ODE

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Efraim Filho: um mandato diferente

O mandato do senador Efraim Filho (União Brasil), eleito ano passado, é diferente em tudo. Primeiro, porque junto com alguns amigos e correligionários enfrentou uma campanha em busca de uma cadeira no Senado Federal, uma empreitada rejeitada pelos grandes e em que poucos acreditavam. Botou o pé na estrada, insistiu, não deu ré diante das dificuldades iniciais e, confiante e resiliente, logrou êxito nas urnas.

Eleito, Efraim continuou como pé na estrada. Desde sua posse, só tem a comemorar êxitos. Foi escolhido como o parlamentar mais atuante do Congresso Nacional e, quando descansa dos trabalhos legislativos, carrega pedras. Ás vezes, literalmente, quando vai às comunidades rurais comemorar a inauguração de calçamentos, fruto de suas emendas parlamentares.

Um mandato verdadeiramente diferente. Em sua profícua atuação, Efraim Filho aproveita os finais de semana para visitar os municípios do interior paraibano, quando não para inaugurar obras, para entregar emendas aos prefeitos. Diferente da maioria dos políticos que só se lembram do povo no ano anterior às eleições, Efraim cuida, já no primeiro ano de seu mandato como se fora o último. O exemplo desse diligente senador corrobora a máxima de que; "Os últimos serão os primeiros".



O Boi do Lixo de Princesa

“Calunga” era o nome do Boi que o então prefeito Antônio Maia comprou, em 1961, para puxar uma carroça que recolhia o lixo das ruas de Princesa. O quadrúpede ruminante era um animal de grande porte, de cor avermelhada e portador de grandes e angulosos chifres. Comandado pelo funcionário público, Antônio Ribeiro, mais conhecido como “Seu Ontôin da Carroça”, que puxava o animal por uma corda, Calunga era manso, vagaroso, forte, eficiente e muito disciplinado em sua faina diária. A coleta do lixo, naquele tempo em a cidade tinha pouquíssimas ruas, necessitava apenas do trabalho desses dois servidores públicos: “seu” Antônio e o Boi. O primeiro varria e recolhia o lixo enquanto, o segundo, transportava para um “lixão” existente na beira do Açude Velho. Era tão pequenina a cidade que os dois realizavam suas tarefas diárias com muita facilidade e eficiência. Eu mesmo conheci ainda “seu” Antônio, a Carroça e o Boi.

Depois de estafante trabalho diário, Calunga era recolhido à noite a um curral existente no quintal do Açougue Público Municipal onde era abastecido de farta ração e água. Certa noite, no final da década de 1970, um bêbado, correndo da polícia, pulou o muro do curral e, assustado com a reação defensiva de Calunga, o esfaqueou quase o matando. O Boi do Lixo foi tratado por doutor Zezito Sérgio e muito bem assistido, escapou. Em 1978, temeroso pela saúde daquele que já era considerado um Patrimônio Público de Princesa, e cuidadoso com o animal, o já idoso “servidor público”, o então prefeito Batinho, comprou um caminhão basculante (caçamba) para substituir Calunga no recolhimento do lixo da cidade e, por sua determinação “aposentou” o ruminante público que passou a viver de “flozô” em seu curral até os últimos dias de sua vida, sem ser incomodado por ninguém. Calunga morreu em 1983, já na administração do prefeito Gonzaga Bento.



segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Paz para Todos

Com toda sinceridade, uso hoje este espaço para desejar, de forma indiscriminada, a todos os seguidores deste veículo de comunicação, um Feliz Natal cheio de Paz. O "Todos" a que me refiro acima - comum aos dois gêneros - inclui aqueles que leem e não podem curtir ou compartilhar, e também aos que se sentem incomodados com as notícias que lhes são desagradáveis. Uma Paz extensiva aos que me criticam também para que tenhamos, nesse dia de trégua, o sentimento de que o nosso propósito é a defesa das nossas ideias com a intenção precípua de nos tornarmos melhores e de melhorarmos as vidas dos nossos semelhantes. Quando a intenção é boa, vale a pena brigar numa briga incruenta usando a arma da palavra civilizada. Paz para Todos! 



domingo, 24 de dezembro de 2023

Mesmo bem articulada a entrevista da secretária Ana Paula destoou da realidade

Inicialmente, parabenizar o jornalista, Júnior Duarte, tanto pela condução da entrevista da secretária de Educação de Princesa, quanto pela isenção e imparcialidade demonstradas o que, não sem surpresa, vimos observando desde a entrevista do vice-prefeito, José Casusa. Em sua fala, a entrevistada, professora Ana Paula, em que pese muito bem articulada e com boa impostação de voz, eivou-se de bajulações ao prefeito e de mentiras sobre a atual gestão municipal.

