ODE

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O raio da discórdia

 

A polarização política no Brasil, o que envolve eleitores da extrema direita; chamados de conservadores e da esquerda; ditos de progressistas, dá a tônica de tudo inclusive sobre eventos da natureza que nada têm a ver com essa polêmica besta. Na esteira dessa nova dicotomia de ideias, ambos os lados envolvem a religião e o misticismo para justificarem as coisas. A direita, que se diz defensora da Pátria, Família, Propriedade e Liberdade, se faz paladino do que é politicamente correto, dos bons costumes e da moralidade. A esquerda, que defende a ciência e o progressismo, se diz defensora da igualdade social.

O problema é que, malgrado tudo isso se restringir a uma pequena parcela da sociedade, suas pregações e ações repercutem e influenciam a grande maioria da população numa inserção política que vem prejudicando ao Nação. No último final de semana, a direita conservadora - sob a batuta do deputado Nikolas Ferreira - promoveu uma manifestação em Brasília em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro e, nesse protesto que reuniu cerca de 18 mil pessoas, sob intensa chuva na capital federal, um raio caiu e feriu mais de 80 pessoas.

Bastou isso para que os da esquerda afirmassem, nas redes sociais, que isso foi castigo de Deus por estarem aqueles “hipócritas” defendendo um ímpio golpista, etc. Em contrapartida, os da direita se insurgiram nos mesmos veículos, a dizer que o Diabo também tem poderes e que, o raio, foi obra de satanás numa tentativa de prejudicar o justo ato. Tudo bobagem. A incidência do raio é um fenômeno natural que ocorre frequentemente no Brasil e nada tem a ver com manifestação alguma.

Lamentável que ambos os lados usem de argumentos vãos para justificarem seus interesses políticos, quando, hipocritamente, usam o nome de Deus para auferirem vantagens eleitorais. No seio do judaísmo é expressamente proibido o uso do nome de Deus para fins que não sejam em promoção do louvor religioso. Na religião Católica a coisa é diferente: em tudo usam o nome de Deus sem escrúpulo algum como se o que consideram como Criador de todas as coisas estivesse a serviço dessas facções nominadas de direita e esquerda. Em nome da ética e do respeito ao que é sagrado, o raio que os parta.



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