre afirmou que, cem vidas tivesse o bispo, se pudesse, as tiraria todas.

Padre Hosana, mesmo na cadeia continuava “junto de Deus”. Exercitando a peculiar hipocrisia de grande parte dos que acreditam no Altíssimo, Hosana, oficiava ali todos os ritos religiosos. Livre da prisão foi assassinado, em 1997, a pauladas, na fazenda Correntes de sua propriedade, a 278 quilômetros do Recife, quando tinha 84 anos de idade. Envolta em mistério, a morte do padre, até hoje ninguém sabe quem o matou. Enquanto hoje, dom Expedito é tido como santo, o padre Hosana, é considerado vilão e esquecido por todos. Como vimos, nesse triste e violento episódio, em que pese estarem os dois, vítima e algoz, muito próximos de Deus, essa presença não evitou a prática criminosa. Por isso, prefiro concordar com William Shakespeare quando diz: “Há muito mais mistérios entre o céu e a terra do que pode imaginar a nossa vã filosofia”. Em face desses exemplos depreendemos que nada determina ou explica, definitivamente, os comportamentos humanos: “a ocasião faz o ladrão”; “o hábito faz o monge”; “o cachimbo é quem entorta a boca”, e por aí vai... “O homem é o homem e suas circunstâncias”, já dizia o filósofo espanhol José Ortega Y Gasset (1883-1955).

Esse episódio teve repercussão na imprensa nacional e até na mídia internacional. Afinal, era esse apenas o terceiro caso, no mundo, em que um padre da Igreja Católica assassinava um bispo. Dois casos anteriores aconteceram na Europa no século XIX. Quanto ao bispo assassinado, tramita, hoje, no Vaticano, um processo de beatificação de dom Francisco Expedito Lopes. Maria José, após um aborto recomendado pelo padre Hosana, pariu uma criança a termo, de quem não se tem notícia. Quitéria, teve também um filho do padre, que constituiu família que reside na região de Garanhuns. Padre Hosana, julgado que foi, passou alguns anos na cadeia, depois, viveu livre até sua trágica morte. Sobre esse crime, foi escrito um livro: “A Bala e a Mitra”, pela escritora pernambucana Ana Maria César.