Em busca da indicação do prefeito Ricardo Pereira do Nascimento para figurar na chapa eleitoral como candidata a prefeita de Princesa nas próximas eleições, a secretária não mediu palavras para elogiar o alcaide e sua administração. Aliás, palavras que não poderiam ser articuladas por uma educadora: “partícipa”, “reinterar”, “aprendizaje”, dentre outras. Além desses escorregos, a professora, que se disse “especialista em língua portuguesa”, num explícito exercício bajulatório, laureou Nascimento como o melhor prefeito da história do município.

Repetindo a fala de Brás, o tesoureiro, a professora, em sua fluência, admitiu que poderá disputar apenas um mandato e que cederá a vaga para Nascimento nas eleições de 2028. Muito convencida da vitória, a entrevistada chamou os componentes da oposição de figurinhas repetidas e admitiu que, em sendo eleita, seguirá a orientação do atual prefeito e que implementará mudanças, mas sempre com o aval de Nascimento. Ou seja, uma perfeita continuidade do que está aí.

Sem apresentar projeto algum, a secretária, ateve-se aos costumeiros louvores ao “sucesso” da Educação do nosso município. Sucesso esse baseado em mentiras vendidas para a população como se fora verdades, mas que muito vêm prejudicando os escolares da Rede Municipal de Ensino. Encabeçando esta matéria, está reproduzido o resultado de um ditado feito com três crianças de 13, 11 e 10 anos, estudantes das escolas: “Carlos Alberto”, “Iracema Marques” e “José Rodrigues Maia”. Apenas o aluno da “Iracema Marques” acertou uma única palavra. Já os das duas outras Escolas – que são municipais -, erraram todas.

Esse ditado foi feito concomitante à entrevista concedida pela secretária. Esses meninos – de quem eu preservo as identidades -  estavam, ontem (23), na minha casa, se divertindo com meus netos e, em face da afirmação da especialista em língua portuguesa, de que a Educação de Princesa tem um índice de fluência de 95% em leitura, aproveitei para aferir essa realidade, o que se constata uma perfeita mentira. Ademais, vale lembrar que mesmo sendo, a Educação de Princesa, algo de “excelência”, vários filhos de professores da Rede Municipal estudam em Lagoa da Cruz e em Jericó. O descompromisso com a verdade - o que é uma prática do alcaide - contaminou também os que desejam essa continuidade.



Confraternizando com amigos

Ontem (23), tive duas gratas surpresas. A primeira foi encontrar o meu amigo e colega de FUNASA, o médico, Eduardo Batista que, de passagem por Princesa em viagem à vizinha cidade pernambucana de Triunfo, deu uma parada aqui para rever amigos. A segunda surpresa foi a visita que recebi dos meus amigos, Ricardo e sua esposa Janaína, donos da Livraria do Luiz em João Pessoa. O livreiro, também de passagem para Triunfo, me alegrou com sua visita. A ambos os amigos, desejo um Natal Feliz.



De onde vem o Natal

 

Comemorar a virada do ano é um costume antigo. Os romanos celebravam a Saturnália, o festival de Saturno, deus da colheita, entre os dias 17 e 23 de dezembro. Era a festa mais animada do ano. Ninguém trabalhava e o comércio fechava, as ruas se enchiam de gente e o clima era de carnaval. Os escravos eram temporariamente libertados e as casas decoradas com ramos de louro. As pessoas se visitavam, levando de presente velas de cera e pequenas esculturas de barro.

Muito antes do nascimento de Jesus, os judeus comemoravam durante oito dias o Festival das Luzes [na mesma estação], e acreditava-se que os povos germânicos faziam um grande festival não só no verão, mas também no solstício de inverno, quando comemoravam o renascimento do Sol e homenageavam os grandes deuses da fertilidade, Wotan e Freyja, Donar (Thor) e Freyr.

Mesmo depois que o imperador Constantino (306-337 d.C.) declarou o cristianismo como a religião oficial do Império Romano, a evocação da luz e da fertilidade como um componente importante das comemorações pré-cristãs do inverno não pôde ser totalmente suprimida. No ano de 274, o imperador romano Aureliano (214-275 d.C.) tinha estabelecido um culto oficial ao deus-sol Mitras, declarando a data do seu nascimento, 25 de dezembro, feriado nacional.

O culto a Mitras, o deus ariano da luz, havia-se espalhado desde a Pérsia pela Ásia Menor até a Grécia, a Roma, chegando às terras germânicas e à Bretanha. Inúmeras ruínas dos seus santuários ainda testemunham a alta consideração com que este deus era tido, especialmente por parte das legiões romanas, como portador da fertilidade, da paz e da vitória. Portanto, foi uma atitude inteligente quando, no ano de 354 d.C., a Igreja Cristã, sob o papa Liberius (352-366) cooptou o nascimento de Mitras e declarou o dia 25 de dezembro como a data do nascimento de Jesus Cristo. (NEUE ZüRCHER ZEITUNG, ANNE –SUSANNE RISCHKE)



Domingo eu conto

 

Por Domingos Sávio Maximiano Roberto

Um casamento reparador

Não era um latifúndio. Podia-se dizer uma propriedade grande e completa do necessário para se considerar uma fazenda. Ali se cultivava cana de açúcar, algodão, mamona, agave e também a agricultura de subsistência, além da criação de gado, ovinos, caprinos, suínos, alguns cavalos e muitas galinhas. Não tão grande, mas carecida de mão de obra, o que se resolvia com a força de alguns criados e trabalhadores de aluguel. Eram as terras de José Carlos Chambrão, que herdou de seu falecido pai, o capitão Eugênio Chambrão, da Guarda Nacional. Zé de Eugênio, como era mais conhecido, um galegão de 40 anos de idade, alto e forte, carrancudo, de gestos rudes e pouca conversa, era casado com dona Joana Medeiros, uma mulher branca, com seus 35 anos, de baixa estatura, desprovida de beleza, mas dona de um espírito leve, conciliador – talvez até preguiçosa - e também de pouquíssima conversa.

O ano era o de 1967 e o lugar era na ribeira do Pajeú, na trijunção dos municípios de Flores, Triunfo e Princesa. O casal vivia numa grande e imponente casa, de calçadas altas, rodeada de terreiros bem varridos, pontuados por algumas árvores frondosas. O interior da casa em contraste com a imponência do prédio, era simples como qualquer casa de fazenda da época. A residência de Zé de Eugênio era movimentada. O dia-a-dia do casarão era frenético. Além do fazimento de comidas em grande quantidade, para atender às necessidades domésticas e também às dos trabalhadores das roças, produziam queijos de coalho e de manteiga, faziam bolos e doces e fabricavam sabão da terra com a gordura que sobrava da matança dos porcos.

Para esses afazeres, dona Joana contava com a ajuda de várias criadas sob a coordenação de Quitéria – uma mulata de seus 50 anos, atarracada, de pernas arqueadas, cabelo rente e muito autoritária. Na verdade a patroa, Joana, não apitava em nada; passava os dias a bordar, fazer crochê, tricô e, mais raramente, rendar em sua almofada de bilros. Quanto ao comando da casa, isso era tarefa da negra Quitéria, que mandava em tudo. Malgrado essa vida tranquila, o casal sofria com a falta de filhos. Casados há mais de 12 anos, Joana jamais engravidara.

Certo dia, uma comadre de Zé de Eugênio, que morava no Ceará, em Juazeiro do Norte, veio visitá-lo e trouxe consigo um presente para o casal: uma imagem do padre Cícero Romão Batista. A escultura, em gesso, veio envolvida num laço vermelho com a inscrição, em latim: fecunditas. Esse presente, trazido pela comadre, segundo esta, havia sido benzido pelo padre Cícero poucos dias antes de morrer.

Logo que recebeu a prenda, Joana a colocou em lugar de destaque em seu oratório. A visita da amiga do casal foi por demais fecunda. Em janeiro de 1949, seis meses após a chegada da imagem do “santo”, Joana engravidou. Dada a sua idade, foi uma gestação de risco, conturbada e cheia de sustos. A mulher passou toda a gravidez numa cama repousando, regada a pirão, canjas e caldos de galinha. Certo dia, antes de completar sete meses de gestação, começou a sentir dores e a sangrar. Logo chamaram o doutor Severiano Diniz, que veio de Triunfo para atendê-la

Como num milagre, a intervenção do médico foi exitosa e Joana, em fins de agosto de 1950, deu à luz um minúsculo menino medindo pouco mais de 20 centímetros, o que puderam acondicionar numa caixa de sapatos. O garoto sobreviveu, sob os meticulosos cuidados da negra Quitéria que fez-se mãe de Cícero – nome que foi dado ao bebê em homenagem ao patriarca do Juazeiro, o responsável por essa vitória. Para felicidade do casal de fazendeiros, o menino se desenvolvia saudável e muito ativo. Cresceu rápido, nada denunciando sua condição de prematuro.

Logo após o garoto completar 7 anos de idade, Zé de Eugênio providenciou uma professora particular para o filho que, muito mimado jamais subiria no lombo de um burro para estudar na cidade de Flores. Cícero fez todo o curso primário em casa. Para cursar o ginasial, já um rapazinho de 13 anos, foi mandado para o Recife, onde passou a morar na casa de um tio paterno que exercia a profissão de fotógrafo na capital pernambucana. Nesse mister, ele só voltava para a fazenda nas férias do meio do ano e em dezembro.

Maria da Salete, chamada por todos de “Salete”, era a cozinheira da Casa Grande. Uma negra de seus 40 anos, formosa, de dentes bonitos e bem-humorada. Ela tinha uma filha, Maria Auxiliadora a quem chamavam de “Dorinha”, fruto de um breve amancebo que teve com um mulato alagoano que trabalhara no engenho da fazenda. A menina era uma mulatinha bela, de olhos negros, lábios carnudos, corpo bem feito e muito doce. Dorinha, de apenas 15 anos de idade, não estudava nem trabalhava, mas adorava cavalgar nos cavalos de raça de Zé de Eugênio.

Em uma de suas vindas de férias do Recife, Cícero, já com 16 anos, um rapaz loiro, alto e de boa compleição física passaria, na fazenda, cerca de três meses antes de retornar aos seus estudos.   Amante dos cavalos, o rapaz levava o tempo em cuidar dos animais: dava-lhes banhos, ração, arriava-os e cavalgava quase o dia todo. Certo dia, Dorinha perguntou a Cícero se poderia ir com ele para um desses passeios, no que o moço acedeu, preparou dois animais e partiram em alegre galope.

Parando para descanso dos cavalos, os dois sentaram-se embaixo de uma árvore e começaram a conversar. Cícero, desinteressadamente, falando apenas sobre as montarias mas, a mocinha, toda solícita, sentada em posição displicente, a mostrar suas grossas coxas, passou a roçá-las nas pernas do rapaz. O roçar de pernas evoluiu para carícias.

Como que jogando gasolina no fogo, a moça ofereceu seus carnudos lábios para um beijo de Cícero que, mesmo encabulado com aquela surpreendente situação, excitado, não deixou por menos. Beijou a menina e, daí, o fogo da lascívia resolveu o resto. Ali mesmo, debaixo da árvore, num frenesi lúbrico, Cícero desvirginou a filha de Salete. Dorinha não objetou em nada, pelo contrário, fez-se instrumento do desejo do rapaz e gozaram intensamente. Consumado o ato, retornaram para casa e nada comentaram com ninguém.

No dia seguinte, logo cedo, Cícero estava a arriar os animais para mais um passeio com a filha da cozinheira, e isso se repetiu quase que diariamente, até seu retorno à capital pernambucana. Assim, foram vários os encontros dos dois quando, numa explosão de desejo incontrolável, sem cuidado algum, fornicavam incessantemente. O ninho de amor era numa velha Casa de Farinha abandonada no meio do mato.

Findas as férias, Cícero foi embora e, Dorinha, ficou na saudade desse arrebatado amor. Para o moço, chegando ao Recife, tudo voltou ao normal. Para a mocinha, a coisa complicou. Poucos dias após a partida do jovem mancebo, Dorinha começou a apresentar sintomas esquisitos: desmaios, enjoos, sonos intermitentes; o que chamou a atenção de sua mãe. Instada sobre o que sentia, a menina, sem saber dizer, foi levada pela mãe à cidade de Princesa para uma consulta com o doutor Severiano. Diante dos primeiros relatos sobre os sintomas, o médico virou-se para Salete e disse, de supetão: “Sua filha está grávida!”.

Assustada com a notícia do médico, Salete levou Dorinha para casa e, lá, a questionou sobre a situação. Sem ter outra alternativa, Dorinha contou tudo à mãe, sobre suas conjunções carnais com o filho do patrão. Interesseira, Salete, procurou dona Joana e relatou o acontecido. Depois de desmaiar e só tornar sob a intervenção de Quitéria com um capucho de algodão embebido em álcool sob seu nariz, a patroa, sem saída, contou tudo ao marido. De pronto, Zé de Eugênio arrumou uma solução e comunicou a Salete que ajeitasse a menina que ela ia se casar.

Pasma com essa notícia, a cozinheira, ao mesmo tempo, surpresa e alegre, informou a Dorinha que o problema estava resolvido, ela ia se casar com Cícero. No dia seguinte a esse comunicado, Zé de Eugênio chamou Salete e disse, sem rodeios: “Amanhã eu vou na rua de Flores falar com o padre Amâncio para preparar os papéis e os banhos. Tua filha vai se casar com João”. Salete quase caiu dura. Pensava, a pobre mulher, que sua filha, buchuda de Cícero, iria casar-se com o filho do patrão. E agora? Como dizer à menina que seu marido seria outro que não o pai de seu filho?

João era um jovem negro, recém saído da adolescência, filho de Clementino, a quem chamavam de “Quelé”, que tangia e cuidava dos bois que giravam a moenda do engenho de rapadura da fazenda. De sorte que João - em que pese a filha de Salete nunca haver-lhe dado trela - sempre palpitou a moça e, assim, aceitou a determinação do patrão, mesmo porque, naquele tempo, as ordens eram inquestionáveis. O caso tinha urgência e tudo foi resolvido rápido. A influência, através dos cobres de Zé de Eugênio, dobrou as conveniências do padre, satisfez a vontade de João e, mesmo chorosa, Dorinha aceitou a prescrição superior e submeteu-se à vontade do patrão.

Um mês depois do fato vir à lume, antes de a barriga da menina crescer, o casamento se consumou, e os dois foram morar numa casinha de taipa erigida nos fundos da Casa Grande. Para Salete, restou conformar-se com a sorte ditada pelo patrão que, pelo menos, amparava sua filha, aos olhos dos outros, de comentários maldosos. Nesse ano de 1967, Cícero não teve permissão do pai para passar as férias em casa, nem foi comunicado sobre o motivo dessa proibição.

Casado com Dorinha de forma intempestiva, João sequer desconfiou de que ela já estava grávida. Achava que o casamento havia sido uma decisão do patrão e pronto. Naquele tempo era assim, as decisões superiores eram inquestionáveis. Ademais, era o que João mais queria, uma vez ser a oportunidade em consumar seu tesão pela filha de Salete. Quanto à virgindade da moça, a negra Quitéria, ardilosa que era, resolveu com seus truques, e o marido não desconfiou de nada. Em setembro daquele ano, Dorinha pariu um menino. Mesmo sua mãe bradando a todos que a criança era prematura, de sete meses, o rebento nasceu graúdo e forte. Dona Joana e Zé de Eugênio, tomados como padrinhos do menino, logo afeiçoaram-se à criança que, em homenagem ao “padrinho”, recebeu o nome de Eugênio.

Criado praticamente na Casa Grande, o garoto, embora tivesse os cabelos meio crespos, era branquinho igual leite e gozava de todos os privilégios possíveis. Quanto a João, o “pai”, este servia de zombaria nas rodas de conversa dos fins de tarde da fazenda, quando seus companheiros de trabalho diziam em tom de troça: “Eita, João, botaram leite no teu café!” Para evitar constrangimentos maiores, Zé de Eugênio alugou uma casa no Recife e mandou Quitéria de mudança para cuidar de Cícero que ficou proibido de voltar à fazenda até ulterior deliberação do pai, e somente tomou conhecimento da história quatro anos depois, quando passou no vestibular para a Faculdade de Medicina. Quanto a Dorinha e João, viveram felizes nesse casamento reparador.



 

 

sábado, 23 de dezembro de 2023

SABÁTICAS

. Tem um prefeito na Paraíba que, na tentativa de passar manteiga nas ventas dos seus aqueredores, está passando cheques pré-datados, da prefeitura, a torto e a direito. O problema é que, essa operação tapa-buracos, está sendo feita sem licitação.

. O prefeito de Princesa, Ricardo Pereira do Nascimento, confidenciou a uma alta autoridade do Estado que a candidata de sua preferência, é a secretária de Educação, Ana Paula. O problema é que ela não decola.

. Até o início deste ano que se finda, Nascimento tinha muita gordura para queimar. A eleição, na boca de todo mundo, seria um passeio. Ganharia quem ele indicasse. O problema é que, com a chegada da Matuta, que veio fervendo, derreteu a gordura do alcaide.

. Pensando que o vice-prefeito ainda almejava ser indicado como seu candidato a prefeito, o alcaide princesense autorizou sua entrevista na Rádio Princesa, oportunidade em que, Zé Casusa, além de expor suas mágoas disse, nas entrelinhas: “Tô fora!” O problema é que Nascimento pensa que ainda é o cara.

. Falar em entrevista, hoje (23), será a vez da secretária de Educação na Rádio Princesa. Será que ela vai afirmar sua pré-candidatura e dizer que só esquentará o canto para o retorno de Nascimento em 2028? Será a volta dos que não foram? O problema é que é necessário combinar com o povo.

. O que está acontecendo com o nosso burgomestre? Silente, Nascimento, há muito não se manifesta mais através das redes sociais. Ultimamente, o alcaide só destrata seus adversários - chamando a todos de “bandidos”- nas reuniões fechadas. Será a síndrome da vaca louca?

. Falar em vaca louca, todas as pesquisas divulgadas até agora, dão conta de que o nome de Rúbia não para de crescer. Pelo que me dizem, se ela fosse atender a todos os convites que recebe para visitas, não teria tempo nem de se coçar. Enquanto isso, do lado do prefeito, batem cabeças em busca de um nome que se disponha a enfrentar a Matuta.

. A população de Princesa continua aguardando o anúncio sobre quando e onde será realizada a próxima Sessão Itinerante da Câmara Municipal. Depois do “sucesso” da primeira, a oposição torce por uma nova edição.

. Contrastando com a assertiva de Brás, o tesoureiro, quando disse na Rádio que a oposição não teria condições de lançar sequer seis candidatos a vereador, a oposição vem mostrando robustez quando acaba de lançar dois nomes femininos para disputar a Câmara Municipal: a professora, Adrina Lopes, e a funcionária pública, Janaína Melo.

. Em face do parecer do Ministério Público Eleitoral favorável à cassação do senador Sergio Moro, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse: “Não desejo mal a ele, mas não tem saída”. Mui amigo.

. Os abraços de hoje, vão para: Adrina Lopes, Janaína Melo, Ceinha Caetano, Jackson Nogueira, Lucas Júnior, Toga Branco, Erinha Kumamoto, Leda da Silva, Roberta Cordeiro, Bruno Pereira, Rosilene Medeiros, doutor Edinho Virgulino, Edi Cardoso, Allany Moura, Lindimário Salvador, João Paulo Eufrásio, Tita Galdino, Kennedy Carvalho, Elenite Ananias, Eliete Marques, Daiana Bello, Rubens Stanislaw, Romário Alves, Doralice Marrocos, Aurineide Oliveira, Socorro Pena, Maria Maximiano e Leônidas Cordeiro.



Histórias e estórias engraçadas de Princesa

João, Geraldo e a cobra

João Matias e Geraldo de Lourdes eram acostumados a caçar. Um belo dia, acertaram de sair, bem cedinho, para arrancar um peba ou um tatu na propriedade de “seu” Benedito Lima. Pegaram os cachorros e partiram ainda de madrugada. Animados ficaram, os dois, quando viram que vários buracos haviam num terreno coberto por folhas de juazeiro. João começou a cavar um dos buracos e, Geraldo, diligente, passou a limpar as folhas do entorno do buraco.

De repente, João sentiu vontade de cagar e disse:

- Geraldo, fica cavando aí que eu vou dar uma cagada.

Geraldo atendeu ao pedido do amigo que se afastou um pouco, acocorou-se, e começou a fazer o serviço em cima de um terreno coberto de folhas. Antes da merda sair, João sentiu uma forte picada na cabeça da rola e, quando olhou, viu uma cobra cascavel correndo entre a folhagem.  Olhou o “pinto”, e já viu o bicho inchando e gritou:

- Geraldo! Corre homi, uma cobra me mordeu.

Chegando mais perto, Geraldo viu que o amigo corria perigo pois, estava todo se tremendo e com a cabeça da rola toda encarnada e inchada. Enquanto isso, João gritava:

- Eu vou morrer, ai meu Deus, eu vou morrer. Geraldo, liga pra doutor a Alan e pergunta o que é que eu faço... Ai eu vou morrer...

Geraldo pegou o celular e ligou pra doutor Alan, relatando o fato e perguntando o que deveria fazer. O doutor atendeu, ouviu a história e recomendou:

- Você tem uma faca aí?

Geraldo respondeu:

- Tenho, doutor.

Aí o médico receitou:

- Você pega a faca, corta um pouquinho aonde a cobra mordeu, chupa o sangue umas três vezes, cuspindo fora, e traz o seu amigo aqui pro hospital.

Enquanto isso, João gritava:

- Ai meu Deus, eu vou morrer, eu vou morrer...

Mesmo na aflição em que se encontrava, João viu que Geraldo falava com o médico e perguntou:

- E aí, Geraldo, o que foi que o dotô disse?

Sem meias palavras, João respondeu:

- Disse que tu vai morrer mermo.



 

 

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

NOMINANDO DINIZ LEMBRA JOSÉ AMÉRICO AO RECEBER O “TÍTULO DE CIDADANIA” NA CÂMARA MUNICIPAL DE MASSARANDUBA

 


Por Ascom TCE-PB

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O conselheiro Nominando Diniz Filho, presidente do Tribunal de Contas do Estado, tornou-se, filho do município de Massaranduba, cidade que fica a 16 quilômetros de Campina Grande, estando na região do compartimento da Borborema. O “Título de Cidadão Massarandubense” foi concedido na noite desta quinta-feira (21),  em solenidade na Câmara Municipal, honraria que lhe foi entregue pelas mãos do prefeito Francisco Pedro de Lima (Chicão), autor da propositura, quando exercia o mandato de vereador. Também foram homenageados com a Cidadania, o vice-governador Lucas Ribeiro, e o deputado Luiz Couto.

O prefeito saudou as autoridades e destacou a presença do ex-prefeito de Campina Grande Enivaldo Ribeiro. Lembrou a passagem do conselheiro Nominando Diniz pelo município, quando parlamentar, deixando relevantes serviços prestados, obras de grande valor e que permanecem sólidas e na memória do povo. “Foi um grande legado, e por isso é merecedor, juntamente com os demais agraciados, com a outorga do ‘Título de Cidadania’, disse ele.

Em suas palavras de agradecimento, Nominando Diniz fez suas as palavras de José Américo de Almeida, “Ninguém se perde na volta”, reiterando que depois de 35 anos renasce para receber essa virtuosa honraria, que em muito engrandece sua trajetória de vida política, pois aportou naquela cidade em bons tempos e recebeu o apoio do então prefeito José Roberto, que consolidou sua caminhada, passando a exercer legislaturas como parlamentar representante do povo massarandubense.

O conselheiro, que hoje exerce sua missão como magistrado, membro da Corte de Contas do Estado, enfatizou ainda suas ações políticas em benefício de Massaranduba. Pontuou a pavimentação asfáltica de acesso ao município no Governo de Tarcísio Burity, obras de eletrificação rural, poços artesianos, entre outras que firmaram sua convivência permanente no cotidiano da cidade. “Me sinto honrado e feliz em receber esse título. Foi um presente de final de ano”, finalizou.

A solenidade foi conduzida pelo vereador Lenilton Barbosa, presidente da Câmara Municipal de Massaranduba – Casa Edson da Silva Meira.  Ele recepcionou os homenageados e manifestou os agradecimentos pelos relevantes serviços prestados ao município, dizendo que cada um tem sua história, que naquela casa do povo podem se sentir à vontade. “”Sintam-se em casa”, enfatizou.

Massaranduba – O município foi distrito de Campina Grande, que é a cidade polo da região. Sua emancipação aconteceu em 07 de maio de 1965 e encontra-se localizado no compartimento da Borborema. Apresenta um clima tropical com chuvas irregulares durante todo ano, conforme os dados do Ministério da Integração. Tem uma temperatura média de 28 °C. Sua delimitação tem como critérios o índice pluviométrico, que mede a aridez e o risco de seca. 

  

Ascom-TCE/PB

21.12.23

Genésio Souza Neto